Na toca do Coelho.

Já aviso: esse é mais um post que entra para a série de “posts cabeça”, como eles ficaram carionhosamente conhecidos. Na verdade, essa foi, com alguns leves retoques, a minha avaliação final apresentada para a disciplina de Comunicação e Tecnologia do curso de Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda da Universidade Federal do Paraná. ahahahahahahahahah Um beijão para a ABNT, que infelizmente não pode estar presente. ahahahahahahahha

Brincadeiras a parte, esse assunto é realmente muito interessante e, principalmente, diz respeito a todos nós. Com vocês, a minha prova:

A Síndrome do Coelho Branco, de Alice do País das Maravilhas, se tornou um diagnóstico coletivo. Um diagnóstico social coletivo. Porque é assim que vivemos: sempre com pressa, sempre procurando conteúdos, sempre recebendo mais informação do que o necessário e sempre achando que não estamos informados o suficiente. Essa é a rotina da nossa Sociedade da Informação. Há um livre acesso a todo e qualquer tipo de conteúdo, mas justamente por conta desta oferta absurdamente maior que a demanda, verificamos um público desnorteado por conta da sua baixa capacidade, fisiologicamente determinada, de absorção. Desde a adesão, pela maioria absoluta da sociedade, das novas tecnologias, é assim que vivemos.

Quando alguns usam a palavra “impacto” para descrever as conseqüências de um estilo de vida ditado pela tecnologia e suas ferramentas, parece que estamos nos referimos a algo que vem de fora. Algo externo à sociedade. Uma força maior, superior, vertical e unilateral. Contudo, nenhum desses significados atribuídos à palavra “impacto” servem para caracterizar esse momento que vivemos em relação à cibercultura. Ela não é algo imposto. Não é obrigatória. E muito menos vem do além. As técnicas que possibilitam esse novo ambiente social não vieram de outro planeta. Elas são, na verdade, “fabricadas e reinterpretadas durante o seu uso pelos homens”, e são fruto da interação entre eles, culturas e sociedades. Essa sensação de “impacto”, de algo que vem de fora, é explicada de uma maneira muito simples: os novos meios estão constantemente se modificando, a uma velocidade quase que imensurável. E, com isso, há uma substituição de tecnologia muito grande. Uma televisão que chegue às lojas hoje já é considerada ultrapassada amanhã. E o mesmo acontece com computadores, telefones celular, DVDs, aparelhos de MP3 – que vão se tornando MP4, MP5, MP6… – e com tudo mais que esteja relacionado à tecnologia. Como não é possível acompanhar todas essas mudanças, ficamos com a sensação, cada vez mais forte, de que todas elas são externas à sociedade. Contudo, quem pesquisa, estuda, desenvolve e aplica o conhecimento para que essa substituição seja cada vez mais rápida? Nós, seres humanos. Então, podemos dizer que as novas tecnologias e esse novo ambiente social, bem como o “estilo de vida” que se usa nele, são criações dos próprios usuários. É algo nosso e feito para nós. A palavra “impacto”, então, eu considero inadequada para caracterizar o efeito da cibercultura no meio social. Mas, não há como negar: vivemos um momento diferente.

Vivemos em um momento não de realidade paralela, mas de realidades complementares entre o mundo real e, esse novo ambiente de socialização de que falei, o mundo virtual, ou realidade virtual. São realidades complementares por fazem parte, as duas, do ser humano, e o que vemos, como bem diz Castells, é a vida online influenciar cada vez mais a off-line. O que, então, ao meu ver, não é um impacto, mas sim uma reestruturação das relações sociais com base em uma série de infinitas possibilidades proporcionadas pelas novas tecnologias. Nós fizemos um lugar novo para ficarmos a um click de distância de uma pessoa que está do outro lado do planeta. Nós fizemos jeitos de todos serem comunicadores – por meio de blogs, sites, twitter,youtube, Orkut, facebook etc. Fizemos, mais do que isso, ferramentas que nos aproximam de conteúdos selecionados por nós mesmos. Nós mudamos as relações de tempo, e ainda estamos nos acostumando com isso.  Nós criamos um novo ambiente, sim, mas ainda estamos nos acostumando a ele, e à relação entre ele e o mundo que já existia.

Eu não considero nenhuma dessas mudanças, reestruturações nossas – de nós mesmos e para nós mesmos – ruins. Nós criamos a vantagem de estarmos interligados e de acompanhar o mundo todo praticamente em tempo real. Passamos a ter acesso a acontecimentos praticamente na mesma hora em que eles acontecem. Para que isso aconteça, basta você estar ligado à rede. E essa velocidade diz respeito também às inovações tecnológicas, e aos meios de convivência proporcionados por elas, e é diretamente proporcional a sua adesão. O que significa que nós aderimos sem nos dar conta. Nós criamos uma conta no twitter sem antes entender como ele funciona. E, como fazemos com o twitter, com o Orkut, com o facebook, etc., fazemos com toda a vida online: nós entramos antes para depois entender como funciona. O que, para mim, significa que nós vamos de fato entender a vida virtual ao longo do uso que fazemos dela.  

Mas, por enquanto, ficamos entre opiniões, suposições e “achismos”. E, até este momento, considero todo esse novo momento um ambiente rico, cheio de possibilidades para que a comunicação se torne cada vez mais efetiva. Vamos ainda continuar correndo, na minha opinião, por muito tempo atrás do coelho branco de Alice no País das Maravilhas. Mas, enquanto estamos nessa corrida, nessa busca incessante por conteúdos, estamos tirando proveito da tecnologia como jamais tiramos. Estamos aprendendo, estamos ensinando e estamos informados de uma maneira que jamais estaríamos se não fosse a tecnologia, arrisco. Isso não pode ser ruim.

Fontes:

A Sociedade em Rede – Manuel Castells.

A Cibercultura – Pierre Lévy.

Mais “posts cabeça”???

Como invejamos a Copa do Mundo.

Breves e não importantes considerações sobre o Estatuto da Igualdade Racial.

Tempo ao tempo.

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Publicado em 07/07/2010, em Cultura, Internet e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 9 Comentários.

  1. Muito bom!
    E bem, eu concordo! Sou contra os apocalípticos e contra as pessoas que falam que “a Internet vai revolucionar o mundo”. Primeiro pq acho que ninguém sabe o que isso significa, e segundo pq eu acho que a revolução, ainda que não saibamos exatamente que tipo de revolução é essa hahahahaha Aliás, eu aprendi na escola que o conceito de Revolução é quando há uma mudança nas classes sociais. Tipo, a Rev. Industrial foi uma revolução pq mudaram as classes sociais… antes eram senhores e escravos e depois passarem a ser burgueses e proletários… enfim, fugi do assunto! uahauhauahuaha

    bom, mas é isso. concordo com o Wolton, devemos parar e pensar a Comunicação… :)

    • ahahahahahah
      Que nem vc falou, Lu… “De médico, louco E comunicador, todo mundo ACHA que tem um pouco.” ahahahhaha
      Eu acho besteira esse negócio de apocalípticos tbm.
      “a Massa”, “a manipulação”, “o controle das classes menos favorecidas”, “o manipulação do público”, e por aí vai… huahhahahua é um saco isso. E, pior, não é verdade.
      Primeiro que ninguém, absolutamente ninguém, faz alguma cosa que não queira. Absolutamente ninguém. Todo mundo sabe que aimparcialidade não existe, né? E eu sinceramente não vejo mal algum nisso. Mas, então, se todo mundo sabe disso, e cada um é dono de suas próprias decisões, onde está a manipulação? E, mais, onde está a revolução, se as coisas acontecem da mesma maneira que acontecem sempre, só que com meios diferentes?
      Que nem vc bem diz, Lu, a gente tem que pensar mais a comunicação para dar um diagnóstico mais… exato.

      Valeu, Lu!

  2. Só para esclarecer, o que estamos fazendo aqui com esse post, e com os próximos, são apenas reflexões. Nenhum de nós tem autoridade para diagnosticar o momento que a comunicação vive, mesmo pq não somos estudiosos, muito menos pesquisadores, da comunicação. Somos estudantes em exercício! =)

  3. ese desenho elindo a dorei ta bjos

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