Comunicação: Ciência ou Teoria da Conspiração?

A Comunicação é algo que está constantemente na vida das pessoas. Talvez isso faça com que as pessoas, todas as pessoas, sintam-se no direito e com autoridade para criticá-la, mesmo que essas críticas sejam meras reproduções do senso comum. Quando alguém diz que a “mídia manipula”, “a mídia aliena”, “a mídia..” blá-blá-blá, eu me pergunto: O que você quer dizer com “mídia”? Porque, veja bem, a “mídia” não é um monstro invisível que corrompe a sociedade, a mídia é feita e alimentada por pessoas da própria sociedade.

Por isso, resolvi colocar no blog algumas das coisas que acho mais importantes sobre a Comunicação, ou pelo menos alguns dos assuntos que estão em pauta na tal da mídia. São apenas as minhas opiniões baseadas em algumas leituras que fiz durante esses três anos e meio estudando Comunicação Social. O objetivo é parar um pouco e pensar. A Comunicação é uma Ciência, e não uma Teoria da Conspiração.

As primeiras teorias que se propuseram a estudar os meios de comunicação surgiram, em geral, no momento em que meios como o rádio e a televisão alcançaram grandes abrangências. Eles ficaram conhecidos como meios de comunicação de massa, por terem essa característica de tornar acessível qualquer tipo de informação.

Até então, tínhamos os jornais e revistas. Mas jornais e revistas não são meios de comunicação de massa porque (1) não possuem uma cobertura nacional e (2) se utilizam da linguagem escrita, que limita o poder de abrangência, principalmente numa época em que os índices de analfabetismo eram muito mais altos do que hoje.

Mas enfim. Os meios de comunicação de massa foram sempre, absurdamente, criticados porque se considerava que o indivíduo era completamente influenciado pelos meios – tipo aquela imagem clássica de alienação em frente à TV. Além disso, condenavam o fato de a mensagem transmitida pela TV ser homogeneizada, ou seja, a mesma para todas as pessoas.

E as primeiras teorias da comunicação realmente legitimavam esse senso comum. As pesquisas eram feitas em laboratórios, onde o indivíduo ficava isolado de tudo e de todos. Logo, os resultados confirmavam a alienação total do coitado.

Mas, ainda bem, as teorias de comunicação não são feitas apenas por bacharéis em Comunicação Social. Nem poderia. Quando se estuda o efeito que os meios podem ter sobre uma sociedade, chame um sociólogo; quando se estuda os efeitos que os meios podem ter no indivíduo, chame um psicólogo; quando se estuda os efeitos que os meios podem ter nas pessoas e entre elas, chame um antropólogo. E por aí vai. A Comunicação é uma ciência interdisciplinar, o que não significa que todo mundo entende do assunto, mas sim que devemos trabalhar com outras ciências.

Então, juntas, a Comunicação, a Sociologia e a Psicologia descobriram que não é possível um indivíduo ser completamente influenciado pelos meios. Mais importante do que a opinião de alguém na TV é a opinião de seus amigos, conhecidos, familiares, etc. Além disso, suas crenças, seu conhecimento prévio, sua cultura, seus costumes… tudo isso influencia muito mais na formação de opinião de alguém.

Sabe-se também que o receptor exerce uma influência muito grande sobre o conteúdo veiculado pelos meios. Ou seja, o receptor não é passivo, ele é ativo e influencia sim a agenda dos meios de comunicação. Ou seja, coitadinho uma ova! Essa história de colocar o espectador na condição de vítima é, no mínimo, ingênua.

E contradiz com o que se pensa da Internet. Ora, a Internet e as novas tecnologias são hoje aclamadas e consideradas uma revolução na Comunicação e na sociedade. A Internet possibilita a democratização da informação, pois as pessoas podem acessar todo tipo de jornal e então construir sua própria opinião. Certo? Não é isso que você pensa também? É isso que você faz? Quantos jornais você lê por dia na Internet?

Pois é, isso é mais uma afirmação do senso comum. A Internet não democratiza a informação; o conteúdo da rede é muito maior que a demanda, e por isso encontramos de tudo – notícia, jogos, sexo, cultura, esporte, etc. A verdade é que a Internet restringiu ainda mais a informação, pois você precisa saber o que procurar, e querer procurá-la, a notícia não vem até você.

E como ficam então os meios de comunicação de massa? Bem, a verdade é que foram eles que possibilitaram a democracia, justamente por levarem a mesma informação para todo mundo, fazendo com que qualquer pessoa tivesse acesso às notícias do país e do mundo. Democratizar a informação é transmiti-la através de um meio de massa, coisa que a Internet não faz.

Aguarde o próximo post sobre os impactos da Internet e das ‘novas tecnologias’.

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Sobre Luiza Rey

Publicitária, rio-pretense, não come coisas verdes, tem medo de ETs e insetos. Artista frustrada (como todo publicitário), seu sonho era ser cantora. Seu segundo sonho era ser escritora, por isso escreve para este blog e tuíta no @luizarey.

Publicado em 08/07/2010, em Internet, Utilidade e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 12 Comentários.

  1. adoooreeii, lu! Especialmente o “coitadinho uma ova!”
    auhauhuhahuahauhauhahuahuuhahuahuahua

    muuuito bom!
    Isso que vc falou de que a família, os amigos, colagas e trabalho etc influenciam muito mais na tomada de decisões que os meios de comunicação é muito verdade!
    São pessoas que nós elegemos como nossos “líderes de opinião”.

    Gente, isso é muito importante saber! O que há de mais moderno em estudos de comunicação, até onde vão os meus conhecimentos, são os Estudos de Recepção, que falam exatamente isso que a Lu falou no post: as pessoas são ativas quanto a recepção da mensagem. Nós recebemos uma mensagem e a interpretamos levando em conta uma série de opiniões, como a desses líderes de opinião, que estão próximas a nós. Quem quiser saber mais: Jesús Matin Barbero (Que foi uma das melhores leituras que eu fiz na Facul).

    Outro ótimo ponto do post: a internet não democratiza nada! Boa bola, Lu!
    Além de a gente ter que ir atrás da notícia, temos ainda q estar equipados com um computador e acesso à internet. Esse ultimo ponto está cada vez mais democratizado, mas ainda falta muito.

    Adorei, lu!
    De verdade!
    Abertura para ótimas reflexões! uahuauhauha
    =)

  2. Brigada, Gabi!!!

    Bem lembrado, os estudos de recepção. Realmente, tb acho que é o que tem de mais recente em estudos de emissor-mensagem-receptor… é uma visão mais moderna, sem aquela visão ultrapassada de mídia manipuladora e receptor passivo. Poderíamos postar sobre isso tb, aproveitando essa linha “teórica” do blog! uahuahauhauhauha

  3. Oi,

    Hehe.

    Então… eu acho que não foi isso que vc quis dizer, mas quero deixar claro que é extremamente necessário criticar a mídia. Claro que fora desse senso comum que a mídia manipula e não sei o que, mas um grande trunfo da internet em relação a isso é justamente a crítica da mídia.

    Os nossos estudos apontam que a mídia não manipula e que o receptor tem controle sobre a informação e tudo mais que você explicou muito bem.

    Maaaaas, é preciso deixar claro que a comunicação (digo principalmente sobre o jornalismo e as empresas de comunicação de massa (oi? hehe)) é realizada por empresas que possuem interesses, contratos, e um monte de coisa que envolve dinheiro e tudo mais.

    Dessa forma, com uma leitura rápida de um site de crítica da mídia, como o Observatório da Imprensa, é possível ver que a mídia (as empresas de comunicação e de jornalismo) manipulam de fato, muitas vezes. A diferença é que elas manipulam informações, e não pessoas.

    Tudo que você explicou muito bem está certo. Só queria colocar esse ponto, também. hehe

    Beijos!

    • uahuahauhaua
      ri do seu “Oi”, Sobota! hehehehe

      então, concordo com tudo o q vc disse! e é importante mesmo fazer essa diferenciação… a mídia manipula informação e até a linguagem… mas não manipula as pessoas! pq, apesar de toda a manipulação, o receptor não é um passivo idiota! uhaauhauha

      vc fez uma ótima observação, Sobota! Eu é que foquei mais no que as pessoas reproduzem sem saber direito do que estão falando. Acho até que teoria da comunicação deveria ser ensinada/discutida no ensino médio! hahahahaha

      Outra coisa que eu acho foda é aquela pessoa que diz que a mídia manipula as pessoas, daí vc pergunta pra ela “a mídia manipula vc?” e ela responde “não, eu não” UAHUAHAUHAUHAUAHUAHAUHAUAHAUHA

    • É verdade. Mas isso entre no que a lu citou em algum dos posts, ou comentários: a gente procurar informção em meios que estejam de acordo com o que a gente quer ler/ouvir, sabe como?
      Estudamos isso em Teoria da Comunicação I e Sociologia, acho que em textos do Mario Wolf.
      O que eu quero dizer com isso é q, na vdd, a gente sabe que os meios exploram notícias de formas diferentes, ou seja, manipulam a versão que apresentam dos fatos, e justamente por isso, sabendo disso, damos preferência a um ou outro meio. Lemos mais para “coletar” argumentos do que para ficarmos informados.

      Eu lembro que quando li esse texto, achei do caraleo.
      ahahahahahhahaha

  4. BOM DIA !

    A internet é realmente um meio de comunicaçao extraordinario, possibilita a procura de quase tudo, o incoviniente, e a falta de um orgao lesgilador para monitor a internet. um outro ponto negativo e que as pessoas ficam mais preguisoças para pensar. ex: um aluno faz um trabalho de fisica, ele baixa o tema em questao coloca algumas bordas no trabalho, nome, etc. e entrega o professor sem nem mesmo ler o tal trabalho. as vezes tambem fica-se horas dias em frente ao conputador para fugir de um problema pessoal ou crise emocional, criando uma valvula de escape pelo uso da internet, um erro que vai custar caro ao individuo pois se enfrentasse o ploblema primeiro e o resolvesse na vida real seria muinto melhor.

  5. Jornais e revistas não são meios de comunicação de massa? Mas eles são capazes de realizar reprodutibilidade técnica e são unidirecionais.
    Não entendi esse ponto.

    • Lya, me parece que você está pegando frases fora do contexto aqui. 4º parágrafo: “Até então, tínhamos os jornais e revistas. Mas jornais e revistas não são meios de comunicação de massa porque (1) não possuem uma cobertura nacional e (2) se utilizam da linguagem escrita, que limita o poder de abrangência, principalmente numa época em que os índices de analfabetismo eram muito mais altos do que hoje.”

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