Arquivo mensal: junho 2010

10 motivos para pichacear Costa Rica

Hoje completo 6 meses de Costa Rica. Poderia vir aqui e escrever um post todo cheio de saudades, muchas gracias e belas palavras, mas NÃO! Chega de dizer que tá tudo bem, é hora de reclamar deste lugar! Segue a lista de reclamaçõs: 10 motivos para pichacear Costa Rica.

K.O.

1. Cadê o cesto de lixo?
Sem tem algo que me deixa meio p*** aqui é a falta de cesto de lixo altos na frente das casas. Aqui o caminhão de lixo passa duas vezes por semana. Na noite anterior ou no mesmo dia da coleta, cedo, a galera faz montinhos de sacolas com suas porcarias pelas ruas… no chão! Dai antes de chegar o lixeiro, bingo!, chega o cachorro. Resultado: ruas cagadas de basura e hediondas. Uma simples e alta lixeira resolveria isso fácil.

2. Cadê o nome das ruas?
Eu já falei, vou repetir, traga seu mapa e sua bússola para Costa Rica e esqueça tentar enviar cartas. Motivo simples, as ruas não têm nome. Por espanto, tem gente que é contra nomeá-las, afirmam que sua maneira de dar direções faz parte de sua cultura. Enquanto isso, continuo morando a 200m leste e 50m sul do Mall Outlet.

3. Cadê a campainha?
Tem uma guela boa? Sorte sua, porque aqui você vai precisar. A grande parte dos edifícios (que não passam de três andares) não tem interfone. Mas veja o lado positivo: não conheço o vizinho de baixo mas já sei que se chama Pedro.

4. Cadê a pedra pra meter na cabeça do apurador de ônibus
“San Pedro, San Pedro, Ulatina, UCR, ya nos vamos, suban, suban, Mall San Pedro, apúrate, rapidito, todavia hay campo… ”. Aqui na Costa Rica existe uma profissão chamada *oder com a paciência do passageiro. Antes de você entrar no ônibus, existe um louco gritando localidades no ouvido de todo mundo e quase te empurrando para dentro da lata velha. Voz estridente e faltar um dente são pré-requisitos para preencher a vaga. Ah, mentir que ainda sobram lugares também.

5. Cadê os sabores de Miojo?
Nissin Instantâneo pode virar fácil o melhor amigo de alguém que mora sozinho e não foi abençoado com a habilidade rara de cozinhar. Bem, no Brasil sim, mas talvez não aqui na Costa Rica. Afinal, uma coisa é você ter a sua disposição 500 sabores para escolher, mesmo que metade deles pareçam a mesma coisa (Galinha, Galinha Caipira, Frango Cremoso, Galinha com Vegetais, Frango Caipira Cremoso com Vegetais, etc). Outra coisa é você ter três sabores, Carne, Galinha e o nunca compraria, mas a situação me obrigou Camarão. Sem opções, qualquer um enjoa deste nasci para salvar teu jantar fácil.

6. Cadê a cerveja sem gelo?
Aham, aqui seu pedido de cerveja vem acompanhado com um copo de gelo. Até aí tudo bem, vai de cada um mesclar sua birra com pedras d’água. Mas… esse costume faz com que a cerveja nunca esteja gelada nos bares.

7. Cadê o tempo sem chuva?
Esqueça Primavera-Verão, Outono-Inverno. Na Costa Rica Pura Vida você tem duas estações: seca e chuvosa. Na estação seca, tá tudo tuanis (de boa, em tico). Agora, começou a temporada de chuva, cagou com a vida: esqueça ir para praia, esqueça ir visitar vulcão, esqueça ir para o trabalho caminhando e esqueça encontrar ônibus vazio. Compre suas galochas e bem-vindo ao período de chuvas que dura 6 meses.

8. Cadê as boas propagandas locais?
Digamos que a grande parte dos anúncios produzidos na Costa Rica são toscas (em qualquer dos sentidos). As boas decentes propagandas que encontramos por aqui costumam ser destinadas a toda América Central e produzidas em outro país.

9. Cadê a pontualidade e rapidez?
Não, o termo Tico Time não é o nome de um jornalzinho qualquer por aqui. Esta é a expressão que a galera usa para descrever a mania tica (costarricense) de marcar uma reunião às 19h e chegar às 21h. Somente aqui o Fast Food não é fast, o trabalho não começa as 8h em ponto e os jogos de futebol das 21h começam as 21h15 (ok, talvez aqui eu tenha inventado). Mas fica a dica: antes de marcar qualquer coisa, pergunte se o horário é ou não a la tica.

10. Cadê o gerente deste banco?
Chama o gerente porque eu quero reclamar: por que não posso usar o celular dentro do banco? Por que eu não posso acompanhar outra pessoa no caixa (somente uma pessoa pode ser atendida por vez)? Se tudo isso é para prezar a segurança, por que os bancos não possuem porta com detectores de metais? Enfim…

Como diz uma expressão popular muito sem graça, tirando o que tá ruim tá tudo bem. Saudades, muchas gracias e belas palavras para você.

Publicado por Tiago Pizzolo

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Yes, Ke nako!

Oi você que acompanha a Copa do Mundo em todos os detalhes, transmissões, comentários e afins. Ou não. Oi você que já viu pelo menos algum jogo.

Enfim, oi você! Já se perguntou o que aquele molequinho (que me lembra o da propaganda da Coca) grita quando a transmissão vai e volta do intervalo?!

Bem, se você não domina todos os 11 idiomas oficias da África do Sul, estamos aqui para ajudá-lo.

Eu confesso que já tecia teorias, algo do tipo “É a Cooopa”, ou, ainda mais criativo, “Já voltaaaamos”. Pois é. Graças a Deus eu estava errada (momento raro). “Ke nako” significa algo como “Nós podemos” ou o bom e velho “We can” que já se disseminou pelo mundo.

Faz mais sentido, afinal, esse é o slogan dessa Copa. Aproveitando o intensivo Copa-do-Mundo-na-África-do-Sul, Jabulani significa comemorar/celebrar. E, em tempo, a bola do último jogo se chamará Jo’bulani. Uma singela homenagem à cidade de Joanesburgo, ou Joburg pros íntimos.

Aliás, a bola como símbolo é muito interessante. Tudo nela tem um significado x. E se ela tem vontade própria, muda a trajetória, é mais aerodinâmica tudo bem. Isso é com os 11 em campo. Mas alguns dados legais, é que ela tem 11 cores, representando exatamente esses 11 jogadores, as 11 comunidades sul-africanas que estão recebendo o mundo e os 11 idiomas oficias da África do Sul (aqueles que você domina).

Bom, moral da história: espero que o Brasil jabulaneie por último.

(Diz um cara – que não erra nenhuma final de Copa – que vai dar Brasil x Alguém na final. Muito provavelmente a Alemanha. Cai dentro!)

Ke nako, na Copa das Confederações

This is our time to shine, our time to fly, our time to be inside the sky
Our time to soar, our time to saw, the last one in football

Oh Africa…

Akon – Oh, Africa

***Agradecimentos muito especiais para o excelente Maurício Noriega (@NoriNoriega), comentarista da SporTV, que não só esclareceu o que era Ke Nako, como nos fez entender que era isso que o menininho lá gritava. (Junto com o Milton Leite (@MiltonLeiteReal), ele forma minha dupla favorita de transmissão)

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Mais sobre a Jabulani, by FIFA

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Publicado por: Lê Scalia

Os nomes das séries em espanhol

Um dia liguei a televisão e escutei: Hoy, en Anatomía según Grey... Depois de pensar Que porra é essa?, resolvi pesquisar se este povo hispânico tem mania de traduzir nomes de séries para o espanhol.

Igual aos brasileiros, aqui os canais de TV aberta traduzem todo e qualquer título em inglês. E, é claro, quem traduz Grey’s Anatomy, por que não traduziria Two and a Half Man?

Segue algumas traduções de nome de seriados, só a nível de curiosidade:

10. The Vampires Diaries: Crónicas vampíricas.

09. Private Practice: Sin cita previa (Espanha) ou  Addison (México).

08. Ghost Whisperer: Entre Fantasmas (Espanha) ou Almas perdidas

(Hispanoamérica).

07. Gilmore Girls: Las chicas Gilmore.

06. Sex and the City: Sexo en la ciudad (Hispanoamérica) ou Sexo en Nueva York (Espanha).

05. Grey’s Anatomy: Anatomía segun Grey (Costa Rica) ou Anatomía de Grey (demais países).

04. How I met your mother: Cómo conocí a vuestra madre (Espanha) ou Cómo conocí a tu madre (hispanoamérica).

03. True Blood: Sangre Fresca.

02. Samantha Who?: Samantha ¿quién?

01. Two and a Half Men: Dos Hombres y Medio.

Como estragar o bolão alheio

Tenha 4 títulos mundiais, caia em um grupo com Nova Zelândia (oi?), Eslováquia (…) e Paraguai, então, alcance a proeza de conseguir ficar em último lugar. Sim, eu falo da Itália!

Antes que me joguem pedras, eu só estou reclamando porque eu sempre torço pra Itália. É sempre meu segundo país, menos nessa Copa porque eu não queria que ninguém fosse penta além de nós (egoísta, eu sei).

Mas não importa quem ficou pra trás! Começa, em menos de uma hora, o mata-mata! E agora sim a coisa fica boa..! Dizem que na Copa do Mundo, até quando é ruim, é bom. Eu concordo. Mas nas oitavas é tudo melhor ainda! Vários jogos cheio de história, tipo Espanha x Portugal ou Inglaterra x Alemanha.

Vai ter clima de guerra! (Ok, eu não resisti, hahaha).

Mas não poderíamos deixar de postar a nossa previsão feita antes do início da competição. Perceba como não demos os devidos méritos às seleções asiáticas, haha. Também não tinha dado moral pro Uruguai, mas assim, gente… fazia 20 anos que eles não ganhavam na copa.

(E quando apostei na França eu ainda não sabia que o genial técnico francês tinha alguns problemas místicos… do tipo “não convocar jogadores do signo de escorpião”)

De agora pra frente é só chute! Mas vamos que vamos, Brasil.

#Fail, haha.

(E não é que o vidente sul africano que disse que a África do Sul chegaria às semi errou?! #AíSimFomosSurpreendidosNovamente. Eu torci de coração pelos Bafana Bafana, mas não foi suficiente.)

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Publicado porLê Scalia

Ser grosso é a regra

Se eu não tivesse um blog, eu iria blasfemar, reclamar, ficar de mau-humor, me revoltar e irritar todo mundo que convive comigo (e/ou que me segue no twitter). Maaas como eu tenho um blog, eu vou redigir minha revolta.

Sei que já cansamos nossos leitores com esse assunto (Dunga vs. Mundo), mas considero esse um caso especial.

Ok, vamos lá. Ao final do jogo de ontem, quando o Brasil venceu (e, finalmente, convenceu), Dunga estava todo saidinho na coletiva de imprensa. Acusou todo mundo que pediu a saída de Luís Fabiano do time (algo que, sinceramente, eu não vi ninguém fazer. O que aconteceu foi uma crítica à atuação do camisa 9 no 1º jogo. Nada mais justo, ou alguém se atreve a dizer que ele foi bem na última terça?!), e aproveitou pra soltar os cachorros – algo já comum nos belos comentários do nosso genial treinador.

Antes de qualquer outra coisa, temos que ter em mente algo: a Rede Globo de Televisão não é um monstro que diz para você “pule!” e você pula. Acredite. A mídia tem poder? Tem. Consegue influenciar? Sim. Mas agir como se tudo no mundo fosse culpa da imprensa, a malvada imprensa, é um atestado de ignorância. Ignorância no sentido de ignorar algo mesmo. Afinal, você não tem a sua personalidade? Você não toma suas próprias decisões?! Então!

É complicado, eu sei. Muito das realidades que nós conhecemos vem através da mídia – e, às vezes, somente através dela. Um caso (menos profundo) é a cobertura da Copa do Mundo. E, não sejamos ingênuos… a Globo está, sim,  irritada por praticamente não ter acesso e assuntos para manter sua audiência interessada pelo Mundial (e grande parte disso é creditado ao Dunga, que não abre treinos, não deixa ninguém dar entrevista e até proibir que a família dos jogadores fosse para a África do Sul ele proibiu).

Mas o que vimos esses dias é, uma vez mais, a vitória da falta de educação. Deixando de lado todas as outras condutas inaceitáveis de alguém público como o Dunga (coisas como socar a mesa da coletiva, xingar torcedores brasileiros quando o Brasil faz um gol, etc), são inadmissíveis duas coisas que vimos ontem:

1. Ao final do jogo, Dunga em sua “explosão de comemoração” gritou o Drogba e soltou um belo de um “filho da puta!. Oi? Alguém POR FAVOR me explica o que foi o que excelente jogador marfinense fez além de jogar futebol? Porque eu, sinceramente, não vi! (nesse vídeo não dá pra ver direito, mas na programação da SporTV ele já tinha sido mostrado e fica claro. Inclusive, o André Rizek – que eu costumo criticar – foi muito bem e taxou como inaceitável a atitude do técnico)

Isso é baixo! Isso é ridículo! Isso é um absurdo!!! Um treinador que VENCEU xingando o jogador adversário porque ele é bom?! É isso?! Porque ele fez um gol em cima de uma falha do CRAQUE Felipe Melo?! Inadmissível.

2. Dunga abrindo todo seu amplo e belo vocabulário durante a coletiva, ao xingar o global Alex Escobar. Isso tudo em uma entrevista internacional, sendo transmitida para dezenas de países. E eis que a FIFA pode dá um “sacode” nele. Seria bom, viu? Nossa, eu acharia sensacional. Se ele é tão superior assim ao resto, o que será que ele vai dizer? “Ei, FIFA, vtnc você também!”. Claro, seus argumentos básicos.

A Globo se fez de coitadinha na história, disse no Fantástico que só “quer fazer um bom jornalismo”. Mas nada disso dá razão a esse trouxa que se acha o dono do mundo, da verdade, da seleção e dos nossos ouvidos. Ele vive em pé de guerra com a imprensa, sendo que – vale destaque – esse é o papel do jornalismo esportivo! Analisar, criticar, apontar o que parece dar certo ou não. E quando a imprensa diz o que nós estamos querendo dizer, eu me sinto tão ofendida quanto o jornalista que foi xingado.

Outro ponto que merece ser dito: nunca vi nenhum jornalista xingando o treinador. Já o contrário… E é tosco como o Brasil, de repente, passa a tomar as dores de Dunga. E sinto, então, a inversão de valores já debatida nesse blog. Ele tem razão de xingar quem ele quiser, de ser grosso conforme seu interesse, de fazer o Brasil inteiro passar esse papelão? E a reação brasileira: “Cala boca Tadeu Schmidt”. Claro. Faz todo o sentido, afinal, coitadinho do injustiçado Dunga. ¬¬

E digo algo de coração… quando eu vejo esse tipo de coisa, eu tenho raiva. Tenho vontade de torcer para que o Brasil não vença, porque é premiar esse babaca, é deixá-lo ainda mais superior ao mundo. Mas, então, ainda é o Brasil. E eu não consigo. Mas que fique dito: se perdermos, será bom pra deixar o ego desse aí onde ele deve estar. Quem sabe até ensinar um pouco de educação a ele.

Seu estilo chega aos seus maravilhosos jogadores. Ou alguém já esqueceu do bate-boca Felipe Melo x PVC? Tenho a impressão de que o Dunga incentiva essa posição de “todos nos odeiam, vamos mostrar pra todo mundo como somos os melhores!”. Acho que isso é mais especial com o Felipe Melo, o Dunga da vez. Pouco talento, língua afiada e bate fácil. Dizem por aí que nem mesmo a comissão técnica aguenta o treinador. Alguém pode culpá-los?!

Mas que fique bem claro: o Dunga é uma pessoa como qualquer outra. Assim sendo, ele tem seus defeitos e virtudes (ainda não sei quais são, mas deve ter). Ele tem o direito – embora isso seja tosco – de se descontrolar e colocar a boca no mundo. Mas que ninguém se esqueça, Dunga na África do Sul é porta-voz de todo o Brasil. Portanto, colega, comece a agir com a educação que alguém te deu ou então se vira e lembre-se do bom e velho “se não tem nada de importante a dizer, fique calado”.

Porque quando você abre a boca, Dunga, é um país que está falando por você. Então, POR FAVOR, se ser educado está muito longe da sua capacidade, seja ao menos indiferente. (Confesso que eu tenho vergonha quando ele fala alguma coisa. Me dá até saudades das metáforas do nosso presidente.)

Cala a boca, Dunga. Por favor.

Ah, meu Brasil... você já esteve melhor representado.

***Ele já brigou com a ESPN, agora com a Globo. SporTV está no caminho e, em breve, só a Band vai se preocupar em cobrir a Seleção.

Links relacionados:

Dunga x Alex Escobar por um jornalista que estava lá (ESPN)

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Brasil brasileiro?
Ignorance is bliss

Publicado por: Lê Scalia

Agora com cobertura!

Esse post tem a única razão de agradecer o apoio dos amigos queridos e dar alguns resultados da nossa campanha de doação dos cobertores. Era difícil dar uma resposta individual, por isso, postamos aqui.

De casal, 20

Foram 20 cobertores (de casal) comprados. É verdade que tivemos que chorar um pouquinho, mas o parça da loja deu um descontinho pra gente. Bom, no fim das contas, eram 20 cobertores que ele não iria vender (se não desse o desconto), haha. A gente se apoiou nisso.

As cobertas serão repassadas hoje e devem chegar, em breve, à casa de 20 famílias carentes. Um bom timing, considerando que o inverno começou ontem (não que o clima das últimas semanas estivesse com cara de outono). Resumindo, esse post é mais uma satisfação. E ainda mais que isso, é uma forma de agradecer a todo mundo que colaborou. Seja com incentivo financeiro ($$$), seja com apoio, seja com os dois. :]

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100 cobertura

Publicado por: Lê Scalia

Breves e não importantes considerações sobre o Estatuto da Igualdade Racial

O Brasil tem muitos problemas. Como qualquer país emergente. Estamos avançando em muitas áreas, estamos ganhando espaço no cenário político internacional, mas ainda temos grande parte da população vivendo abaixo da linha da pobreza, grande parte da população sofrendo com violência, seja ela física ou moral. O Brasil sofreu consideráveis mudanças desde sua redemocratização, mas ainda somos, infelizmente, um país de marajás.

Bem, devemos lembrar que a nossa democracia é ainda nova, faz 25 anos que saímos que uma ditadura que durou 21. Lula é apenas o 3º presidente eleito democraticamente e, dentre esses três, um deles foi uma grande decepção (não estou contando Itamar Franco, já que ele foi eleito como vice de Fernando Collor e assumiu a presidência após o impeachment). Enfim, vamos direto ao assunto: acho normal que um país na nossa situação ainda tenha muitos problemas sociais a enfrentar, e acho louvável a maneira como o fazemos, apesar de todos os problemas e de todas as decepções políticas. Mas e o Estatuto de Igualdade Racial?

Olha, eu sou da seguinte opinião: a partir do momento que você faz uma lei em favor de determinada parte da população, você está institucionalizando a desigualdade. E foi isso que aconteceu com o sistema de cotas em escolas e universidades. Reservar parte das vagas para alunos de descendência negra não é promover a igualdade racial, é exatamente o contrário, é tornar legal a desigualdade. Mas confesso que é uma situação complicada, obrigar um país a acabar com a desigualdade racial por meio da lei. Isso é trabalho, principalmente, para a Educação, mas aí os resultados só viriam daqui a uma geração. Nenhum político aposta em tão longo prazo.

O Estatuto da Igualdade Racial, que foi aprovado nesta quarta-feira (16) pelo Senado, está há 10 anos tramitando pelo Congresso e só agora está sendo encaminhado para sanção do presidente. É claro que não é o mesmo estatuto de dez anos atrás, mas acho que as alterações só mostram a maturidade das leis. Acho que é um começo.

Pra começar, acabaram com as cotas para negros em universidades, televisão, filmes, partidos políticos e empresas. Além disso, o estatuto prevê a obrigatoriedade do ensino da história da África e reconhece a capoeira como um esporte, prevendo também recursos para sua prática.

Particularmente, achei um avanço. O sistema de cotas é, como já disse, a institucionalização da desigualdade, é o direito de ser racista. O novo estatuto tenta promover a cultura africana, o que, além de fazer muito mais justiça, é muito mais eficiente para uma mudança de mentalidade e de comportamento do brasileiro. Acho que é um ótimo começo.

Leia mais:
Entenda o Estatuto da Igualdade Racial

Tempo ao Tempo

Essa é uma das expressões mais gastas da Língua Portuguesa. Todo mundo diz em algum momento da vida, mas, infelizmente, não é todo mundo que reconhece e a aplica de acordo com o seu verdadeiro valor.

Já algum tempo o SBT começou aquele programa Qual é o Seu Talento? com crianças. Funciona exatamente como com os adultos: elas se inscrevem e mostram o que sabem fazer. Ou o que acham que sabem fazer. Ou o que os pais acham que elas sabem fazer. Ou o que os pais delas querem que elas façam. E isso, em qualquer dessas possibilidades, gera uma série de… Consequências.

Eu, particularmente, me interesso muito por estudos a respeito do desenvolvimento de crianças, o desenvolvimento da criatividade e todos os métodos educacionais que são aplicados a elas durante esses primeiros anos que são os mais importantes. E dentre todas as coisas que eu li a respeito desse assunto, algumas me chamaram especial atenção porque eu vejo elas acontecerem o tempo todo. Algumas são clássicos: os pais projetam as suas frustrações nos filhos e pressionam eles para conseguirem coisas que eles não conseguiram. É normal e a psicologia não vê isso como maldade, mas sim como um processo inconsciente. Outra linha de raciocínio, e que serve para o que eu quero dizer com esse post, começa a ser explicada com o desenvolvimento da tecnologia e, principalmente, com o acesso facilitado que todos temos a ela. Os nossos pais nasceram em contato, no máximo, com a televisão. As crianças, hoje, nascem rodeadas de dispositivos. São celulares, televisores, aparelhos de DVD, vídeos games, palm tops, comandos de voz, babá eletrônica e por aí vai. Com isso, elas desenvolvem propriedades cognitivas diferentes das dos pais. Porque elas tiveram mais acesso, nasceram com isso. É natural elas serem “mais espertas” quanto ao uso de toda essa tecnologia. Elas não são melhores que as crianças que nasceram na década de 50. Não são mais inteligentes. As crianças não são “Super-Crianças”, como os pais delas querem que elas sejam.

Essa “vantagem” que elas mostram no manuseio de aparelhos faz o cérebro delas fazer uma série de conexões que as crianças que nasceram nos anos 50 não faziam, é verdade. Mas isso é normal, dada a circunstancia. Se fosse ao contrário – as crianças dos anos 50 nascendo hoje – o desenvolvimento seria semelhante. Isso quer dizer, mais uma vez, que não existem Super-Crianças. Existem condições de desenvolvimento diferenciadas.

Pior do que os pais acharem que têm Super-Filhos é pressioná-los para que eles sejam ditos, e vistos, assim. Mais uma vez, a psicologia não aponta esse tipo de comportamento como má fé. Muito pelo contrário. “Todos os erros que a gente comete é tentando acertar” – como dizem minha mãe e meu pai.

E não há de fato nada de errado nisso. O errado começa quando aquele primeiro “empurrãozinho” vira um “empurrãozão”, e a criança começa a ser pressionada por muitas outras coisas. Inclusive para ser coisas que ela não é. Como, por exemplo, adulta, que é o que a gente têm visto no Qual é o Seu Talento?, do SBT.

Olha só:

Ela tinha dado uma mine entrevista que está cortada nesse vídeo, mas já dá pra perceber.

Depois teve aja famosa Baby Gaga:

E, finalmente, a revelação de quem ia para a final:

Esse comportamento que a gente assistiu no SBT sábado dia dos namorados é um típico comportamento adulto, com o pequeno detalhe de que elas não são. Se elas fossem, já seria estranho. Mas, como elas são crianças, é ridículo, porque é forçado. A gente percebe uma vontade absurda delas de serem Mini-mulheres. Mas, por quê? A única certeza que eu tenho é que esse não é o comportamento natural de uma criança. Se elas estão preocupadas com esse tipo de coisa agora que elas deveriam estar sujas de lama, qual preocupação elas vão ter quando forem adultas?

Eu sinceramente não sei dizer se elas têm talento mesmo. Devem ter, afinal, os jurados entendem do que eles estão falando. Então, se elas são boas mesmo, porque não esperar? O talento delas não vai fugir. Porque não educá-las primeiro, para elas saberem o que realmente importa na vida? Porque não deixar elas brincarem de boneca, para um dia elas terem saudades disso? Porque não formar meninas que dêem valor para as coisas certas e, principalmente, na hora certa?

Todas as crianças têm um futuro brilhante pela frente. Pela frente. Por isso, tempo ao tempo.

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A Superfreak do Brasil

É muito amor

Querida amiga solteira nesse triste dia 12 lembre-se: poderia ser pior.

Sim, poderia. Sabe aquele velho ditado “antes só do que mal acompanhado”? Perceba como ele pode ser dolorosamente real.

Veja os 10 piores troglogitas namorados do mundo e sinta-se feliz por sua solteirice.

Tenha o pé atrás com americanos, #fikdica. E é isso aí, Feliz Dia dos Namorados!

(E pra ninguém dizer que eu fui preconceituosa, deixo também o outro lado da moeda.)

Só pra constar, pra tristeza geral, esse pedido de casamento dos sonhos na Disney é fake. Um papinho mole, existem vídeos que comprovam isso na internet. Logo, voltamos ao sentimento original, haha: antes só do que mal acompanhado.

Fonte: Não Salvo

Publicado por: Lê Scalia

Sentimento afrobrasileiro

Listen to your god
This is our motto
Your time to shine
Don’t wait in line
Y vamos por todo
People are raising
Their expectations
Go on and feel it
This is your moment
No hesitation

Today’s your day; I feel it
You paved the way, believe it

Shakira - Waka Waka

Zangado

De repente, não mais que de repente, começou a Copa do Mundo de 2010. Ok, sei que não foi tão de repente assim, mas que chegou meio quietinha chegou (acho que isso se relaciona com a falta de ânimo atual do brasileiro e a “Seleção é minha“, by Dunga).

Conversando esses dias com um amigo, a gente discutia que até quando o Brasil vence é chato. Que não dá ânimo nem quando é assim. Logo, já tenho meu segundo time escolhido: Holanda. Acho um time talentoso (mais do que os anteriores) e, mais do que isso, simpático (papel que um dia coube ao nosso Brasil). Mas, de coração, vou torcer mesmo para que a África do Sul faça uma boa campanha.

This time for Africa!

Eu enxergo  na África diversas semelhanças com o Brasil. Acho que nos identificamos com eles e a recíproca é válida. E não falo apenas da integração entre os povos, ou a evidente marca africana na cultura brasileira. Não. Somos alguns dos países com maior desigualdade social (lado a lado na lista, os africanos uma posição acima), desigualdade triste e evidente. Talvez ainda mais clara devido às consequências do apartheid; a divisão lá era principalmente pela cor. Aqui a predominância é pelo nível financeiro mesmo.

A África é ainda mais marginalizada que o Brasil. Hoje, com Lula, atingimos um status respeitável. Economia confiável (na medida do possível), grande potencial de crescimento, boa política com a grande maioria dos países e, de quebra, ainda temos “o cara”.

Talvez essa marginalização explique toda a alegria demonstrada por esse povo tão sofrido em seus “15 minutos de fama”. Não é fácil encontrar uma nação que passou e passa por tantas dificuldades como a África do Sul. Como a África em geral, já que o país está apenas representando o continente. Escravidão (levados como escravos por um país de Colonos. Pode isso?), apartheid, AIDS, pobreza…

Essa é a África. Terra que tem me encantado cada dia mais. E enquanto as outras seleções fazem amistosos com times de verdade enfrentamos países como o talentoso Zimbábue. Um país castigado pelo regime ditatorial e pela extrema pobreza, os zimbabuanos esqueceram tudo isso enquanto ovacionavam a seleção praticamente desconhecida do Brasil.

Thank you, Samba Boys“.

Esse era o cartaz mais visto espalhado pela arquibancada do estádio de Harare. Sim, ‘Obrigado, garotos do samba’. Pelo quê? Só por comparecer, certo (porque futebol bonito que é bom..)?! Isso me deixa com o coração absurdamente apertado. Algo que significa tanto para eles, serem vistos pelo mundo, mesmo que por apenas 90 minutos. A chance de realmente existir. Então, eu engulo todas as minhas críticas contra esse adversário fraco quando vejo esse agradecimento acompanhado de um sorriso.

Além do que, havia a chance de machucar o Josué. Nunca se sabe, né. O mesmo aconteceu com a Tanzânia. Jogo horroroso e futebolzinho medíocre contra uma seleção que havia jogado no dia anterior.  Nada disso realmente importa. Assim que a seleção volta para a confortável concentração na África do Sul, o povo (tanto do Zimbábue quanto da Tanzânia) volta para a realidade, que, provavelmente, não tem a Copa do Mundo como prioridade.

É esse o espírito africano. A alegria acima de todas as dificuldades, incertezas, desigualdades e superações. É rara uma

@#¨&%**#@

imagem em que não haja um africano sempre sorrindo. Bom, é fácil perceber… eu me apaixonei pela África. Sempre ouvi excelentes comentários sobre o continente africano, mas essa Copa e essa aproximação com os sul-africanos fez com que eu me encantasse cada vez mais. Tô adorando tudo. Mas ainda odeio as vuvuzelas. Apesar disso, gosto tanto dos africanos que vou guardar meu rancor pra mim.

No fim das contas, quero muito que o Brasil ganhe. Porque acho que isso fará os anfitriões da Copa felizes (lembra do papo da identificação?!). Mesmo com o futebol meia boca, mesmo com tudo isso. Continuo achando que o futebol brasileiro é visto como algo alegre e “do povo”. Então, que seja. Que joguemos essa Copa também por eles, não só por nós. Ganhar já é outra história, haha.

É basicamente isso. As divagações de alguém que, mesmo longe, se apaixonou pelos sons, cores e sorrisos da África.

***

Algumas razões para torcer por um final feliz (leia chegar às semi, como afirmou um vidente africano que vai acontecer) para a anfitriã da Copa:

  • O ex-técnico dos Bafana Bafana (o mestre do inglês, Joel Santana)
  • O atual técnico dos Bafana Bafana (o tetracampeão Parreira)
  • O verde e amarelo do uniforme (também valeria para a Austrália, mas deixa pra lá)
  • A história de vida (e superação) da África do Sul e do continente africano
  • O povo africano, simplesmente apaixonante

So many wars, settling scores
Bringing us promises, leaving us poor
I heard them say ‘love is the way’
‘Love is the answer,’ that’s what they say

K’naan – Wavin’ Flag

Mas falando da África, de sua história e de seu povo, acho impossível terminar de outro modo que não seja com ele, Mandela.

“It always seems impossible until its done.” / Sempre parece impossível até que seja feito.
Nelson Mandela
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Publicado por: Lê Scalia

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