Amanhã é dia de…

Não tem jeito. Eu até procurei alguma outra coisa para postar, discutir, ou mesmo linkar aqui. Maaaaas, o tema do fim de semana é, sem dúvida, as eleições de amanhã. Nesse domingo, aproximadamente 130 milhões de pessoas irão até as urnas exercer o direito da votação. Vamos, então, a algumas considerações.

Votar é um direito conquistado por meio de uma luta enorme. Exerça esse direito.

Eu considero contraditório as pessoas reclamarem de o voto ser obrigatório no Brasil. Primeiro, porque essa é uma frase meio forçada. O voto não é obrigatório, o que é obrigatório é a quitação com a justiça eleitoral. Basicamente, basta alegar que está em outra cidade no dia da votação e pronto. Seu voto não é mais obrigatório. Além disso, 21 anos de regime ditatorial arduamente combatidos não podem ter passado sem ensinar nada aos eleitores do país. O direito de votar é uma conquista. Exerça-o.

Uma história que também me fez refletir um pouco foi a que o Carlos Heitor Cony (que inclusive estará aqui em Curitiba na próxima semana participando da Bienal do Livro do Paraná) contou em sua coluna nesta terça-feira, se não me engano, na Folha de S. Paulo. Como o conteúdo online é bloqueado, vou contar com as minhas palavras.

Pois bem, disse Cony que um belo um político brasileiro de longa data viajou a Suécia (agora fiquei em dúvida se era Suécia ou Suíça, mas vamos considerar a primeira). Chegando lá, se hospedou num hotel, e no dia seguinte, pediu os jornais do dia para ler. Depois de ler, se vestiu e saiu às ruas, acompanhado de um assessor sueco. O político brasileiro olhava para as ruas com desconfiança e estranheza, e o assessor perguntou: “Senhor, algo errado?”. O brasileiro respondeu: “Sim, algo errado. Li nos jornais de hoje que hoje é dia de eleições… O que aconteceu?”. O sueco: “Sim, hoje é dia de eleições e elas estão ocorrendo normalmente, senhor”. O companheiro americano perguntou, indignado: “Mas onde estão as filas, os tumultos nas seções, a sujeira, o barulho?”. O sueco respondeu: “Não, aqui não há filas. Em cada quarteirão é instalada uma urna, e as pessoas se deslocam até ela durante o dia para depositar o voto. No final do dia, as urnas são recolhidas e os votos contados”. Cético, o brasileiro perguntou: “Isso quer dizer que se alguém quiser, pode roubar a urna, ou ainda depositar muitos votos para o seu candidato e manipular o resultado?”. Foi a vez do sueco ficar surpreso: “Mas senhor, quem faria uma coisa dessas?”

Para terminar, comento a análise do decano jornalista Alberto Dines, no Observatório da Imprensa, sobre o último debate entre os presidenciáveis (Outra oportunidade perdida, clique aqui para acessá-lo). “Mais um debatóide – debate de mentirinha. O quinto e último encontro televisivo dos presidenciáveis, além de frustrante, foi enganoso”. Mantendo esse tom, Dines crava: os principais personagens dessa eleição foram o Presidente da República e os veículos de comunicação. Nenhum dos dois concorre a cargo algum. Ele está certo. O debate de ideias, planos e projetos foi relegado ao segundo plano, se é que foram. A democracia brasileira, ainda adolescente, parece não ter aprendido a equilibrar o processo eleitoral.

E você, já escolheu os seus candidatos? Eu já. Ainda dá tempo de pesquisar o passado e analisar as propostas dos candidatos caso a dúvida ainda esteja presente. O voto consciente é das principais armas que o cidadão brasileiro possui para construir um país cada dia mais justo, menos desigual, enfim, um país melhor. Tenho certeza que todos queremos isso.

Posts relacionados:

Ah, essa época de eleições…

Descoladíssimos

Está dada a largada

Links Relacionados

TSE – Eleições 2010

About these ads

Publicado em 02/10/2010, em Atualidades, Política e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 8 Comentários.

  1. Sooobs, to indo justificar meu voto aqui e lembrei algo… você não pode simplesmente ALEGAR que está em outra cidade, hahahaha você TEM que estar em outra cidade porque tem que ir lá justificar, debaixo de muita chuva e frio hahahaha.

  2. Mas, mas, mas… nosso país não está mais justo nem menos desigual…nem parece que vai ficar… e já faz praticamente 25 anos que esse sistema eleitorial está aí… =(

    E, vamos combinar que “O direito de votar é uma conquista” tb é uma frase bem forçada, vai?

    • Desculpa, Jéssica, mas vc tá totalmente equivocada.

      Vou usar o mesmo exemplo que usei no post. A Suécia, hoje país com um dos melhores IDHs do mundo, no início do sec XX era um dos países europeus mais atrasados. A industrialização era incipiente, ao contrário dos vizinhos, e com isso todo o desenvolvimento social do país ficou estagnado.

      Mais de cinquenta anos (meio século… meio século!) de social-democracia baseada em distribuição de renda levaram a Suécia ao posto de uma das nações mais desenvolvidas do mundo.

      O Brasil, por sua vez, passou por um processo de estagnação na metade do sec XX. Estagnação política e especialmente social. A ditadura militar foi um desastre aqui, e manchou todo o processo político que tinha sido desenvolvido no início do sec, aqui. Durante os 21 anos do governo dos milicos, as pessoas que moravam no Brasil não tinham direito de voto (a presidente, na maioria das vezes). O Congresso, subjulgado, era fachada. Judiciário inexpressivo. Ministério Público praticamente não existia.

      Hoje não se tem ideia, ainda, do que a ditadura causou de verdade no país. A parcela da direita radical que ainda parece ter espaço no cenário político não quer deixar o Estado abrir os arquivos da ditadura.

      Viver nessa condição, para mim e para a minha visão, seria inaceitável.

      Tanto foi, que nos anos 1980 foi organizada a maior campanha social que o Brasil já viu: as Diretas-Já. Eu não vivi essa época, suponho que pela foto, nem você. Pergunte para quem acreditava naquela causa, pra quem lutou e organizou passeatas que levaram mais de três milhões de pessoas às ruas do Brasil se o VOTO, que hoje exercemos, não foi uma conquista.

      Sem dúvida alguma, ele é. Falar isso não me parece nem um pouco forçado.

  3. Então, Guilherme. Não dá pra comparar a Suécia com o Brasil. Como falei lá no outro post… por vários motivos que os fazem completamente diferentes. Então, acho que a distribuição de renda é algo excelente, que pode ser mais do que meio caminho andando, com certeza! Mas vc tem visto isso REALMENTE acontecer no Brasil???

    E quanto às Diretas Já… bom, na época o voto foi mesmo uma conquista! Mas ele perdeu seu poder, sua essência… Então quando vejo campanhas dizendo que o voto é uma conquista parece que estão forçando a barra, entende. Tentando usar coerção para que a gente continue votando, perpetuando esse sistema falido, no qual muita gente está convenientemente interessada. E não são pessoas como você, realmente interessadas num país mais justo, se é que me entende.

    Bom, não vivi no tempo das Diretas Já, os fatos mais distantes de que me recordo é do Impeachment do Collor e da morte do Ulysses Guimarães… =) Mas acho que eu você temos as mesmas intenções, aspirações e anseios. Só que acreditamos em meios diferentes de alcançá-los!

    =)

    • Querida Jéssica,
      acredito que os seucos/suiços também não aceitavam qualquer tipo de comparação com países que oferececem exemplos melhores. Mas, veja só onde eles chegaram. E isso obviamente foi uma conquista, e obviamente levou algum tempo para conseguí-la. Posso estar sendo um pouco sonhadora demais, mas, para mim, o primeiro passo para conquistar uma mudança é acreditar nela. Eu acredito.

      E acredito também que pelo menos de uns 8 anos para cá o Brasil tem estado na direção certa. O Brasil é um dos paises que mais cresce no mundo. Um dos preferidos, no mundo, para receber investimento externo – tanto que no começo desta semana foram consideravelmente dobrados os impostos em cima do dólar para entrar aqui no Brasil. Pq, se entrar dolar demais, cai o preço dele muito rapido e o baque na economia – principalmente nas importações e exportações – acaba sendo muito forte.
      Há 8 anos, 10, 15, 500 anos atrás, alguém ousaria sonhar com o Brasil desse jeito, na calçada da fama? Acho que não. Mas, veja só. Aconteceu. Está acontecendo.

      Sobre a distribuição de renda, eu também não tenho vista ela acontecer. E sabe o por quê? Porque eu não estou próxima das pessoas que foram beneficiadas por ela. Eu não conheço ninguém que recebeu o Bolsa Família. Eu não recebi o Bolsa Familia. pq? Pq eu não passo fome. E não vejo quem passa porque da janela do meu apartamento não dá para ver essas coisas. Agora, quando a gente lê em um jornal que as porcentagem de pessoas que estavam abaixo da linha da pobreza – pessoas miseráveis – diminui de 12 para 4,8% é porque alguma coisa aconteceu. Alguma coisa “REALMENTE” aconteceu. E isso no Brasil.
      Quem diria, né?

  4. geeeeeeeeeeeente! tô BEGE com a história da Suécia/Suíça… hahahahhahaahaha! que sociedade evoluída né… mas eu tenho certeza de que um dia nós seremos assim tb! =)

  1. Pingback: Os políticos que nós merecemos « Biscoitos Sortidos

  2. Pingback: Você suja minha cidade, eu sujo sua cara « Biscoitos Sortidos

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 1.403 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: