Arquivo mensal: outubro 2010

Agosto – Rubem Fonseca

Rubem Fonseca nasceu em 1925, em Juiz de Fora (MG). Trabalhou em tudo quanto é tipo de coisa, até largar tudo e ser escritor. Reservado, faz o estilo Dalton Trevisan: não gosta de jornalistas.  Estudou administração e comunicação nos Estados Unidos, deu aula na Fundação Getúlio Vargas (RJ), foi crítico e roteirista de cinema, atualmente é dedicado à literatura. Já ganhou os prêmios Jabuti (nas categorias Conto e Romance) e o prêmio Camões (concedido pelos governos de Brasil e Portugal a escritores lusófonos), entre inúmeros outros. Dentre suas obras mais famosas estão “O Cobrador” (1979), “O Buraco na Parede” (1995) e “Agosto” (1990).

Rubem Fonseca

Agosto é um romance que registra o mês derradeiro da vida de Getúlio Vargas. Chamado de romance histórico, Agosto tem como personagem principal o comissário de polícia Matos (Fonseca ocupou esse cargo na vida real, mais ou menos na época do livro). Matos é policial honesto, correto, de classe média, que tem duas mulheres pegando no pé (uma delas é casada e maluca, mas foi um amor da adolescência), uma úlcera que dói bastante (um retrato preciso do livro é as pastilhas de Pepsamar que o cara fica mastigando o tempo todo), e que passa então a investigar dois crimes naquele agosto de 1954.

A princípio, o atentado a vida do jornalista Carlos Lacerda (pai da imprensa golpista no Brasil) e o assassinato de um magnata em seu próprio apartamento no Rio de Janeiro. A partir daí, o autor cria um misto entre a realidade do primeiro acontecimento, a ficção do segundo, e os bastidores da polícia, da política, e da vida em geral da época, que Fonseca vivenciou. Quem aí não gosta de um detetive, né?

Edições de Bolso me fazem feliz hehe.

Gosto bastante de história, principalmente século XX do Brasil. Gosto bastante de literatura, principalmente da literatura do século XX do Brasil. Conclua.

Agosto também foi adaptado para TV, numa minissérie da TV Globo, em 1993.

Excelente leitura para o fim de domingo.

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Política apartidária

Nesse FDS, o futuro político dos próximos 4 anos será traçado. Por isso, um post especial. Sobre o que eu espero de política futura no nosso país.

Primeiro, alguns esclarecimentos. Eu não sou PSDB, não sou Dilma, não sou PT e nem sou Serra. Não me interesso por receber correntes a favor de um ou de outro. Não acredito em tudo que eu leio ou ouço. E se só cito esses dois partidos, é porque a impressão que dá é que no país só existem esses dois partidos, representantes de “direita” e “esquerda”. Não entrarei nesses méritos de que esquerda é quem se opõe ao governo atual. Até porque, uma lição da nossa breve história continua valendo: No Brasil, nada tão conservador quanto um liberal no poder, e vice-versa.

Minha forma de governo ideal é a Anarquia. Se você acha que eu curto sair pichando aquele A “estilizado” dentro de um círculo, procure conhecer melhor. Acho o Socialismo bonito e utópico; perfeito em sua teoria, impossível na prática. Não defendo nada a não ser minha ideologia. Eu acho que a solução pra todos os problemas brasileiros tem base na educação.

E acho que enquanto não começarem a arrumar isso – que só vai render frutos daqui muito tempo – nada mais será consertado. (E, convenhamos… nenhum político que ver seu trabalho gerar aspectos positivos daqui 30 40, 50 ou 100 anos. Não é no seu mandato. Se pá, não vai nem estar vivo pra ver!)

Acredito que os principais problemas brasileiros podem até ser amenizados, a partir de medidas paliativas, mas isso não os fará sumir. Precisamos sim do assistencialismo na conjuntura atual, mas precisamos que essas pessoas tenham chances de construírem oportunidades para si. E pra isso, só a educação. Por acreditar nisso, votei no Cristovam Buarque nas eleições passadas.

Às vezes, tenho a impressão de que político bom não vai pra frente no Brasil. E isso faz com que eu perca o interesse cada vez mais por esse contexto. Eu sou, basicamente, aquele “alienado político” xingado de ignorante porque se mantém – por opção – fora dos acontecimentos políticos do país. Mas, hoje, me arrisco a falar um pouquinho sobre política. Melhor, sobre o futuro da política.

Por que eu acho que #marina43 é a política da futuro

A Veja  de um tempo atrás (sim, eu comprei a Veja pela capa [branca]..!) dizia que se a Marina tivesse pelo menos 15% nas urnas seria candidata certa pra 2014. Ela teve quase 20. O que, em teoria, a coloca como candidata-com-certeza pras próximas eleições. E eu concordo. Não sei se, daqui 4 anos, ela já estará forte e madura o suficiente pra ser nossa presidente, mas que vai dar trabalho, vai.

Não importa se nesse mandato tivermos PSDB ou PT, eu coloco minha mão no fogo se os gritos por mudança não forem altos. Porque se a Dilma vence, a dita direita anuncia que temos uma ditadura já há 12 anos no poder (e lança Aécio Neves). E se dá Serra, o Lulão volta com tudo. Logo, nossa próxima eleição tem tudo pra ser mais quente.

Mas falemos da Marina que é o motivo do meu post. Eu acredito, de fato, que políticos como ela (raros, é verdade) irão constituir o comando brasileiro dentro de um tempo. Pode demorar, como toda mudança importante, mas vai acontecer. Por que eu acredito nisso? Bom, primeiro porque eu sou otimista. Segundo, porque ela é mulher e mulheres são mais inteligentes está na moda na política. Terceiro, porque esse é o caminho natural.

Os 20% do eleitorado da Marina é constituído quase inteiramente por jovens. Porque as propostas dela tocam mais os jovens e têm mais a ver com eles. E se a geração dos nossos pais lutou pela Democracia, nós lutaremos contra a corrupção. Essa será a bandeira da nossa militância política: contra a corrupção e a favor da sustentabilidade.

Marina Silva, do PV, tem 52 anos. Relativamente nova para a política. Uma adolescente se a comparamos ao colega Plínio Arruda, PSOL, 80. Ainda tem muito a aprender e se aperfeiçoar. Pode melhorar suas propostas e seus planos de governo. Pode adotar um estilo que agrade mais aos olhos, já que a mulherada implora por isso. Não é a aparência dela que define sua competência, mas é importante e inspira confiança para aqueles que compram o político pelo penteado (#CollorFeelings).

Considerando a freqüência do #marina43 nos TT, podemos facilmente ver que a juventude tem um candidato específico. Alguém que, a princípio, mostre um pouco das mudanças que desejamos ver aplicadas no poder. Se cada um tem o governante que merece – e isso é a mais pura verdade – talvez tenhamos um presidente assim dentro de algum tempo. Afinal, os jovens atuais serão o governo, os candidatos e os eleitores de breve.

Já obtivemos progresso com a Lei Ficha Limpa. Já nos revoltamos com a corrupção. Já conseguimos aproximadamente 20 milhões de votos para um candidato que defende a ética, a honestidade e a sustentabilidade. Então, por que não? Até porque, quem tuita hoje, governa amanhã. Ok, apelei. Mas quem tuita hoje, com certeza vota amanhã.

***

E pra quem sair vitorioso nesse domingo, um bom governo. É só o que podemos esperar. Que dentro de 4 anos, não seja tão corriqueiro atacarmos nossos políticos por corrupção e afins. Mas, como eu disse, eu sou uma otimista.

Publicado por: Lê Scalia

Ser feliz é ser quem você é

E, de vez em quando, alguém acerta no uso da interatividade!

De modo semelhante a uma ação planejada para promover Dexter (que mandava sms ameaçadores pras pessoas), podemos agora receber ligações do Dr. Saulo (a.k.a. Fábio Assunção).

Eu sempre fui crítica das propagandas da Nextel. Sempre achei meio chatas e prepotentes. Mas dessa vez mandaram bem! Você pode fazer o casting do seu próprio filme e escalar seus amigos do facebook.

É bem divertido, e, além disso, muito bem feito. Adorei.

É daquelas ações bem boladas que prometem gerar um buzz que valha o investimento. Bom, a gente aqui do blog gostou muito!

E, claro, também estamos fazendo nossos filmes. O meu foi esse: http://bit.ly/bfTuTm.

É isso aí, Nextel. Bem-vinda ao clube de quem usa bem a internet como ferramenta de mkt.

Crie o seu vídeo aqui.

Publicado por: Lê scalia

Uma lição americana

No lo sabía. Pero en Brasil se habla español. Isso mesmo. No Brasil, se fala espanhol, esse idioma tão característico dos países latino-americanos, colonizados por Colombo e seus conterrâneos. Se duvidar, podemos acrescentar também à lista de novidades o fato de a capital brasileira se chamar Buenos Aires e de que, na verdade, o Brasil não é mais do que uma cidade do Chile.

Aprendi essas coisas e muito mais durante um intercâmbio que fiz em uma pequena cidade americana, onde trabalhei por três longos meses em um restaurante que representa talvez o maior ícone do american way of life: McDonald’s.

Apesar de certa dificuldade para compreender o inglês de subúrbio da região, eu trabalhava no caixa, atendendo aos mais gordurosos pedidos e matando a curiosidade daqueles que faziam perguntas despretensiosas sobre a minha nacionalidade.

Ah, você é do Brasil?! ¿Como te llamas? Desculpe, eu não falo espanhol – respondia, destruindo, assim, crenças e valores profundamente arraigados na mente de muitos cidadãos. Tão arraigados que, em um caso especial saí convencida de que no Brasil se fala, na verdade, espanhol.

Não sei dizer o nome deste senhor que me chamou a atenção para o verdadeiro esclarecimento. Mas era já um senhor de idade, negro, cabelos grisalhos, que provavelmente fora um herói da Segunda Guerra Mundial no Japão, como muitos outros que frequentavam o meu caixa. Estes, particularmente, eram muito curiosos quanto ao modo de vida estrangeiro e mantínhamos, frequentemente, um nível interessante de diálogos.

Pois sim, o senhor de quem falava. Era uma tarde fria e ociosa, o que o fez pedir um descafeinado para ajudar a passar o tempo. O café, no entanto, havia acabado, precisei pedir ao senhor que esperasse alguns minutos enquanto passava-se o novo café, e foi aí então que protagonizei um dos melhores diálogos de minha vida.

O senhor perguntou de onde vinha aquele meu sotaque, e quando lhe disse que era do Brasil, ele logo presumiu que eu saberia falar espanhol. Portanto, foi com muito espanto e negação que ele recebeu a informação de que não, eu falava português. Acredito que a minha fala tenha soado a ele como uma blasfêmia, das piores que uma pobre criatura de terceiro mundo como eu poderia dizer. Mas ele, convicto de suas crenças, perguntou, educadamente, se eu tinha absoluta certeza de que no Brasil se fala português.

Ao confirmar a minha resposta anterior, aquele senhor só pode ter pensado que eu estava à beira da loucura. Sim, por que onde já se viu? O Brasil é um país de hispânicos, as pessoas lá falam espanhol! Você tem mesmo certeza do que está falando? Olha, eu acho que você está enganada! Os mais jovens podem até falar português, mas os mais velhos não! Seus pais, seus avós… eles não falam espanhol?

Bem, sim, afinal, eles cresceram ouvindo seus respectivos pais e avós falando espanhol. Uma de minhas bisavós, por exemplo, nunca aprendeu a falar português, essa língua moderna que se fala há tão pouco tempo no Brasil. Eu sou apenas a terceira geração de brasileiros de minha família, como poderia discutir com um velho senhor americano?

E foi então que eu aprendi que no Brasil se fala espanhol.

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Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa não precisa de mim para dizer que foi um dos melhores romancistas da história do universo. A literatura brasileira não precisa de mim para dizer que “Grande Sertão: Veredas” é a composição brasileira mais peculiar que existe. Do mesmo jeito, vou dizer.

 

 

Guimarães Rosa, o próprio.

 

“O senhor deve de ficar prevenido: esse povo diverte por demais com a baboseira, dum traque de jumento formam tufão de ventania.”

Guimarães Rosa e “Grande Sertão: Veredas” são um presente para a cultura do país. Explico. O romance, que conta a história do jagunço Riobaldo pelo sertão do país (norte de Minas Gerais, Goiás, Bahia), é, essencialmente, diferente. Ele é construído a partir de uma conversa, ou um monólogo, do personagem principal, Riobaldo, com um suposto visitante. Facilmente, o leitor se encaixa nesse segundo papel. Ou o autor, mesmo. Bem, basicamente, Riobaldo versa sobre as suas andanças de jagunço e do seu relacionamento com Diadorim, outro personagem do livro que o acompanha por quase toda a história, e também faz uma reflexão bastante longa durante a história, sobre a vida, sobre Deus e sobre o diabo.

“O diabo na rua, no meio do redemunho…”

A beleza da obra (são quase 700 páginas de uma fala apenas. Não há capítulos, atos, nada. É a fala do Riobaldo que tece tudo) é o registro “fotográfico” que o autor traça. Aliás, a outra beleza da obra é a linguagem: aqui sim, sem dúvida, Rosa foi o melhor. Ele reinventou o “português brasileiro”, moldando-o ao retrato fotográfico da região. Com estudo em mais de 20 (sim, vinte!) idiomas, o autor costumava falar que eles apenas serviram para aproximá-lo da sua língua natal. Funcionou.

“Aquilo nem era só mata, era até florestas! Montamos direito, no Olho-d’Água-das-Outras, andamos, e demos com a primeira vereda – dividindo as chapadas -: o flaflo de vento agarrado nos buritis, franzido no gradeal de suas folhas altas; e, sassafrazal – como o da alfazema, um cheiro que refresca; e aguadas que molham sempre. Vento que vem de toda parte. Dando no meu corpo, aquele ar me falou em gritos de liberdade. Mas liberdade – aposto – ainda é só alegria de um pobre caminhozinho, no dentro do ferro de grandes prisões. Tem uma verdade que se carece de aprender, do encoberto, e que ninguém não ensina: o bêco para a liberdade se fazer. Sou um homem ignorante. Mas, me diga o senhor: a vida não é cousa terrível? Lengalenga. Fomos, fomos.”

A Rede Globo fez uma minissérie em 1985 baseada no livro, com Tony Ramos interpretando Riobaldo.

“Otacília, estilo dela, era toda exata, criatura de belezas. Depois lhe conto; tudo tem o tempo. Mas o mal de mim, doendo e vindo, é que eu tive de compesar, numa mão e noutra, amor com amor. Se pode? Vem horas, digo: se um aquele amor veio de Deus, como veio, então – o outro?… Todo tormento. Comigo, as coisas não têm hoje e ant’ôntem amanhã: é sempre. Tormentos. Sei que tenho culpas em aberto. Mas quando foi que minha culpa começou? O senhor por ora mal me entende, se é que no fim me entenderá. Mas a vida não é entendível.”


A primeira vista, “Grande Sertão: Veredas” assusta. Enorme, com aquela linguagem difícil. Mas, com certeza, é um dos ápices da literatura do séc. XX, e daqueles livros para serem relidos várias e várias vezes.

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Um mestre do jornalismo literário – Joseph Mitchell e “O Segredo de Joe Gould”

En passant

As luzes da cidade acesas, clareando a foto sobre a mesa. Seus cantos já amassados, mas tentei me concentrar além do que eu via.  Era como se naquela penumbra, por um acaso do destino, eu fosse encontrar a resposta ali. Como se continuar encarando aquela mesma fotografia fosse dar sentido à tudo.

Eu nunca havia me importado. Ou aprendera a não me importar.

Ela me olhava no fundo dos olhos e eu sentia a obrigação, mais que legal, de fazer alguma coisa. Uma obrigação moral que eu nunca experimentara antes e, doía dizer, provavelmente não experimentaria novamente.

Levantei os olhos devagar e observei o quadro, lotado de anotações sem ligação e mais fotos. Nenhuma delas me causava sequer compaixão. Desde que me tornara detetive, eu havia mudado. Eram, agora, apenas partes de um quebra-cabeça sinistro naquela disputa particular que eu travara com meu ‘inimigo’.

Eu não gostava de chamá-lo assim, mas a mídia cunhara o termo. Pra mim, ele era só um oponente em uma partida de xadrez bem arquitetada. Um erro, um movimento em falso, e xeque-mate. Teria sido assim até o final, mas ela apareceu.

Comecei a sentir o que as pessoas normais – e quando digo ‘normais’ acho que me refiro aos não-profissionais – sentiriam em situações assim. Não era mais o mistério que me movia. Não era o desafio. Nem mesmo a necessidade de fazer justiça.

Era vingança.

Senti o corte ainda aberto em minha bochecha arder. Meu último encontro com “o inimigo” havia provocado aquilo. Fechei os olhos, decidido, tentando dar total liberdade ao meu cérebro. Quem sabe assim, ele talvez pudesse juntar as peças por si só. Ligar aquele vulto ágil a alguém no meio daquela confusão de fatos e falhas.

Repassei, mental e cronologicamente, cada evento, cada dia, cada pista, cada morte. Não fazia sentido. Era como se ele conduzisse meus pensamentos, como se planejasse cada jogada para me deixar com a sensação de que tudo estava sob controle. No entanto, seu rei permanecia sempre seguro. Sempre intocável.

Eu me sentia manipulado e não fazia idéia de como mudar aquela situação. Meu ego, que nunca fora exatamente “bem contido”, parecia prestes a encontrar uma solução sozinho se eu não resolvesse aquilo logo. Geralmente, não me importava com o que as pessoas achavam de mim. Mas isso provavelmente acontecia enquanto eu era admirado. Ou considerado um “babaca genial”. Nunca havia sido feito de bobo. Mas dizem que pra tudo tem a primeira vez.

E, serei sincero, aquela primeira vez estava sendo traumatizante. Não deixaria acontecer novamente. Um barulho insistente vindo de baixo fez com que, irritado, eu abaixasse o olhar e encarasse o chão. Meu relógio de pulso apitava, piscando de modo falho, do outro lado da sala. Nem me lembrava de que ele acabara largado ali, quebrado e jogado num canto.

Ele ganhara o vidro rachado no mesmo dia em que eu ganhara minha nova cicatriz. Minha boca se abriu e eu me ouvi exclamar “Puta que pariu!” quando, finalmente naquele jogo, a vantagem era minha.

***

A partir de hoje, inicia-se um experimento no blog. Essa estória aqui começada será continuada por outro integrante dos Biscoitos, na próxima semana. Palpites, comentários, dúvidas, sugestões ou se alguém (Lailis! haha) quiser participar, serão muito bem-vindos. Espero que se divirtam lendo tanto quanto a gente vai se divertir escrevendo!

En passant.

Publicado por: Lê Scalia

Coca Fashion Cola

Gianfranco Ferrè foi um estilista italiano que mandava muito bem. Um ano depois de formado em arquitetura, começou na moda, na década de 70, com design de acessórios. Poucos anos depois lançou coleções femininas, masculinas e de alta costura que fizeram mais do que sucesso. Tanto, que em 1989 – com 19 anos de carreira na moda – ele se tornou diretor estilístico de ninguém menos que Christian Dior. E daí partiu para o lançamento de sua própria etiqueta – a casa de moda italiana Gianfranco Ferrè – que continua espalhando glamour pelo mundo mesmo depois da morte de seu criador.

Aqui entre nós, gente. Se tem uma coisa que eu sempre achei muito glamourosa é a Coca-Cola light sem gás. Não vou nem comentar a saudades que eu sinto dela, depois de um dia bom, dia ruim, no meio do dia, café da manhã, whatever. Sério. Não vou nem comentar porque eu não quero que vocês sintam a minha dor, que é muito real. MUITO. Enfim. Apesar de terem tirado a minha jóia rara de mim, os italianos da Gianfranco reconheceram o seu valor. E, melhor, vestiram a minha preciosa com toda a sofisticação que ela merece.

Minhas liiiiindas.

O visu será lançado nas próximas semanas nos lugares em que as pessoas ainda tem a honra de poder beber a coquinha light de todos os dias. A edição é limitada.

#euqueeeeeeero

Cinema Vintage

Fiquei pensando em como começar este post, e estava quase começando a bater minha cabeça na parede. Mas achei melhor não. Vai que eu acerto bem a parte que tem encanamento e pioro a minha situação: ainda não saber como começar a escrever um post enquanto a sala é inundada por água, o teto começa a ceder, etc.

Bom, antes de bater minha cabeça pensei em começar do jeito que eu comecei, e partir logo para o ápice do post. Veja os vídeos aí embaixo.

Muito bom, né? No começo quase dá pra acreditar que Indiana Jones é uma refilmagem. Eu gostei muito, o cara teve uma idéia legal, e mandou bem na realização da empreitada. E tem mais uns no canal do youtube do criador. Dá uma olhada lá também.

Bom, é isso. Post rápido. Ah, e já imaginou um Tropa de Elite premake?

Conselhos

Porque todo mundo precisa deles um dia.  

“Dizem que conselho só se dá a quem pede. E, se vocês me convidaram para paraninfo, estou tentado a acreditar que tenho sua licença para dar alguns. Portanto, apesar da minha pouca autoridade para dar conselhos a quem quer que seja, aqui vão alguns, que julgo valiosos. Não paute sua vida, nem sua carreira, pelo dinheiro. Ame seu ofício com todo o coração. Persiga fazer o melhor. Seja fascinado pelo realizar, que o dinheiro virá como conseqüência. Quem pensa só em dinheiro não consegue sequer ser um grande bandido, nem um grande canalha.

Napoleão não invadiu a Europa por dinheiro. Hitler não matou 6 milhões de judeus por dinheiro. Michelangelo não passou 16 anos pintando a Capela Sistina por dinheiro. E, geralmente, os que só pensam nele não o ganham porque são incapazes de sonhar. E tudo que fica pronto na vida foi construído antes, na alma. A propósito disso, lembro-me de uma passagem extraordinária, que descreve o diálogo entre uma freira americana cuidando de leprosos no Pacífico e um milionário texano. O milionário, vendo-a tratar daqueles leprosos, disse:

- Freira, eu não faria isso por dinheiro nenhum no mundo.

E ela responde:

- Eu também não, meu filho.

Não estou fazendo com isso nenhuma apologia à pobreza, muito pelo contrário. Digo apenas que pensar em realizar tem trazido mais fortuna do que pensar em fortuna.

Meu segundo conselho: pense no seu País. Porque, principalmente hoje, pensar em todos é a melhor maneira de pensar em si. Afinal é difícil viver numa nação onde a maioria morre de fome e a minoria morre de medo. O caos político gera uma queda de padrão de vida generalizada. Os pobres vivem como bichos, e uma elite brega, sem cultura e sem refinamento, não chega a viver como homens. Roubam, mas vivem uma vida digna de Odorico Paraguassu. Que era ficção, mas hoje é realidade, na pessoa de Geraldo Bulhões, Denilma e Rosângela, sua concubina. Meu terceiro conselho vem diretamente da Bíblia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É exatamente isso que está escrito na carta de Laudiceia: seja quente ou seja frio, não seja morno que eu te vomito. É preferível o erro à omissão. O fracasso, ao tédio. O escândalo, ao vazio. Porque já vi grandes livros e filmes sobre a tristeza, a tragédia, o fracasso. Mas ninguém narra o ócio, a acomodação, o não fazer, o remanso. Colabore com seu biógrafo. Faça, erre, tente, falhe, lute. Mas, por favor, não jogue fora, se acomodando, a extraordinária oportunidade de ter vivido. Tendo consciência de que, cada homem foi feito para fazer história. Que todo homem é um milagre e traz em si uma revolução. Que é mais do que sexo ou dinheiro. Você foi criado, para construir pirâmides e versos, descobrir continentes e mundos, e caminhar sempre, com um saco de interrogações na mão e uma caixa de possibilidades na outra.

Não use Rider, não dê férias a seus pés. Não se sente e passe a ser analista da vida alheia, espectador do mundo, comentarista do cotidiano, dessas pessoas que vivem a dizer: “eu não disse!”;, “eu sabia!” Toda família tem um tio batalhador e bem de vida. E, durante o almoço de domingo, tem que agüentar aquele outro tio muito inteligente e fracassado contar tudo que ele faria, se fizesse alguma coisa. Chega dos poetas não publicados! Empresários de mesa de bar. Pessoas que fazem coisas fantásticas toda sexta de noite, todo sábado e domingo, mas que na segunda não sabem concretizar o que falam. Porque não sabem ansiar, não sabem perder a pose, porque não sabem recomeçar. Porque não sabem trabalhar. Eu digo: trabalhem, trabalhem, trabalhem. De 8 às 12, de 12 às 8 e mais se for preciso. Trabalho não mata. Ocupa o tempo. Evita o ócio, que é a morada do demônio, e constrói prodígios. O Brasil, este país de malandros e espertos, dá vantagem em tudo, tem muito que aprender com aqueles trouxas dos japoneses. Porque aqueles trouxas japoneses que trabalham de sol a sol construíram, em menos de 50 anos, a 2ª maior megapotência do planeta. Enquanto nós, os espertos, construímos uma das maiores impotências do trabalho.

Trabalhe! Muitos de seus colegas dirão que você está perdendo sua vida, porque você vai trabalhar enquanto eles veraneiam. Porque você vai trabalhar, enquanto eles vão ao mesmo bar da semana anterior, conversar as mesmas conversas, mas o tempo, que é mesmo o senhor da razão, vai bendizer o fruto do seu esforço, e só o trabalho lhe leva a conhecer pessoas e mundos que os acomodados não conhecerão. E isso se chama sucesso.” – Nizan Guanaes

Todo mundo precisa dessa paixão também. Porque não tem nada mais prazeroso do que chegar ao final da semana cansada, exausta, de trabalho. Nada mais excitante do que não saber se você vai conseguir resolver um  briefing. Nada mais legal do que ficar até tarde na agência, ou  ver o resultado de um trabalho que você fez com toda a paixão que tem por aquilo.

Essee é o tipo de conselho que da vontade de fazer mais e melhor. Pelo menos em mim, deu.

Oakley, o resgate dos mineiros e o Marketing 3.0

O blá blá blá todo a gente já conhece. 33 mineiros ficaram mais 2 meses presos há mais de 700 metros abaixo do solo em uma mina soterrada. O resgate foi imprescindível na história da mineração. Ok, se não fosse a mídia, quem sabe esses mineiros não teriam todos morrido lá embaixo? Enfim, isso é assunto pra quem gosta de polêmica.

A questão deste post é: como uma marca conseguiu aproveitar uma situação tão dramática como essa para realizar uma – genial – jogada de marketing? E como esta jogada está em conformidade com as últimas tendências do marketing atual?

Bom, dois meses soterrados, sem ver a luz do sol. Os médicos alertaram para o dano que os raios solares poderiam causar à retina dos mineiros no momento em que eles fossem resgatados. Assim, a Oakley, fabricante de óculos, fez uma doação de óculos que bloqueiam 100% dos raios solares. Os óculos da linha Radar custariam aproximadamente 200 dólares, cada um, no mercado.

Boa intenção ou oportunismo? Segundo uma enquete do Huffington Post, 58% das pessoas acham que a doação “foi bem intencionada, mas também bem planejada”, enquanto 30% classificaram a atitude como “louvável”. Somente 11,3% acharam que se tratou de uma ação “desprezível”.

Acho demaaaaais teorias da conspiração. Ok, é óbvio que o interesse maior foi comercial. Mas não, não acredito que exista alguém no mundo que não tenha se sensibilizado com a situação dos mineiros. Eu deixo aqui meus parabéns à pessoa que teve essa ideia genial.

G-E-N-I-A-L. Uma pesquisa feita pela Front Row Analytics concluiu que a marca teve uma exposição gratuita na mídia, que teria custado a ela 41 milhões de dólares.

Além disso, tem uma outra coisinha que eu queria falar. Essa jogada de marketing da Oakley é um belo exemplo de aplicação do Marketing 3.0. Breve explicação:

O marketing tradicional (Marketing 1.0) era centrado no produto, o consumidor não escolhia nada, a comunicação era feita pelas mídias de massa. Depois, surgiu o Marketing 2.0, orientado para o consumidor e amparado pelas novas tecnologias, internet, redes sociais, whatever. Agora, nós vemos surgir mais uma etapa dessa evolução do marketing: é o que Philip Kotler chama de Marketing 3.0, uma era voltada para os valores.

em vez de tratar as pessoas simplesmente como consumidoras, os profissionais de marketing as tratam como seres humanos plenos: com mente, coração e espírito; consumidores buscam não apenas satisfação funcional e emocional, mas também satisfação espiritual, nos produtos e serviços que escolhem. (KOTLER, Philip. Marketing 3.0).

Então, comparando: no Marketing 1.0, as empresas ofereciam um produto; no Marketing 2.0, elas ofereciam um estilo de vida. Com o Marketing 3.0, as empresas estão oferecendo um mundo melhor. O que está mais em pauta é, obviamente, o meio ambiente e a sustentabilidade. Mas de agora em diante, as marcas passarão a oferecer, cada vez mais, soluções para uma vida melhor. E isso não é jogada pra enganar o consumidor não. O consumidor não pode mais ser enganado. A Internet está aí pra provar isso.

E a ação da Oakley está aí para provar que o Marketing 3.0 é mesmo o marketing emergente.

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