Arquivo mensal: janeiro 2010

São Jorge’s Guerreiros!

Aviso aos navegantes: Se você não é corintiano, provavelmente não vai querer ler esse post. Afinal, se você não é Corinthians, é, muito provavelmente, contra o Timão.

***

Hoje teve Corinthians. Sim, mas toda quarta e domingo tem, certo?

Tem. Mas hoje teve Corinthians .

Corinthians como é, como sempre foi, nesses 100 anos de paixão. Foi com a cara do Timão, o jeito do Coringão, com o gosto da Fiel.

Mesmo com os dois principais jogadores de Corinthians e Palmeiras fora – Ronaldo e Diego Souza -, o que entra em campo são as camisas, afinal, é clássico. E se clássico é difícil, jogar contra o arquirrival é mais ainda. E o que dizer de jogar “clássico-contra-o-arquirrival” com um jogador a menos - injustamente – durante 90 dos 100 minutos do jogo (foram quase 10 de acréscimos nos dois tempos)?

Aos 5, Jorge Henrique recebeu uma bola praticamente colocada com a mão pelo Tcheco: 1x0. Aos 9, o Roberto Carlos levou um vermelho direto quando nem deveria ter levado amarelo – só pra esclarecer, nem falta foi. Daí pra frente, o resumo do jogo foi assim: 9 corintianos correndo até a morte e 10 palmeirenses tensos, errando na hora de finalizar.

Dos 104 metros de comprimento do campo do Pacaembu, o jogo aconteceu em praticamente só 52. O Palmeiras atacava, o Corinthians defendia. E embora o Felipe tenha feito umas 4 defesas dignas de 2007 (e isso é grande coisa, acredite) o mérito de vitória foi todo do Timão.

O time corintiano, contando com Felipe, William, Chicão (L), Alessandro, Elias, Ralf, Tcheco, Danilo, Iarley e Jorge Henrique (e o mestre Mano no banco) parecia correr por cada torcedor que gritava por eles na arquibancada. Há muito tempo eu não vejo tanta raça em campo. E há muito tempo, essa raça não vem aliada de tanto talento.

Todos, repito, TODOS os jogadores do Timão hoje entenderam o que é ser Corinthians. É só isso que a torcida quer. E em troca, o time ganha o apoio e amor incondicional de quem nunca vai abandoná-los. E isso não tem preço.

Cada corintiano hoje agradece aos seus guerreiros. O Centenário corintiano não seria corintiano se não tivesse garra. Se não fizesse dos jogos, guerras. Nada mais apropriado para o time que tem como padroeiro São Jorge Guerreiro.

Hoje teve Corinthians.

Mais do que se tivéssemos goleado. Mais do que se tivesse sido fácil. Porque Corinthians é assim: sofrimento, raça e amor (e uma leve dose de taquicardia).

Pelo Corinthians, com muito amor, até o fim.
Vai Curintiá!

Passe aqui e veja a singela homenagem da torcida palmeirense ao nosso São Jorge Henrique.

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Publicado por:Lê Scalia

Eleições presidenciais na Costa Rica

É tempo de eleições presidenciais na Costa Rica.

Na Costa Rica, assim como em muitos países, elege-se um novo presidente cada quatro anos. Para o candidato conseguir levar a coroa no primeiro turno, precisa alcanças os 40% mais um dos votos válidos. Diferente do Brasil, aqui existem dois vice-presidentes e a reeleição é inconstitucional. Ainda, o voto não é obrigatório. Como são poucos, os partidos políticos não estão vinculados a números, logo não existe PBS 21, por exemplo (e não me pergunte como é a eleição para deputados).

Meu contato com campanhas publicitárias é  através de televisão e mídia externa. Nas telinhas, nunca encontrei horário político obrigatório, somente propagandas de 30s no meio da programação. Quando resolvem falar de alguma coisa, o ponto de pauta de todos é um só: segurança pública (se estiver tão ruim quanto a oposição fala, estou fu%#&@zilado – calma pai, calma mãe).

No país também não existe coligação partidária, cada partido lança seu candidato. Talvez por isso, nunca vi um vice-presidente em alguma propaganda. No Brasil, o vice costuma representar o segundo partido mais forte da coligação. Aqui, os vice-presidentes são do mesmo partido que o presidente, logo, não possuem tanta força convergente de votos política.

Foi dada a largada!

Os ticos aqui dizem que o presidente é mera figuração. Então, concorrendo neste casting, apresentamos os quatro principais candidatos a figurante:

Laura Chinchilla: sucessora do atual presidente Óscar Arias, representa o PLN (Liberación Nacional). As pessoas não costumam gostar muito da figura Chinchilla, mas muitas dizem que votarão nela porque o país melhorou muito nestes quatro anos. Com seu slogan “Adelante”, possui a melhor propaganda política do país (visualmente falando), porém propostas bem vagas (como todos os candidatos). “Para la niñez, cuido. Para la juventud, educación. Para las personal adultas, trabajo bien remunerado. Y para los adultos mayores, una vida digna”. Bravo, Laura.

Otto Guevara: do PML (Movimiento Libertario), é o principal adversário da candidata roedora. Representa a contradição. Possui um discurso populista e aparenta ser um candidato de esquerda (perguntei para os nativos e, para eles, Otto é de esquerda), no entanto propõe dolarizar a economia do país. Conforme o site do PML, seu partido é centro reformista, porém “defiende, divulga y promueve las ideas y los valores del liberalismo”. Para melhorar a educação, sua proposta é distribuir computadores portáteis (reparem no vídeo a qualidade do aparato) para os estudantes, o que me parece escambo de voto por computador. Para mim, é um direita em pele de vermelho (cor, claro, de seu partido e sua campanha).

Otton Farias: ex-PLN, desfiliou-se, afiliou-se  PAC (Acción Ciudadana) e se lançou cadidato. Possui uma campanha televisiva agressiva, tudo que faz é atacar seus adversários através de bonecos marionetes. Por isso, foi  criticado pela mídia e pelos cidadãos. No entanto, aqui na Costa Rica, somente de seu partido recebi folhetos com propostas.

Luis Fishman: a pior campanha política que já vi. Seu slogan “El menos malo” me proporcionou muitos risos (que estratégia é essa?). Não satisfeito com a cagança, lambuza com seu jingle bizarro. Ok, agora sim, com suas grávidas cantantes, me passou confiança, pescador.

Como podemos perceber, que venha o que vier, estamos em boas mãos.

Publicado por Tiago Pizzolo

 

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Hoje faço um mês de Costa Rica

Hoje faço um mês de Costa Rica. Um mês de expectativas por vezes frustradas, por vezes superadas. Um mês intenso. Pensei em escrever algo sobre este mês que passou, mas resolvi digitalizar algo que já tinha escrito, exatamente há um mês atrás: 

Iniciando a viagem: Floripa

É, acho que estou ansioso. É meia noite e eu estou em Guarulhos escrevendo em um guardanapo do Mc Donalds. A caneta, para ajudar, está pifando. Meu vôo para Costa Rica só sai as 7h30, logo tenho que ocupar meu tempo ocioso. Bom, resolvi anotar coisas que já aconteceram comigo nestas 3h de aeroporto. 

Para começar, desci do vôo da TAM Floripa-Guarulhos e já fui bem recepcionado: uma de minhas malas estava em três pedaços. Foram-se rodinhas e pé de apoio. Claro que o Pizzolo foi reclamar… Mas, surpreendam-se: a TAM me deu uma mala nova! Mesmo tamanho “só porque” com rodinhas. Fiquei tão surpreso com a atitude que, se duvidar, pedi desculpas por ter causado aquele inconveniente com minha mala barata. 

Problemas com a mala resolvidos, resolvi fazer um check-in na TACA. Cheguei na Asa D, onde fica o guichê da empresa e… nada de TACA! Fui me informar onde fica a TACA e tive uma ótima notícia: é lá mesmo, mas só abrem 3h antes do vôo*. Ou seja, minhas duas malas, grandes e inconvenientes, estão aqui do meu lado. Me fudi. 

Aliás, falando sobre malas de novo, por culpa do inconveniente lá conheci uma galera de Criciúma (a mala deles também teve problema, rasgou, provavelmente na ponta de plástico que ficou na minha mala, vestígio de um par de rodas). Eles vão para Dubai, de Emirates. No início deste guardanapo passaram por mim as aeromoças da companhia. Na verdade, eu deduzi, mas acho que nenhuma outra companhia teria um uniforme com turbante, não é mesmo? 

Para iniciar bem a rotina de comer fora de casa, jantei um Big Mac com fritas e guaraná. Isso quer dizer que, além de ter umentado meu colesterol, os 500ml de refrigerante me deixaram com vontade de ir ao banheiro. E como faz para ir ao banheiro com duas malas grandes e incovenientes? O jeito é ir me guentando aqui.

Acabou o guardanapo, foi-se frente, foi-se verso. Amanhã tento colocar isso no blog. Nos vemos na Costa Rica! 

Finalizando a viagem: San José

É a primeira vez que eu leio este guardanapo depois de escrevê-lo. Pela aleatoriedade do conteúdo, percebo que eu realmente precisava só escrever. Meu amanhã demorou 30 dias para acontecer. Isso significa dizer que tenho apenas 11 dias restantes aqui. Preciso correr para fazer tudo que planejei!

*Ps: Ok, eu sou um ignorante quando o assunto é check-in. Parece que isso é processo padrão para qualquer vôo, de qualquer operadora.

Publicado por Tiago Pizzolo

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Uma semana em Guanacaste

Semana passada foi diferente aqui na Costa Rica.

Todo ano, a Novartis faz uma convenção que reune a equipe de vendas e de marketing de Costa Rica, Honduras e Nicarágua em algum lugar do país. Este ano, resolveram escolher um dos hotéis mais caros de Guanacaste, a província mais turística da Costa Rica.

Adivinhem? Exatamente, nós, os quatro humildes Aiesecos, fomos também. Ficamos quatro dias hospedados no Riu Resort, um hotel all inclusive na Praia Ocotal. Eu não tinha idéia de como funcionava um sistema “tudo incluído” antes desta convenção. Mas sim, all inclusive é all inclusive. Isso quer dizer que tínhamos rum, vodka, whiskey, gim e cerveja à vontade em nossos quartos, bares 24h fazendo todo e qualquer coquetel (cuidado com a cucaracha!) e comidas variadas a qualquer momento. Além disso, havia um casino dentro do hotel, além de uma Pacha (sim, a balada foda que existe em Floripa, São Paulo, Barcelona, Madrid e por incrível que pareça, Guanacaste).

Nisso tudo, só um problema: estávamos lá para trabalhar. Ou seja, agenda cheia de palestras e treinamentos. Mas na verdade, isso foi muito bom. Conheci muito mais sobre a Novartis,  conheci pessoas dos três países e por aí vai… E claro, todo dia, depois da agenda, sempre encontrávamos um tempo para aproveitar o all inclusive.

Depois, quando chegou sexta-feira, hora de voltar com a excursão para San José? Nada! Descemos, Marcelinho e eu, na primeira cidade onde havia ônibus para outra praia. Fomos para Tamarindo, a esquina arenosa da Costa Rica com as melhores ondas para surfar (diz a lenda). A praia é tesão (nada comparada com Bocas de Toro, mas ok, encontramos iguanas), mas para mim o melhor é a cidade. Tudo é muito roots lá, dos albergues aos nativos, climão de praia geral. Na verdade, o que menos se encontrava era nativo. Escutamos mais inglês do que espanhol, com certeza. Talvez por isso, na balada, rolou até concurso de wet t-shirt (e tem gringo com coragem de falar de brasileiro).

Depois de passar do hotel mais caro de Guanacaste para o albergue mais barato de Tamarindo, voltamos para a dura realidade. É, San José não é das melhores cidades para se viver. Para uma capital, não possui muita estrutura, tampouco é muito turística. Mas tudo bem, fim de semana chega rápido e, enquanto a plata nos deixar, continuaremos viajando.


Publicado por Tiago Pizzolo


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Cerveja Andes e o Teleporter

O que fazer se sua namorada liga e você está no meio do bar, tomando uma cerveja com seus amigos?

Este é o problema que a cerveja argentina Andes busca resolver com seu cheio de graça Teleporter. Espalhados por bares e baladas de Mendoza, o aparato revolucionário teletransporta seu usuário sem tirá-lo do lugar.

Simples assim: entrar na cabine acústica, escolher onde você vai dizer que está em um painel de sons ambientes (prefere estar em um engarrafamento ou cuidando de sua avó?) e inventar a melhor desculpa para sua namorada.

Não necessariamente falar com a namorada, mas sim, todo mundo já enfrentou o desafio de conversar com alguém no telefone no meio de muito barulho. Estamos todos familiarizados com esta situação, e utilizar o exemplo mais embaraçoso torna a guerrilha divertidíssima. Homens e mulheres, todos podemos entrar no Teleporter e desfrutar de seu silêncio.

Andes só esqueceu de um detalhe: para funcionar de verdade, precisamos perceber que o celular está tocando. Ou seja: argentinos, necessitamos de mais uma invenção. Mas ok, convenhamos, só a cabine já foi genial.

Ps: Vale a pena conferir no hotsite da Andes as opções de desculpas que podemos “inventar”.

Publicado por Tiago Pizzolo

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Marketing do Bem

Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho, a.k.a. Pacaembu (a.k.a.² Casa do Corinthians).

Pacaembu

O popular estádio da cidade de São Paulo tem capacidade para 37.952 pessoas (embora já tenha recebido, em meados de 40, quase o dobro). E, se a torcida corintiana comparecer (e eu ponho minha mão no fogo que irá) aos dois jogos do Corinthians em casa essa semana, quem ganha apoio, além do Timão, é o Haiti.

Com o contrato de patrocínio acabando no fim desse mês (31 de janeiro), a Batavo, junto com o Corinthians, irão realizar sua última ação de marketing da parceria que durou um ano (bem-sucedido, devo acrescentar).

A empresa se comprometeu a doar, para as vítimas do Haiti, 1 litro de leite por cada torcedor que vá ao jogo. Quarta-feira tem Mirassol. Time menor, equipe corintiana buscando a melhor formação, acredito em um público bom. Mas o trem pega fogo mesmo no domingo: Corinthians x Palmeiras.

O maior clássico do estado de São Paulo (e um dos maiores do mundo, de acordo com uma pesquisa) terá casa cheia. Não havia dia melhor para o duelo entre os arquirrivais, e só me entristece que o Pacaembu não tenha uma capacidade de público maior.

William, nº 4 Corinthians

A ideia de ajudar os haitianos partiu do capitão corintiano, William, que conversou com o presidente do clube (Andrés Sanchez) e o departamento de mkt. A Batavo abraçou a iniciativa, e, se tudo correr como o esperado, em breve uns 70 mil litros de leite serão enviados para o Haiti.

Que fique claro, achei essa ideia muito mais da Batavo do que do Corinthians. Embora a iniciativa tenha sido corintiana, o Corinthians poderia colaborar muito mais com os haitianos. Por que não repassar parte da renda de um jogo? Ou fazer um jogo beneficente?

Em Ribeirão Preto, naquele jogo horroroso, com pouco menos de 30 mil pessoas, a renda foi de quase 1 milhão de reais. Seria mesmo tão difícil o Timão também se mexer? Afinal, a causa é mais que justa.

E você, corintiano da capital, compareça. Seja na arquibancada, no tobogã, na numerada, na VIP ou no camarote. O povo do Haiti conta com a sua fidelidade ao Timão.

Pacaembu + Corinthians

Fonte:

Lancenet

Publicado por: Lê Scalia

Jogos sociais: fun sucks!

O Facebook tem 350 milhões de usuários. Acreditem ou não, hoje, por dia, 74 milhões de pessoas jogam Farmiville, um jogo de simulação para fazendeiros frustrados. Este é o jogo mais popular no Facebook atualmente.

Seria isso algum movimento bucólico ou excesso de tempo à toa das pessoas? Para mim, a primeira opção é bem improvável, mas a segunda não é tão verdade também. Talvez, o surgimento dos chamados jogos sociais tenha sido só uma grande “sacada”.

Sem dúvida, incorporar games às redes sociais foi uma grande idéia. No trabalho ou em casa, quando nos sobra algum tempo livre, sempre visitamos nosso Twitter, Facebook, Orkut e tudo mais. Logo, quando estamos buscando novas fotos no Facebook, teoricamente estamos com um tempo disponível, portanto nos custa pouco abrir um aplicativo que está ali disponível em um clique e “gastar mais um tempinho”. Assim, aos poucos, nosso vício por redes sociais (em especial nós, brasileiros) é repassado para os jogos sociais. Ninguém consegue não dar uma olhadela em suas vaquinhas diariamente, todos ficamos sempre ligados.

Se as redes sociais ajudam a manter contato com seus amigos, os jogos sociais, claro, também te dão uma mãozinha nisso. Mais que isso, faz você adicionar novas pessoas, aumentando sua rede social. Já adicionei pessoas do mundo inteiro para aumentar minha máfia no Mafia Wars, por exemplo. Útil para o jogo, útil para a rede social, útil para você.

Quando pensamos na palavra jogo, associamos involuntariamente à diversão. Mas não, para mim jogos sociais estão mais relacionados a adicção que a diversão. É puro vício. Vício de querer crescer, evoluir, comprar coisas novas, consumir. Sua cabeça martela “Agora já devo ter estaminas suficientes para completar aquela missão” até você abrir e verificar as malditas estaminas. Quase como um cigarro, sua agonia só cessa no momento em que você acende um, e cessa temporariamente. Isso definitivamente não é diversão, mas de alguma forma te traz diversão. Ou, melhor, talvez te traga só satisfação, um prazer resultante da realização do que se espera. Mas tudo bem, ficamos satisfeitos com isso.

Para ilustrar, assista um “comercial”  zoando todo divertimento/satisfação que podemos ter jogando Farmville.  Fun sucks!

Publicado por Tiago Pizzolo

Incompreensível

Você viajaria 200 km para:

  • Pagar 20 (ou 40) reais em um ingresso? E, se for de carro, mais 10 pelo “estacionamento”.
  • Ficar imerso em um forte cheiro de maconha durante 2 horas?
  • Assistir a um show sertanejo, com músicas que você não conhece?
  • Pagar 3 reais num pacotinho mini de pipoca? E 4 reais em um copo de coca(?) ?
  • Entrar em uma fila quilométrica e ter que aguentar os folgados furando a fila?
  • Ficar debaixo de um sol de 35º, pingando suor?

E depois de tudo isso, viajar mais 200 km de volta?

Com certeza. Não me pergunte o porquê; eu mesma não sei.

Mas se por um lado você encontra alguns “inconvenientes”, tem outras coisas que compensam. O quê?

  • Gritar até ficar rouco (e ficar feliz por isso).
  • Ver famílias e bandidos todos unidos por um só ideal (há, filosofei hahaha). (Tem madame na numerada, tem playboy de gola pólo e Ray Ban, tem doido com tatuagem de prisão, velhinho e criancinha. Tudo junto e misturado!)
  • Venerar o Chicão, Rei do Universo.
  • Ir ao shopping e ver umas 5 pessoas por m² vestidas com o manto.
  • Barganhar uma capa de chuva que custava 12, foi feita por 10, 2 por 15 e, no fim,  comprar 3 por 15. (Pra você que não acompanhou a matemática complexa do malandro: uma capa que custava 12 saiu por 5.)
  • Por fim, por aquela sensação única de ouvir alguém gritando, com a maior pureza, com amor mesmo, nada mais do que isso: “Vai Curintiá!“.

Sim, eu viajaria 200 km pra tudo isso. Na verdade, eu viajei.

Foi assim o jogo de abertura do Paulistão-10 em Ribeirão Preto, quando o Corinthians enfrentou o Monte Azul, que estreava na 1ª divisão. O futebol foi fraco, o time estava cheio de reservas, e eu perdi o único – e esquisito – gol do Timão (um cara do Pavilhão 9 resolveu fazer do meu lugar passagem. E eu fiquei quietinha, óbvio) (/tema da minha vida: “Se eu me distraio um único instante, pode apostar que eu perco o mais importante”).

Se valeu a pena? Tudo vale a pena. Se a alma não é pequena. Claro que sim. Por quê?

Por toda a sua história. Por toda a sua tradição. Até o fim da minha vida, te amo Timão.

***

Considerações sobre o jogo…

A Gaviões só chegou no 2º tempo, provavelmente estava presa (literalmente) em algum lugar. Aliás, chegou, viu 45 min de um jogo ruim, e voltou mais 400 km de volta pra casa. O Monte Azul marcou bem, jogou a vida. E comemorou muito o empate ao final do jogo.

O São Paulo perdeu em casa, por 3 x 1. E o meu amigo são paulino, que estava infiltrado (invejando), se arrepiando, na torcida do Coringão, ficou caladinho, torcendo pra ninguém olhar o placar. Isso alegrou um pouquinho mais o jogo.

Corinthiano gosta de sofrer, mas torcer pro Souza já é tortura. Ele é ruim demais. Sério, dá gastura.

Iarley estreou bem, corre bastante. Vai cair bem no Timão. Enquanto isso, o Tcheco ou aprende a correr ou vai ter vida curta no Corinthians.

E, bom, o Chicão foi impecável, como sempre. Minha próxima camisa é nº3, fato. (Enquanto a torcida gritava todo mundo, eu só gritava o Chicão S2.)

É isso. Hoje o Corinthians realmente estreia no Paulistão. Roberto Carlos, Ronaldo, Elias, Felipe, Alessandro, Chicão e Pacaembu. O Centenário começou.

Vai Curintiá.

Publicado por: Lê Scalia

Em defesa de Avatar

Porque é só alguma coisa fazer um mega sucesso que as pessoas procuram críticas. A propósito, este não é o caso da saga Crepúsculo, toda e qualquer crítica dirigida a este esboço de literatura e de cinema é completamente válida. Estou falando de Cinema de verdade.

Domingo, dia 17, assistimos ao Globo de Ouro, premiação entregue pela Associação de Imprensa Estrangeira em Hollywood à indústria cinematográfica norte-americana. Muitos consideram o Globo de Ouro uma prévia do Oscar.

Bem, devo dizer que fiquei muito satisfeita com os vencedores. E estou aqui para defender Avatar, de James Cameron. Minha premissa é a seguinte: nós temos que entender que Avatar é muito mais do que um filme feito com a última tecnologia, do que uma história de ficção científica e do que personagens azuis.

Não acho que o filme será recorde de indicações ao Oscar, ele não compete no que se refere a Melhor Ator/Atriz; ele não se aplica à categoria de Maquiagem, porque é tudo efeito especial. E por que o filme é muito bom?

Avatar tem um conjunto excepcional. Algumas coisas não são questionáveis: a direção de James Cameron, a grandiosidade dos efeitos visuais, a escolha perfeita da trilha sonora e uma direção de arte de cair o queixo. Os outros aspectos podem até não se sobressair, mas são muito bons e formam o conjunto imbatível de Avatar: fotografia, montagem e sim, roteiro.

A maior crítica feita a Avatar é certamente quanto à originalidade da história. Quanto a isso, já vou avisando: é óbvio que a história não é original. Porque ela já aconteceu há aproximadamente 500 anos, quando os colonizadores europeus chegaram às Américas. Ou ainda, durante os muitos anos em que africanos e orientais foram explorados. Sim, Avatar é simplesmente uma releitura do Colonialismo, que realmente aconteceu neste planeta que se chama Terra.

Mais especificamente, aconteceu com uma índia que viveu entre 1595 e 1617 onde hoje encontra-se o estado da Virgínia, nos Estados Unidos. Ela se casou com um inglês que governava aquela região na época em que a Inglaterra colonizava o país. A história ficou muito famosa e seu nome deu origem ao filme da Disney, lançado em 1995, Pocahontas, e também ao filme O Novo Mundo, de 2005.

Francamente. Não sei porquê a surpresa ao ver as semelhanças entre Avatar e Pocahontas. São filmes que falam da mesma coisa, é óbvio que haverá semelhanças. E antes que os adeptos da teoria da conspiração acusem James Cameron de plágio, tomem nota: o diretor escreveu o roteiro de Avatar em 1994. Logo, a não ser que ele tenha tido um sonho premonitório com o roteiro da Disney, ele não poderia ter se inspirado na animação. Talvez ele tenha se inspirado na história real? Essa teoria parece mais plausível para você?

Depois, ele foi acusado de ter copiado algunas cositas de um romance soviético. Bem, apesar de os nomes serem realmente parecidos, a acusação de plágio já foi negada pelo próprio autor.

Mas afinal, o que importa? Avatar é um filme que será lembrado na história do Cinema. Será lembrado pela revolução da técnica, pelo recorde de bilheteria – porque é só uma questão de tempo até passar Titanic – e sim, pela história. Por quê? Porque os outros não serão. Avatar é o filme que as pessoas continuarão a assistir no futuro, e não Pocahontas. Até porque, a Disney tem obras muito mais primas do que Pocahontas.

Globo de Ouro, 17 de janeiro de 2010.

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Publicado por Lu

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Eles são azuis, têm 3m de altura, se comunicam por um idioma desconhecido e moram em uma lua. Esses são os protagonistas de Avatar, sensação de James Cameron que já arrecadou mais de 1 bilhão de dólares e já é a segunda maior bilheteria mundial.

Seu último feito? O Globo de Ouro de melhor filme de 2009.

Aqui vem a lista de todos os vencedores:

Melhor filme – drama
Avatar

Melhor atriz em filme – drama
Sandra BullockO Lado Cego

Melhor ator em filme – drama
Jeff BridgesCrazy Heart

Melhor filme de comédia ou musical
Se Beber, Não Case

Melhor atriz em filme de comédia ou musical
Meryl Streep - Julie & Julia

Melhor ator em filme de comédia ou musical
Robert Downey Jr. – Sherlock Holmes

Melhor filme em animação
Up – Altas Aventuras

Melhor filme estrangeiro
A Fita Branca (Alemanha)

Melhor atriz coadjuvante
Mo’nique - Preciosa – Uma História de Esperança

Melhor ator coadjuvante
Christoph Waltz - Bastardos Inglórios

Melhor diretor
James CameronAvatar

Melhor roteiro
Jason Reitman - Amor sem Escalas

Melhor trilha sonora
Michael GiacchinoUp – Altas Aventuras

Melhor canção original
The Weary Kind - Crazy Heart

Melhor série de TV – drama
Mad Men

Melhor atriz em série de TV – drama
Julianna MarguliesThe Good Wife

Melhor ator em série de TV – drama
Michael C HallDexter

Melhor série de TV, comédia ou musical
Glee

Melhor atriz em série de TV, comédia ou musical
Toni Collette - United States of Tara

Melhor ator em série de TV, comédia ou musical
Alec Baldwin - 30 Rock

Melhor minissérie ou filme para TV
Grey Gardens

Melhor atriz em série, minissérie ou filme para TV
Drew Barrymore - Grey Gardens

Melhor ator em série, minissérie ou filme para TV
Kevin BaconTaking Chance

Melhor atriz coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV
Chloë SevignyAmor Imenso

Melhor ator coadjuvante em série, minissérie ou filme para TV
John LithgowDexter

E, claro, alguns comentários.

Esse Globo de Ouro me deixou dividida. Embora revoltadíssima com algumas escolhas, outras, muito merecidas, me deixaram satisfeita.

Primeiro, as revoltas:

  • Jane Lynch, a Sue Sylvester de Glee era a favorita para levar o Globo de melhor atriz coadjuvante em série e teve que ver uma loira sem sal (Chloë Sevigny, de Big Love) vencer. Ok, estou sendo injusta. Eu não assisto a Big Love e não conheço o trabalho dela, mas enquanto as concorrentes eram mostradas, ela estava com uma cara de tédio que, sério, é até uma ofensa ela ganhar.
  • E a segunda grande revolta da noite: Dexter, com sua 4ª temporada sensacional não vencer como melhor série dramática. Como assim? Michael C Hall é o melhor ator; John Lithgow o melhor coadjuvante; a temporada foi espetacular; e quem ganha o Globo de Ouro é Mad Men? Ah, por favor. Eu já disse isso ontem… já que a crítica gosta tanto da HBO, deveria parar de colocar outros concorrentes e entregar o prêmio de uma vez pra não irritar a nós,  criaturas de incrível bom gosto meros mortais.
  • Taylor Lautner, o “lobisomem” queridinho, apresentando. Tenho alguns pensamentos sobre ele. 1º Ele é um boneco de cera, sério. 2º Ele é tão ruim apresentando quanto é atuando.

Por fim, uma revolta que não tem nada a ver com o Globo de Ouro, mas com a transmissão da TNT. Aqueles dois são muito chatos, sem condição! E o metido a sabichão lá ainda chamou o Michael C Hall de Anthony C Hall. Aliás, falando nele, ontem nosso mais querido serial-killer apareceu de gorro. Estranhei, não sabia que ele estava doente. Agora, torço muito para que ele vença tudo isso. Ele e a Debra, sua esposa – Jennifer Carpenter.

As satisfações:

  • Zachary Levi apresentando! Ah, como eu amo #Chuck.
  • John Lightow e Michael C Hall, minha dupla sanguinária favorita (Trinity & Dexter), que apavorou (literalmente) em Dexter ficou com melhor ator coadjuvante e melhor ator. Mais do que merecido.
  • Fiquei muito, muito, mas muito feliz com a vitória inesperada de Glee. Isso mostra o quanto a série do momento da FOX está sendo reconhecida e não nega o “quê” de alternativa.
  • Eu quero um Robert Downey Jr. pra mim. Disse isso logo após ver Sherlock Holmes, e repito com mais certeza que antes. Ele é o meu Johnny Depp momentâneo. Esteve incrível no papel do detetive mais famoso da história, e, de quebra, fez o discurso mais divertido.
  • Sandra Bullock. Dizem por aí, que todo mundo a-dora ela. Mas sério, como não amar? Aos 45 anos, ela estava num esplendor de causar inveja. Linda! Absoluta. E não pude ver The Blind Side ainda, mas tenho a mais completa certeza de que ela mereceu. Gente.. sério, alguém que fez Miss Simpatia já tem créditos comigo pra vida toda.
  • Melhor atriz em comédia… grande dúvida pra mim. Adorei A Proposta, mas seria um absurdo não dar esse prêmio à intérprete da Julia Child. Meryl Streep estava em uma elegância impressionante. E ela não é mais questionável. Se quiserem dar, sei lá, o prêmio de mulher mais sexy do planeta pra ela, com mais de 60 anos, ótimo. Sério, ultimamente entendi que ela pode qualquer coisa.
  • A trilha sonora de UP é maravilhosa. Merece realmente muito destaque.
  • Lembra daquele nazista mala de Inglorious Basterds? Então, “that’s a bingo“! Christoph Waltz ficou com o prêmio de melhor ator coadjuvante. E foi um dos Globos mais merecidos.
  • Melhor diretor: e aí, James Cameron ou Tarantino? Se você pensar que James Cameron criou tudo em Avatar, incluindo a língua dos Na’vi, não resta dúvidas. Achei muito bem entregue.
  • Pelo conjunto da obra, Avatar.  E ponto final. Além disso, tem o que a falou ontem… ninguém vai querer ser a pessoa que não deu o prêmio a um dos filmes mais revolucionários da História.

Robert Downey Jr. e Sandra Bullock

(Além de todas as minhas alegrias, o Robert Downey Jr e a Sandra Bullock, dois dos meus atores favoritos, estavam sentados juntos! Buni ;])

De resto:

  • Jeff Bridges parece ter merecido o prêmio de melhor ator em drama, já que foi aplaudido de pé.
  • Eu não sei se concordo com Amor sem escalas ficar com o roteiro original, mas não assisti. De qualquer forma, acho que daria pra Distrito 9 ou It’s Complicated, que parece legal.
  • Em Melhor canção eu não vi nenhuma música espetacular. Daquelas que marcam a história do Cinema, sabe? Ah, se “My Heart Will Go On” estivesse concorrendo no lugar de “I See You”… haha.
  • Antes de ver A Princesa e o Sapo torcia pra ele ganhar de melhor animação. Mas depois de ver, sei que UP é que merecia.
  • Alec Baldwin ganhando como melhor ator de comédia por 3o Rock não é surpresa. Mas achei que a Tina Fey fosse fazer companhia a ele como melhor atriz.
  • A Drew Barrymore que atua desde que sabe falar ganhou seu 1º Globo de Ouro. Acho legal.
  • Sobre o prêmio de Se beber, não case, eu não assisti, mas acho que qualquer filme que tenha um nome desses não merece um Globo de Ouro. Fui mais com a cara de It’s Complicated.

É, gente. A temporada do tapete vermelho começou. E as divas – destaque pra Meryl Streep e seu ótimo discurso, e pra Helen Mirren (foda) – e divos que vimos ontem estão só se aquecendo. E os fofoqueiro de plantão também. Dá-lhe E!.

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Publicado por: Lê Scalia

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