A ironia da Guerra Fria

Já não tenho aulas de História há mais de dois anos, se considerar que ainda tive História Contemporânea III (?) no início da faculdade. Mas alguns fatores me levam a escrever esse post: paixão por história (principalmente mundial), ‘comemoração’ dos 20 anos da queda do Muro de Berlim, leitura do livro do Mattelart – que me obrigou a relembrar algumas coisas – e, por fim, o mais interessante deles, os termos de busca dos vestibulandos desesperados (?!) que acabam no nosso blog.

Sim, os últimos mais procurados que apareceram por aqui foram: “o que foi a queda do muro de Berlim” (e suas variantes). Isso me lembrou um pouquinho de um assunto que eu a-d-o-r-a-v-a estudar. Guerra Fria. É, aquela guerrinha interessante que prometeu muito e, na hora do “vamo vê”, cumpriu pouco. (Por isso, Guerra Fria.)

Durante década de 60, com a corrida espacial e armamentista, Estados Unidos e União Soviética tinham poderio militar para destruírem não só um ao outro, mas, de quebra, também o resto do mundo. Logo, “atacar” se tornou uma opção inviável, e, portanto, por anos, o mundo (agora bipolarizado) viveu essa paz armada. E eis que, em 1964 o Cinema (arma norte-americana na venda do American Way of Life) lançou uma obra-prima: Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb. Traduzido no Brasil apenas como: Dr. Fantástico.

Ao meu ver, o melhor filme – de longe! – do talentoso (não, não estou sendo irônica…) diretor Stanley Kubrick (e olha que eu assisti a todos os seus filmes). Dr. Strangelove fala justamente sobre essa paz nuclear que dominava o planeta durante a GF. A estória de um general maluco (Jack the Ripper) que resolve bombardear a URSS e todo um Governo que não consegue impedir o ataque é absurdamente divertida! Em grande parte, confesso, pela atuação tripla do excepcional Peter Sellers.

A questão não era bombardear a União Soviética, mas o dispositivo de proteção dos comunistas, que haviam desenvolvido um sistema de auto-retaliação com bombas nucleares caso seu território fosse atingido. Bom, basicamente, a estória é essa. Mas a narrativa é contada de modo brilhante. Com direito a todo tipo de piadinha negra e o maior requinte da ironia, o filme de Kubrick é rico em situações divertidíssimas, como a “proibição de se brigar na Sala de Guerra”, ou o governante soviético, Dimitri, bêbado.

Para quem gosta de um bom cinema, recheado de referências e deliciosos sarcasmos, não dá pra perder esse clássico da década de 60. Reconheço o valor de Kubrick como cineasta, mas o admiro mais como fotógrafo – e por isso a fotografia de seus filmes era tão impecável (mesmo que o enredo não fosse – e, muitas vezes, não era mesmo); Mas de todas as suas obras, a única que, de fato, me conquistou foi esse filme. Simples, preto e branco, e irônico até no título.

*Jack D. Ripper, que soa como Jack the Ripper é uma brincadeira com o famoso Jack, o Estripador (em português).

***


E aos que ainda buscam entender “o que foi a queda do Muro de Berlim”, continuem lendo:


Alemanha dividida e Berlim. Capitalismo x Socialismo

Ao final da 2ª Guerra Mundial, com a Alemanha completamente derrotada e entregue aos vencedores – EUA e URSS, além de França e Inglaterra –, os germânicos tiveram seu território dividido. Não só a Alemanha foi dividida, mas o mundo todo, em esferas de influência capitalista ou socialista. E assim, também foi divida a capital alemã: Berlim.

A cidade de Berlim, situada no lado soviético/socialista da Alemanha – A República Democrática Alemã (RDA) ou Alemanha Oriental – foi divida em 4 territórios entre os grandes vencedores da guerra: britânicos, franceses, norte-americanos e soviéticos.

Mas, surge, então, um problema: como manter a influência má do capitalismo sem interferir no mundo autoritariamente ideal do comunismo? E como deixar os vis “vermelhos” fora do mundo livre capitalista? Simples: fazer um muro.

Berlim e o muro.

Sim, um murinho básico de mais ou menos uns 3m, cheio de guardas armados que impediam as pessoas de passarem para o outro lado da cidade. O muro circundava toda a Berlim Ocidental – capitalista – já que a cidade se situava na Alemanha Oriental – socialista. Durante 28 anos (1961 – 1989), o muro separou famílias e “protegeu” a ideologia capitalista em vigor na Berlim Ocidental, da ideologia socialista da Alemanha Oriental.

Em 9 de novembro de 1989, há pouco mais de 20 anos, após vários movimentos populares e por força da população, houve a “liberação quase forçada” da passagem dos alemães para os dois lados de Berlim, e para fora de Berlim – para o território socialista. A queda do muro de Berlim, provocada pelo povo, abriu o caminho para a Reunificação Alemã (oficialmente em 3 de outubro de 1990), e rende até hoje pedacinhos do muro para turistas dispostos a pagar bem para levarem consigo um pedacinho de história (literalmente).

Muro de Berlim hoje.

Publicado por: Lê Scalia

Sobre Lê Scalia

Mineira, corinthiana e publicitária. Apaixonada por cinema, também adora viajar: pelo mundo, por um livro ou pela vida. Às vezes irônica, sempre intolerante: a ignorância, falta de respeito e lactose. Pra mais @LeScalia.

Publicado em 19/11/2009, em Atualidades, Cinema, Cultura, História e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Em termos leigos, acho q eu descreveria assim: O muro de Berlim foi um cercadinho separando a parte capitalista de Berlim do resto da Alemana socialista (incluindo a parte comunista da capital).

  2. Uhul, Lê, ficou muito bom! Acho um máximo essas coisas doisas da história! uahauhauhauaha hoje a gente vê e pensa, pô que besteira né! uahuahauha!!

  3. Aliás, volto a dizer: “Adeus, Lenin” é um filme que fala mostra com humor berlim dividida… muitíssim interessante!!

  4. quero veeeeeeeeeeeer!
    me lembra d ver, Lú!

  5. Adeus, Lênin é otimo! Saudades de assstir esses filmes!
    Assista Leticia, vale a pena!

    • Entãooo.. quero bastante ver, me deu vontade! Mas na verdade, desde q eu escrevi esse post eu tenho é mta vontade d rever Dr. Strangelove uhsHUShuASHUuhaS eh mto bom! Mas vou seguir a dica de vcs, Elane e Lú :D

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