Arquivo mensal: março 2010

Como anunciar remédios

Propagandas de remédios são curiosas. Não parece, mas são. Aqui no Brasil, só se pode anunciar remédios cuja venda está dispensada de uma prescrição médica. , como se a receita fizesse alguma diferença na compra… mas enfim, não pode e pronto, se não o Conarpití.

Nos Estados Unidos, é um pouco diferente. É permitido anunciar medicamentos que são prescritos por médicos – até porque, lá, a maioria é -, mas os comerciais de remédios contém praticamente a bula inteira do medicamento. É engraçado… o locutor fala rápido, mas fala tudo, inclusive que o uso em excesso pode causar a morte. Por exemplo, esse aqui, do anticoncepcional Yaz (sem legendas, infelizmente):

Mas também as propagandas de medicamentos podem ser engraçadas e ter uma sacada legal. Se você não precisa ler a bula no comercial, tudo pode ficar mais fácil.

Alrin Nasal Spray – Israel

Neosaldina – Brasil

Publicado por Lu

Publicidade no mundo: Romênia (II)

Bem, eu avisei que tinha uma estranha curiosidade sobre esse país… e como eu esqueci de dizer no post anterior da Publicidade romena, a Romênia também é o país que confundiu Haiti com Taiti… hahaha mentira, foi uma TV espanhola que se equivocou e repassou uma notícia de um site de piadas. Me lembrou a TV boliviana que divulgou imagens do momento da queda do avião da Air France – quando, na verdade, eram imagens da serie LOST… cada coisa!

A gente aqui no Brasil não costuma ter muito contato com publicidade de países tão longe como a Romênia. Nossas referências geralmente são Estados Unidos e Argentina. E claro, certamente somos referência para outros países, afinal, o Brasil tem uma as Publicidades mais criativas do mundo.

Mas vamos ver então mais alguns cases romenos. Não muito bons, eu diria…

Campanha contra o cigarro
Texto: “Chama-se suicídio porque a escolha é sua. Largue o cigarro: 0 8008 700 700″

Ketchup Regal
Texto: “Simplesmente a maior estrela de Hollywood”

Vodafone
Texto: “Algumas coisas dão certo até uma certa idade. Então aproveite o máximo da infância”

Whiskas
Texto: “Gatos são péssimos atores. Nós realmente agradecemos por isso”

Gusto (uma marca de salgadinhos)
Com legendas em inglês.

Campanha “Se beber, não dirija”
O vídeo está sem legenda, mas acho que isso não faz diferença. Estão todas bêbadas mesmo…

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Publicidade no mundo: Romênia

Publicado por Lu

Publicidade no mundo: Pulp Cola do Paraguai

É difícil até pensar em introduzir uma nova marca de Cola no mercado. Se não é Coca, é Pepsi; se não é Coca nem Pepsi é guaraná. Ninguém vai lembrar – ou querer – pedir uma Dolly, né? É difícil também lembrar de campanhas para essas outras marcas de Cola. Mas elas existem. Nem todas são boas – para usar aqui um eufemismo -, normalmente a coisa é bem trash. Senhoras e senhores, com vocês, a Pulp Cola.

Pra cair mais ainda no conceito: a Pulp Cola é do Paraguai. Ou seja, não tem como não pensar em imitação… um refrigerante Cola do Paraguai. Pois é.

Mas eis que me deparo com uma campanha realmente boa (bom, eu gostei). Ela diz, de maneira engraçada, que só os paraguaios possuem a maravilhosa Pulp Cola. Propagandas originais em inglês, humor e, claro, uma produção de respeito. Porque imaginem só uma ideia trash dessa numa produção de fundo de quintal.

Pulp Cola – The Jason Brothers

Pulp Cola – Fraternity

Pulp Cola – Mansion

Publicado por Lu

Publicidade no mundo: Romênia

Tá, eu tenho mesmo uma curiosidade anormal pela Romênia. É um país de língua latina no meio de países eslavos, é o país do Conde Drácula, possui uma grande população de ciganos, fez parte da União Soviética e passou por longa e terrível ditadura de Nicolai Ceausescu, é o país dos Cárpatos e de onde podemos ver o delta do Rio Danúbio. Além de tudo isso, é um paisinho bem parecido com o Brasil, capital populosa e aquele cenário de trânsito e um céu cheio de fios.

Por conta dessa minha curiosidade, resolvi procurar algumas propagandas romenas e postá-las aqui. Por pura curiosidade mesmo. Depois falo de outros países.

Cliente: NISSAN
Produto: Qashqai
Texto: “Qashqai: à prova de cidade”
O conceito de aventura urbana
.

Cliente: Aspirina Plus C
Produto: Aspirina Plus C
Texto:
“Eles ainda estariam aqui se não tivessem pegado um resfriado. Para não ficar resfriado. Aspirina Plus C”

Cliente: Fender Stratocaster
Produto:
Fender Stratocaster
Texto:
“Nos anos 60 esta era a única fonte de aquecimento global”

Publicado por Lu

Urbana Legio Omnia Vincit (Legião Urbana a tudo vence)

“E o que dizem é que foi tudo
Por causa de um coração partido” –
Dezesseis

“Quem um dia irá dizer
Que existe razão
Nas coisas feitas pelo coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?” –
Eduardo e Mônica

“Antes eu sonhava, agora já não durmo
Quando foi que competimos pela primeira vez?
O que ninguém percebe é o que todo mundo sabe
Não entendo terrorismo, falávamos de amizade.” -
Sereníssima

“Feche a porta do seu quarto
Porque se toca o telefone
Pode ser alguém
Com quem você quer falar
Por horas e horas e horas…”
– Eu Sei

“Somos os filhos da revolução
Somos burgueses sem religião
Somos o futuro da nação
Geração Coca-Cola”
– Geração Coca-Cola

“Dissestes que se tua voz
Tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira…”
– Há Tempos

“E a voz tão doce que me falava
O mundo pertence a nós
– Hoje à Noite não tem Luar

“Quem me dera
Ao menos uma vez
Que o mais simples fosse visto
Como o mais importante
Mas nos deram espelhos
E vimos um mundo doente.”
– Índios

“Agimos certo sem querer
Foi só o tempo que errou
Vai ser difícil sem você
Porque você está comigo
O tempo todo” –
Vento no Litoral

“Então me abraça forte
E diz mais uma vez
Que já estamos
Distantes de tudo
Temos nosso próprio tempo” –
Tempo Perdido

“Strani amori che vanno e vengono
Nei pensieri che lì nascondono
Storie vere che ci appartengono
Ma si lasciano come noi” –
Strani Amori

“Será só imaginação?
Será que nada vai acontecer?
Será que é tudo isso em vão?
Será que vamos conseguir vencer?” –
Será

“Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos índios num leilão
Que país é esse?” –
Que País é Este

“E João não conseguiu o que queria
Quando veio pra Brasília, com o diabo ter
Ele queria era falar pro presidente
Pra ajudar toda essa gente que só faz…
Sofrer…” – Faroeste Caboclo

“Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém.
(…)

Já não me preocupo
Se eu não sei por que
Às vezes o que eu vejo
Quase ninguém vê

E eu sei que você sabe
Quase sem querer
Que eu vejo
O mesmo que você…” –
Quase sem Querer

“É preciso amar as pessoas
Como se não houvesse amanhã
Por que se você parar
Prá pensar
Na verdade não há” –
Pais e Filhos

“Quando o sol bater
Na janela do teu quarto,
Lembra e vê
Que o caminho é um só” –
Quando o Sol Bater na Janela do teu Quarto

“Mas é claro que o sol vai voltar amanhã
Mais uma vez eu sei
Escuridão já vi pior de endoidecer gente sã
Espera que o sol já vem.” –
Mais uma Vez

“Mas nada vai
Conseguir mudar o que ficou
Quando penso em alguém
Só penso em você
E aí então estamos bem…” –
Por Enquanto

Menção honrosa:
(Festa estranha, com gente esquisita… Eu não tô legal, não agüento mais birita)

Eu pensei muito em como poderia postar algo falando sobre o Renato Russo. E acredite, fique feliz porque eu não levei a cabo a maioria dessas maneiras. Legião Urbana foi uma parte importante da minha vida musical, até porque extravasei grande parte da minha rebeldia adolescente cantando alto.

Então pensei: acho que antes de qualquer coisa, o Renato era um poeta. Escrevia letras que significam algo e não um monte de baboseiras. Acho que muito da letra era o que conquistava. Por isso resolvi fazer uma homenagenzinha ao Renato Russo, que hoje completaria 50 anos se estivesse vivo, com um pouco de suas letras. Um pouco do que mais gosto nas suas letras.

(Ainda acho que nasci na época errada. Ainda acho que pi-ra-ria em um show do Legião Urbana.)

Publicado por: Lê Scalia

60 minutos

Um ano tem exatamente 8760 horas. Ou, 8766 horas para os mais precisos (ou metódicos, né Ti?). De qualquer forma, é muita hora. O que torna a ação de hoje à noite, idealizada pela WWF há 3 anos, mais simbólica do que qualquer outra coisa.

Mas o fato de ser simbólico não tira, de forma alguma, os méritos desse ato. Afinal, é só um lembrete para nós: Tipo, Oi, tô aqui Me trate bem, por favor. Ass: Terra. E assim como o Dia Mundial da Água, serve para que nos lembremos todos os dias de cuidar do planeta.

Afinal, é a Hora do Planeta. O que se, pensarmos bem, parece meio mesquinho, né? Tipo, uma hora pro planeta, 8765 pra gente. Mais uma pro planeta, mais 8765 pra nós. Contando esses três anos, temos esse placar até o momento: Planeta 3 x 26.295 Nóis.

Tudo começou em 2007, quando, mais tímida, aconteceu a primeira Hora do Planeta. Uma tentativa de chamar as pessoas para a ação, lembrando alguns dos problemas mundiais – Aquecimento Global! E, na verdade, em 2010, devido ao fuso horário, vários países já tiveram sua horinha.

Sydney

No Brasil, em especial, a WWF escolheu como temas da Hora do Planeta o combate ao desmatamento, a proteção e recuperação de áreas de preservação permanente (matas ciliares e nascentes) e obrigatoriedade de cumprir a metas de

Brasília

redução de gases de efeito estufa e desmatamento.

Hoje, às 20:30, diversas cidades, espalhadas por 120 países, irão demonstrar seu apoio. Dentre elas, 61 cidades brasileiras terão alguns de seus principais monumentos “apagados”. Serão 145 monumento e locais públicos, como o Cristo Redentor (RJ), a Ponte Octavio Frias de Oliveira (SP), o Palácio de Cristal (Curitiba) e o Arco da Praça Portugal (Fortaleza).

Ao redor do mundo vários outros monumentos ficarão no escuro durante esses 60 min. Em Paris, teremos a Torre Eiffel; em Berlim, o Portão de Brandenburgo; em Londres, o Palácio de Buckingham; em Roma, a Fontana de Trevi; no Egito, as Pirâmides.

Paris

Além das cidades, temos muita gente aderindo à Hora do Planeta. E não importa porque alguém adere. Pode ser porque considera um Mega flash mob de “Gato Mia” (via twitter) ou mesmo porque acha cool desligar as luzes do apartamento. Realmente não importa. O importante é que possamos entender de verdade o que significa a Hora do Planeta.

Nos lembrarmos de que somos ‘convidados’ aqui. E que temos sim que cuidar do planeta como se fosse a nossa casa, mesmo que isso soe piegas e tenha cara de papo de publicitário sem vergonha.

O que importa mesmo é cada um fazer a sua parte. Não só hoje, mas todo dia. O importante é entender a mensagem. Não digo pra ninguém fazer sua Hora do Planeta todo dia, mas não custa ter o minuto do planeta. Não custa sair de um lugar e apagar a luz. Não custa cuidar. :]

E lembre-se: que das 20:30 às 21:30, desfaça-se a luz.

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Publicado por: Lê Scalia

WArTER

O Império Romano guerreava em busca de um domínio mais amplo, com aumento de seu poderio e de seus territórios.

A Guerra do Peloponeso, na Grécia, a disputa entre as “irmãs” Atenas e Esparta foi uma disputa de poder, considerando que Atenas ganhava ‘carisma’ e influência, deixando os espartanos com medinho.

A Guerra das Duas Rosas foi uma luta pelo trono inglês.

A Guerra da Secessão foi travada entre os estados do Sul, conservadores e escravocratas, e os do Norte, moderninho e “igualitário”, dos EUA.

A Guerra de Canudos representou uma luta do povo nordestino, sofrido e religioso, contra o exército defensor dos latifundiários e coronéis.

A Guerra da Independência do Brasil foi… bom, deixa pra lá.

A 1ª Guerra Mundial eclodiu, teoricamente, pelo assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro, Franz Ferdinand. Mas tem base no Imperialismo e na rivalidade das nações.

A 2ª Guerra Mundial teve grande incentivo de um alemão louco, que achava ser superior ao resto. E de pessoas mais loucas que ele, que concordavam.

E dizem que a 3ª Guerra Mundial será por causa da água.

Não, eu não acredito nisso. Até porque um conflito armado a essa altura acaba com o planeta antes de sequer piscarmos. (O que vai acontecer é todo mundo obedecer quem tem o poder hahaha #teoriadaconspiração)

Mas falo sobre isso para ilustrar a importância da nossa companheira H2O, já que nessa segunda, dia 22 de março, foi comemorado o “Dia Mundial da Água”. O Brasil é o país que tem em seu território a maior quantidade de água doce no planeta, sendo que concentramos aproximadamente 12% de toda a água doce superficial da Terra.

Temos por aqui, o maior rio em volume e extensão do mundo: sim, sim, nosso famoso Rio Amazonas. E além dele, temos outros ilustres coadjuvantes, como o Rio São Francisco e o Rio Paraná, isso sem contar a chuva susse que cai em mais de 90% do território brasileiro.

E se não bastasse tudo isso, temos o maior aqüífero do mundo: o Guarani. Pois é, como megalomaníacos que somos, esse que temos aqui é o maior manancial de água doce subterrânea adivinhem de onde? do mundo. Dois terços de sua área total fica aqui, bem debaixo de nossos pés (inclusive de nossa querida Frutal-MG).

Isso aí, pensamos. Reservinha mara!

Mas não é bem assim que funciona. Continuamos, como qualquer outro povo, poluindo, aproveitando e desperdiçando. Parece que a gente só dá mesmo valor quando perde, certo? Nesse caso, tenho a impressão de que só iremos realmente valorizar a água e as bênçãos naturais de nosso país quando as coisas atingirem níveis críticos.

Quando a água bater na bunda. Ou, quando não tiver água pra bater na bunda (#infame). Quando passarmos por situações de escassez como a vivida no Oriente Médio ou na África. E me incluo nessa… acho que por mais que tenhamos consciência da necessidade de preservação e de cuidado, nós ignoramos. Fechamos nossos olhos e deixamos pra depois.

Até que chega uma hora que não dá mais pra ignorar: vide Aquecimento Global. Só espero que percebamos logo o quanto é importante o que temos em mãos, o quanto é valioso o que temos em abundância. E para que, assim, mostremos um pouquinho da gratidão que deveríamos ter por um país tão naturalmente abençoado.

(Sério… a gente é ENORME, não estamos em cima de placas tectônicas se encontrando, não temos furacões e nem vulcões, tremor aqui é só reflexo do terremoto do vizinho, rola sol o ano inteiro (Curitiba não entra) e além da diversidade da flora e fauna, temos uma quantidade de água doce, digamos, considerável. Só precisamos nos lembrar de que isso é um privilégio.)

Vale destaque: na 2ª foi comemorado também o “Dia Sem Carne”. Com menos sucesso, eu acredito. #fail ? Haha, não sei dizer.

Sei que a data comemorativa já passou, mas é válido que tenhamos um pouquinho do Dia Mundial da Água todos os dias. Não pretendo pagar de falsa moralista aqui, mas acho que o que pudermos fazer, mesmo que pouco, já vale. Já é a nossa parte.

(Peço desculpas sinceras pelo trocadilho mega infame do título. Eu não resisti.)

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Publicado por: Lê Scalia

Vem aí a Gripe Suína: Reloaded

Começou o Outono, daqui a pouco começa o inverno. Bom, pelo menos no Sul do Brasil não precisamos esperar que o inverno chegue de fato para passarmos bons períodos de frio. Enquanto no verão, o governo fez campanhas de combate contra a Dengue, a pauta do inverno é, como previsto, a gripe suína (também conhecida como nova gripe, gripe A, H1N1 e, em breve, a gripe-que-não-deve-ser-nomeada).

Para este ano, como no ano passado, o principal é ensinar às pessoas meios de se prevenir contra a gripe. Olha só o que a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul fez.

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Publicado por Lu

A música na Propaganda

Ela ajuda o consumidor a memorizar o produto e, talvez até suas qualidades; ela ajuda a chamar a atenção do consumidor para a TV ou para o rádio; ela dá emoção à propaganda, pode dar o tom de humor, enfim, ela marca a propaganda. E consequentemente, o produto. Ou vai dizer que você nunca ficou com um jingle sequer grudado na cabeça? É, foi o que eu pensei.

Mesmo quando a música não é a personagem principal do filme, ela não deixa de ser fundamental para a Publicidade. É sempre fundamental e há comerciais que simplesmente não seriam a mesma coisa sem determinada trilha. Abaixo, coloquei um filme da Orquestra Filarmônica de Westphalia, que divulga o projeto “Muzik im Blut”, ou seja, Música no Sangue. Mas nem precisa dizer isso, é só assistir ao filme:

Se você gosta desse assunto, veja também o vídeo abaixo, uma edição do programa “Reclame”, que fala sobre Publicidade, nesse caso, sobre o uso da música na Publicidade. Cases inesquecíveis.

Publicado por Lu

Mudança

Nunca tinha pensado que mudaria de cidade algum dia na minha vida. Mas, aconteceu. Bem cedo, para falar a verdade. Eu tinha 14 anos. Meu pai foi transferido, não tive muita escolha. Eu era bem novo, é verdade, mas já tinha uma paixão antiga ardendo no meu coração. Se era difícil abandonar a cidade, nem consigo dizer o quanto era difícil deixar para trás o meu amor.

Os primeiros dias na nova cidade foram normais, de acordo com os planos. Solitários. Eu não tinha amigos na escola, nem tinha planos de fazer algum. Claro, eu queria que a mudança de volta fosse fácil. Não tinha nada ali que me fizesse aceitar de bom grado aquela reviravolta na minha vida.

Eu não ligava muito para como ia ser a escola. Ah, vai ter uma lousa, uma carteira para você sentar e um professor falando. Pronto. Nem como eu iria para a escola. Que besteira era aquela? Pego um ônibus, pô. Se ia fazer frio demais, ou calor demais. Quem liga para essas coisas? O que doeu mais foi ligar a TV toda quarta e domingo e ver dois times estranhos jogando. Foi ouvir uma voz estranha narrando. Foi procurar o jogo do meu Curintiá em todas as rádios e acabar acompanhando pela internet.

Isso foi doído. Eu não podia mais ver nem ouvir o meu amor. Noticiário esportivo? Com sorte passavam os melhores momentos. Não ouvia fogos a cada gol, nem ao final de cada partida. Não ouvia o nosso hino tocando na rua, nem as pessoas buzinando em comemoração. Ninguém vestido com a nossa camisa. Como alguém se acostuma a um lugar desses?

Assim foi indo por alguns meses. Tava difícil agüentar aquilo. Pensei em fazer o que qualquer um de coração partido faria. Esquecer. Vou mudar de time, resolvi. É só procurar uma torcida “simpatiquinha” por aqui e começar ir aos jogos. Sim, porque estádio é estádio. Para se apaixonar de verdade não tem remédio melhor.

 Mas não deu para mim. Cada torcida fraca que não dava nem gosto. Começavam a ir embora quando a coisa ficava feia. Dá para acreditar num negócio desses? Torcida fraca a gente até perdoa. Time pequeno, tem pouca gente na cidade, e tal. Mas abandonar o time? De jeito nenhum.

Eu já estava decidido a largar o futebol. Cortar o mal pela raiz mesmo. Mas aí o Coringão marcou um jogo na minha cidade. Coisa rara. Eu me prometi uma despedida, então. E fui. Já era hora de parar com aquele sofrimento todo e encarar a mudança que nem homem.

Era um time mesclado, sem grandes estrelas, é verdade. Mas a entrada daquela camisa em campo é uma coisa que não se consegue explicar. O grito daquela torcida que atravessou o país para estar ali, e não demonstrava sinais de cansaço, era de arrepiar todos os pelo do corpo. O meu grito era de arrepiar o meu corpo.

A partir daquele momento, daquele cumprimento especial do time, é que a minha mudança valeu a pena. Eu nunca veria aquilo, daquele jeito e com aquela emoção, se não tivesse mudado de cidade. Se eu não estivesse com aquela saudade. Se nós não estivéssemos em uma minoria esmagadora que abafasse qualquer som daquele estádio. O jogo me fez ver que não tinha mudado nada. O que mais me importava estava comigo.

Eu vivo meus dias até chegar o próximo jogo, na euforia de que será sempre o melhor jogo da minha vida. Não tenho essa esperança. Tenho a certeza. Agora eu sou da torcida visitante, eu solto os fogos e toco o nosso hino para quem quiser ouvir. Sim, tem corinthiano no Brasil inteiro, graças a Deus. E seja qual for o Corinthians, eu grito toda quarta e domingo. Eu nunca vou te abandonar, porque eu te amo.

Fiel Torcedor.

Acesse WWW.fieltorcedor.com.br e oficialize.

Todo mundo é.

Publicado por Gabi Mateos.

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