Arquivo mensal: novembro 2010

Harry Potter e as Relíquias da Morte, pt. 1

Harry Potter e as Relíquias da Morte, pt. 1 (Harry Potter and the Deathly Hallows)

(Este post contém SPOILERS)

Sempre que eu vejo um novo Harry Potter, eu fico intrigada de quão fantástico tudo fica. Aí vejo pessoas que são fãs dos filmes, mas que nunca leram os livros. E fico decepcionada. Não porque uma pessoa só tem o direito de ser fã caso tenha lido o livro. Não mesmo.

Mas porque os filmes são legais, eles materializam tudo que imaginamos ao ler, mas como quase toda obra literária que é adaptada para o Cinema, Harry Potter em páginas é infinitamente melhor. Pra quem pôde ler os livros tem muito mais por trás de cada cena. Significa muito mais.

Um jeito de exemplificar isso? Os 7 Potters. Esse é um dos meus capítulos favoritos em “Relíquias da Morte”. No cinema, a cena de fato é bem legal. Gravada de um jeito diferente, ainda conta com a vantagem de ser uma imagem muito interessante de ser filmada. 7 Radcliffes. Mas o tom acaba se tornando um pouco mais divertido, mais leve, talvez – pelo menos até a batalha com os Comensais começar.

No livro, o momento em que Harry se dá conta de que todos ali, seus melhores amigos, estão dispostos a morrer por ele, é algo muito emocionante. O momento em que você, que está lendo, que conhece aqueles personagens há tanto tempo, percebe o quanto as coisas mudaram, o quanto cada um está disposto a se sacrificar só para que o Harry fique segura a fim de cumprir uma profecia, é… genial.

Assim como o fim de “Enigma do Príncipe”, quando Dumbledore morre enquanto Harry assiste. Essa é uma das minhas cenas favoritas em todos os livros. Um pouquinho diferente do que foi filmado, Dumbledore prende Harry, deixando sem voz e sem ação para que ele não pudesse reagir. Sabendo exatamente que o garoto assistiria sua morte sem poder fazer nada, só para protegê-lo. E, sério, isso é sublime. É um dos momentos mais doces e fantásticos de Harry Potter.

Então, quando eu vejo os filmes e adoro cada segundo, eu me lembro dos livros. De cada detalhe, de cada comentário. Assim, é difícil acrescentar nos filmes algo que seja bem recebido pelos fãs (fiéis, chatos ou mais liberais) dos livros. Por isso, dou méritos para David Yates em uma das cenas que eu achei muito bem cabível no universo Potter. A “dancinha” entre Harry e Hermione.

Começa meio desajeitada, Daniel Radcliffe mostra que realmente dançar não é seu forte – ele costuma dizer isso nas entrevistas – e,  de repente, aquilo que começou meio sem jeito se torna extremamente doce. A música cabe muito bem, e é uma surpresa muito bem-vinda. Principalmente em meio ao clima de tensão que toma conta dos personagens, da narrativa e também dos espectadores.

A fotografia é sensacional, não preciso repetir. E acredito que David Yates leva grande parte do mérito pela atuação do trio, que segura o filme. Por nunca ter feito ‘nada’, o diretor inglês é muito criticado. Mas gosto do tom de realidade que ele passa para os filmes, resquícios de seu passado de documentários.

Além disso, Emma, Daniel e Rupert sempre indicaram-no como excelente de se trabalhar, e acho que isso foi importante para tirar o melhor deles. Confiança no seu trabalho gera melhores resultados e, nesse caso, bom para nós, que fomos brindados com ótimas atuações dos 3. Fica difícil escolher qual deles está melhor… eu tenho uma queda pela Emma Watson, sempre achei ela boa. Mas ver o Rupert Grint equilibrar o humor e o drama, olhos estreitos de ciúmes, também foi sensacional. E, bom, o Daniel foi o Harry. Sem mais.

Aliás, acho válido dizer. Emma Watson, Rupert Grint e Daniel Radcliffe foram exatamente Hermione Granger, Ron Weasley e Harry Potter. Sem retoques.

Quanto ao elenco de apoio, acho que não preciso comentar. É basicamente um balaio dos melhores atores ingleses da atualidade (embora ainda me entristeça o fato de Colin Firth ter sido deixado de fora). Alan Rickman (Snape), Peter Mullan (Yaxley), Ralph Fiennes (Voldie), Rhys Ifans (X. Lovegood), Jason Isaacs (Malfoy pai), Helena Bonham-Carter (Bellatrix) e companhia são um deleite.

O filme é mesmo “incompleto”. Mas isso é meio óbvio. Afinal, é uma história que está intimamente ligada à anterior (HP 6) e que não termina. Ainda assim, é impressionante. Cada detalhe na superprodução que é Harry Potter, continua a me impressionar. E a animação para explicar a origem das Relíquias da Morte? Fantástica.

Merece destaque: a sequência do Ministério. David O’Hara (Harry/Albert Runcorn), Sophie Thompson (Hermione/Mafalda Hopkirk) [irmã da Emma Thompson] e Steffan Rhodri (Ron/Roger Cattermole) estão muito bem. É muito divertido vê-los com os trejeitos e expressões do trio. Outro que se tornou o xodó do filme foi Dobby. Nos filmes, o elfo só havia aparecido em “A Câmara Secreta”, mas foi muito bem resgatado. E com a simpatia que desenvolveu na sequência de livros.

O começo do filme também foi magistralmente bem montado. O sacrifício de cada um, em especial quando Hermione apaga a memória de seus pais, já dá uma prévia de que eles cresceram. De que foram obrigados a crescer. Só poderia ter mostrado um pouquinho mais a despedida do Harry e dos tios, em especial o “perdão” entre Harry e o primo.

Outro momento impactante foi a Mansão Malfoy. Confesso que, pra mim, essa cena é muito mais forte no livro. É uma situação que você para e diz: “E agora?”. E achei a tortura da Hermione um pouquinho leve, mas méritos para o silêncio cortado pelo “nhec nhec” do Dobby desatarrachando o lustre. Muito bom. Mas, até por isso, acho menos sombrio e tenso do que de fato é.

Por fim, Harry Potter nunca foi tão nazista. A propaganda contra os trouxas, a elevação do puro-sangue, a perseguição, o medo, o uniforme dos guardas do Ministério (com a faixa vermelha), é tudo muito #nazismofeelings. Nunca, nas telas, essa relação foi tão clara. Até as listas dos “duvidosos” e a necessidade de provar a ascendência. Para que ficasse mais claro, só se Voldemort tivesse um bigodinho (e um nariz).

O “bruxinho” cresceu.  A censura foi bem colocada, afinal, até mesmo a cena de início, quando a professora trouxa de Hogwarts é morta, já é pesada. E o “pega fantasma” entre Harry e Hermione não é nada sutil. Pessoalmente, acho que esse filme é o que mais atingiu a maturidade do livro. E esse, talvez, seja o maior elogio que eu posso fazer ao filme.

To be continued...

***

Não pretendi fazer aqui uma crítica de Harry Potter somente como filme. Porque isso você pode ler em muitos outros lugares, e muito melhor do que eu faria. Por isso, a crítica aqui foi mais uma reflexão do que eu senti assistindo ao filme.

Publicado por: Lê Scalia

Patrocinando a Criatividade

Você já teve a idéia de criar um produto novo que do dia para a noite poderia se tornar a nova tendência mundial? Ou, com um pouco de modéstia, pelo menos uma tendência para determinado grupo de consumidores? Ou já teve a idéia de produzir um filme inovador, com roteiro daquele seu amigo doido e um bando de outros amigos doidos pra te ajudar? Bom, para que essas idéias realmente se tornem realidade, sem ter a tag trash adicionada, você irá precisar de dinheiro.

Mas, meu amigo, como que você arranja uma grana para tirar idéias como essas do papel?

Bom, eu tava navegando em algum lugar da internet, não lembro agora, e encontrei o site que teve a idéia de fazer outras idéias saírem do papel. Cara, e a idéia deles foi ótima!

Funciona mais ou menos assim:
- Você tem a idéia mirabolante, e acha que, com alguns milhares de dólares, consegue tirar ela do papel;
- Você se cadastra e o site anuncia sua idéia;
- As pessoas vêem sua idéia, gostam ou não. Se gostarem, podem contribuir com uma quantia em dinheiro;
- Esta quantia em dinheiro rende benefícios, como descontos na compra do produto quando for lançado, ou até mesmo o próprio produto;
- Mas o produto só é lançado se for levantado todo o dinheiro necessário. Por isso o site incentiva quem já patrocinou a falar com amigos para que eles também patrocinem.

Não sei se ficou claro, mas é como um patrocínio coletivo de idéias. Achei muito legal. Claro, existem idéias toscas e outras muito boas. Aí a escolha vai do gosto (e do bolso) de cada um.

Ah, o site é kickstarter.com

Uma idéia muito boa para patrocinar. Tanto que conseguiu muito mais do que precisava.

Uma idéia muito boa para patrocinar. Tanto que conseguiu muito mais do que precisava.

Agora você não tem mais desculpas para nem tentar produzir sua versão de um clip das Spice Girls (né, Lu?), ou de um dicionário português-catarinês. Ou alguma idéia tão criativa como essas…

10 Dias que Abalaram o Mundo – John Reed

Comecei a ler “10 dias que abalaram o mundo” com um pé atrás. Preconceito burro. Sorte que comecei a ler, pelo menos. 400 páginas de um livro de bolso depois, não me arrependo nem um pouco.

John Reed, o próprio.

John Reed nasceu em 1887, em Portland, nos EUA, e morreu na Rússia em 1920, antes de completar 33 anos. Não por isso, fez carreira no jornalismo do início do séc. XX, que todos sabem que se distanciava mais do que hoje do que a gente chama de “imparcialidade”. Militante comunista, Reed cobriu a Revolução Mexicana entre 1911 e 1914, e a Revolução Russa de 1917 – o que rendeu “10 dias que abalaram o mundo”, considerada a primeira reportagem moderna.

As muralhas do Kremlin e o mausoléu de Lênin. John Reed foi o único ocidental a ser velado ali.

 

Imagem histórica do funeral de Reed.

O livro é um relato intenso dos dias que culminaram a Revolução Bolchevique na Rússia. O convívio com Lênin, Trotsky, Tchernov, outras lideranças, e com os operários, camponeses e soldados que estabeleceram o primeiro regime socialista da história municiaram Reed a traçar um quadro bastante preciso do clima que imperava na Rússia – especialmente em Petrogrado (hoje Leningrado, então capital do país) e em Moscou. Algumas coisas me chamaram atenção, e foi uma baita lição de história para mim. Vou tentar resumir.

A primeira, talvez a mais marcante, foi a de que a Revolução Bolchevique não foi fácil, nem idealizada – flores não caíam nos Congressos a cada discurso apaixonado de Lênin e de Trotsky. Pelo contrário, havia uma oposição forte e violenta ao Partido Bolchevique na Rússia. Ainda havia movimentos monarquistas (já fracos, é verdade), muitos movimentos burgueses (entre outros, os cadetes), e uma grande oposição socialista moderada. Esta última incluía o Partido Socialista Revolucionário (dividido entre esquerda e direita), os mencheviques (membros do Partido Operário Social Democrata Russo, assim como os bolcheviques) e outras organizações que defendiam a Revolução, mas não uma “ditadura do proletariado” como faziam, intransigentemente, os Bolcheviques. A Revolução de Novembro, dos Bolcheviques, não foi unânime.

 

Vladimir Ulianov, o Lênin.

 

Bolcheviques marcham na Praça Vermelha após a vitória. A revolução, embora não unânime, foi legítima.

Outra coisa que aprendi foi bastante simples, na verdade, embora fundamental para entender a Revolução. O significado da palavra soviete. Como Reed explica no prefácio, sovietes eram organizações sócio-políticas que existiam nas províncias da imensa Rússia, controladas por operários, soldados e camponeses. O lema da Revolução bolchevique sintetizava tudo muito bem: “Todo o poder aos sovietes!”. Claro que havia sovietes que não eram partidários dos bolcheviques, mas era essa a política.

Por fim, é bastante interessante acompanhar o desenvolvimento de uma Revolução política. Ela já havia acontecido, em Março, mas o Governo Provisório de um sujeito chamado Kerensky estava levando a Rússia a passos largos para o buraco. Vem então, o partido bolchevique, com a liderança enérgica de Lênin e Trotsky e toma o poder. Engana-se quem acha que esse processo é simples e indolor.

 

O Smolni foi o centro dos trabalhos do Partido Bolchevique durante a Revolução de Novembro.

O próprio Lênin escreveu uma introdução ao livro.

“Com imenso interesse e igual atenção li, até o fim, o livro 10 dias que abalaram o mundo, de John Reed. Recomendo-o, sem reservas, aos trabalhadores de todos os países. É uma obra que eu gostaria de ver publicada aos milhões de exemplares e traduzida para todas as línguas, pois traça um quadro exato e extraordinariamente vivo dos acontecimentos que tão grande importância tiveram para a compreensão da Revolução Proletária e da Ditadura do Proletariado. Em nossos dias, essas questões são objeto de discussões generalizadas, mas, antes de se aceitarem ou de se repelirem as idéias que representam, torna-se necessário que se saiba a real significação do partido que se vai tomar. O livro de John Reed, indubitavelmente, ajudará a esclarecer o problema do movimento operário internacional.

V. I. Lênin – Fins de 1919″

Em 1981, Warren Beatty dirigiu Reds, filme sobre a vida de John Reed, indicado a 12 Oscars. Ainda não vi, mas pretendo muito em breve.

Vale muito a pena ler “10 dias que abalaram o mundo”. Uma baita lição de história.

*Imagens via Google Images

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Um mestre do jornalismo literário – Joseph Mitchell e o “Segredo de Joe Gould”

O menino do pijama listrado – John Boyne

Um carro e um sonho: lançamento do MINI Countryman em Curitiba

Graças a vocês, nossos queridos leitores e tuíteiros, o Biscoitos Sortidos pôde estar presente no lançamento do Countryman, novo modelo da MINI, em Curitiba! Eu e @gabimateos fomos até o Santa Quitéria, onde fica a loja da MINI na cidade, e vimos de perto o carro. É pra resumir? Então: SENSACIONAL!

 

Divulgação

Com lançamento oficial na cidade previsto para o Salão do Automóvel de Curitiba, a partir do próximo dia 20, o MINI passou a ser entregue no Brasil ainda nesse mês de novembro… segundo informações da revista Quatro Rodas, você leva o carro por uma bagatela de aproximadamente R$110 mil (não tinha nenhuma informação visível sobre isso por lá, mas eu acredito que por ora ele seja mais caro). Nada mal.

Quanto ao carro, assim como o Cooper (o outro modelo da MINI disponível no Brasil), ele é demais. Maior, porém, o Countryman lembra um SUV da marca. Bem mais espaçoso que o Cooper (4,1m x 3,7m de comprimento, com basicamente o dobro da capacidade do porta-mala, por exemplo), ele impõe muito mais respeito. Dependendo do modelo, o Countryman chega a até 184 cv, também nada mal para um carro desse tamanho. Outra coisa que chama atenção é o interior… o painel é simplesmente sensacional.

Quanto à festa do lançamento, a @gabimateos tinha outro compromisso e não ficamos muito tempo (razão pela qual não apuramos informações mais específicas e nem pudemos tirar uma foto do lado do carro – HAHAHAHA) – o que deu pra perceber é que o @BSortidos esteve no centro da high-society curitibana!

Confira as fotos que a gente tirou:

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Só pra ilustrar: no lançamento mundial, a MINI fez uma série de filmes sobre o Countryman (vi isso lá no Brainstorm9). Achei legal!

Links relacionados:

Revista Quatro Rodas – MINI Countryman chega ao país por R$110.000

MINI – MINI Countryman Gallery

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Chance da vida

Ele é “isso e aquilo”, mas eu gosto dele.

Chance da vida

O Biscoitos Sortidos está para ter a maior chance de sua longa existência de quase dois anos: postar sobre o carro MINIcountryman antes do BRASIL inteiro.

ISSO MESMO.

Vem cá que eu explico melhor.

O MINIcountryman é um novo modelo de MINI que ainda não foi lançado no Brasil. A-HAM. O lançamento oficial para a galera acontecerá no Salão do Automóvel de Curitiba, que começa no sábado, dia 20. Mas, antes disso, vai ter um lançamento ESPECIAL para convidados e 10, eu disse DEZ, blogs selecionados. OS DEZ ÚNICOS BLOGS DO BRASIL INTEIRO QUE PODERÃO FALAR COM TODA A PROPRIEDADE QUE EXISTE SOBRE UM DOS CARROS MAIS DESEJADOS DO MUNDO. E é aí que você entra, meu caro leitor.

Basta você tuitar “Eu indico o @bsortidos para o lançamento exclusivo do #MINIcountryman”. – ctrl c + ctrl v. É pá pum.

O que você ganha com isso?

Se formos selecionado, sortearemos entre as pessoas que nos indicaram um vale de R$30,00 da livraria Saraiva.

Nós não somos de pedir coisas aqui no Biscoitos, mas essa é uma chance ABSOLUTAMENTE única em toda a nossa existência. Então, se você puder, dê uma forcinha!

Se ganharmos, prometemos fotos direto do lançamento, via twitpic do @bsortidos, e um post MARA sobre o carro. Se você não tem nem ideia de quem ele é, olha uma amostra aí:

DÁ UM FORÇA, AÍ, GENTE!

Foi ou não foi?

Ontem à noite, por algum tempo, das 10 palavras nos TTBr, 9 eram sobre futebol. Algumas parabenizando os mais novos times da série A (Figueirense e Bahia) e outras sobre a polêmica envolvendo o resultado de Corinthians 1 x 0 Cruzeiro.

Ok, vamos logo ao x da questão. O pênalti. E aí, foi ou não foi? Pra mim, foi. Por um argumento irrefutável: pênalti roubado não entra.

Óbvio que estou brincando. Recomecemos.

O pênalti. E aí, foi ou não foi? Acho que não foi. Pra mim, não passou de um choque normal. No entanto, se o mesmo lance fosse fora da área, teria sido marcada a falta. Logo…

A foto que prova... nada, hahaha.

Quanto às reclamações do Cruzeiro. São pertinentes os pedidos pelos impedimentos mal marcados (3, se não me engano, enquanto o Corinthians teve 1).  Quanto àquela jogada do Thiago Ribeiro com o Júlio César, no primeiro tempo, a princípio, eu não marcaria. Depois observei melhor e vi que ele chega a tocar o goleiro. Só não sei se dobra a perna antes ou depois disso. De qualquer forma, valia reclamar.

Mas o grande bafafá é que o Corinthians teria comprado o campeonato. Pois é. Passou 7 jogos sem vencer só pra dar mais emoção, né? E comprou também o juiz de Cruzeiro 0 x 2 São Paulo, que marcou aquele pênalti (aquele sim ridículo, que nem falta foi, e que nem dentro da área foi!) no Ricardo Oliveira.

Ah, não nos esqueçamos de que o Corinthians também comprou o Montillo. Sim, o camisa 10 celeste. Compramos ele pra errar aquela cavadinha contra o Atlético Mineiro, lembra?

É muita teoria da conspiração pra um campeonato só. E já que relembramos alguns acontecimentos recentes, será que todo mundo apagou da memória os 2 gols legais do Ronaldo contra o Guarani, que renderam um empate em 0×0 em Campinas? Ou, se formos um pouco mais longe na história recente entre Cruzeiro e Corinthians (leia 1º turno), por que deixar de lado o pênalti não marcado em cima do Bruno César pelo mesmo Sandro Meira que apitou no Pacaembu ontem?

Só nesses dois últimos jogos o Corinthians teria 2 pontos a mais pelo confronto com o Guarani e seria líder. Já se considerado o pênalti convertido contra o Cruzeiro, no Parque do Sabiá, seriam 3 pontos a mais enquanto a raposa teria 2 a menos. (Matemática básica, Cruzeiro teria 58 e Corinthians 63 antes do jogo de ontem.)

Eu entendo a revolta dos torcedores cruzeirenses. Entendo mesmo. Se fosse eu, também estaria puta. Mas que não se enganem… o campeonato não foi perdido aqui. Mesmo com o empate, o Cruzeiro teria que torcer por um tropeço nos próximos 3 jogos do Timão e nos 4 do Flu. Algo que eu não acredito que vá acontecer.

Ainda acho que o Fluminense será campeão. E aí, o Corinthians gastou dinheiro à toa, né? Porque como clamam os anticorintianos, a gente comprou o campeonato do Centenário. Mas bom, a única chance de o Corinthians ainda ter esperanças é um empate do Goiás hoje. Mas não levo fé nessa hipótese… o Muricy não deixa esse título escapar. Nem que ele mesmo tenha que entrar em campo e fazer o gol da vitória.

Agora, cansei de tanto mimimi, de tanto chororô. Erros acontecem e vão continuar acontecendo, principalmente com essa arbitragem fraca que temos no Brasil. Bem longe do nível do campeonato. Devíamos nos preocupar mais em resolver isso e deixar de lado a pequenez de acusar alguém de comprar o Brasileiro. Vindo de um time do tamanho do Cruzeiro, isso só se torna embaraçoso.

O Pacaembu ontem.

Enquanto isso, esperamos em vão por árbitros um pouco mais dignos. De bonito ontem, só mesmo a festa da torcida alvinegra o jogo inteiro (e pra você, Fabrício, que disse que “quando tá ruim a torcida joga contra”, não tenho nada a dizer. Só que ainda bem que você não tá mais desse lado ;)).

Links relacionados:

A opinião do Juca Kfouri, “um pouco” mais enfática do que a minha.

Lédio Carmona e a arbitragem (#fail) brasileira

Paulo Calçade (ESPN): “Foi pênalti”

O Grande PVC, a jogada e a arbitragem

A palavra final dos especialistas no Globo Esporte

(Só pra constar, a opinião dos comentaristas da SporTV está mais dividida, embora pelo que eu contei tenha mais “foi pênalti” do que “não foi”. Inclusive, @TiagoLeifert cravou: “foi”.)

Publicado por: Lê Scalia

O menino do pijama listrado – John Boyne

No momento que escrevo esse texto, acabo de ler as últimas linhas do livro “O menino do pijama listrado”, de John Boyne. Não estou com lágrimas nos olhos por dois motivos: já sabia o que aconteceria (tinha visto o filme) e estou em um lugar público. Se estivesse em casa, sem saber o que o final daquele livro guardara, não poderia garantir nada.

Pois bem, o livro foi uma surpresa bastante agradável para mim. Sim, é um Best-seller. Vendeu tanto quanto “Marley e Eu”, por exemplo (dados não-oficiais). Mas, a dupla história-e-linguagem do livro de Boyne é demais.

 

O irlandês John Boyne

A história é de Bruno, um garoto alemão de 9 anos de idade, que vive em Berlim no auge da Segunda Guerra. Seu pai, oficial do exército alemão, é nomeado para uma missão “bastante especial”, que obriga a família toda a se mudar da cidade. Isso representa uma quebra enorme para qualquer garoto dessa idade – deixar para trás o resto da família (avós), os amigos, a casa da infância, o ambiente urbano.

Enfim, eles se mudam para o campo – que se descobre ser a Polônia. Isolado, sem amigos, Bruno começa a noiar. As aulas particulares junto com a irmã Gretel ajudam a aliviar um pouco, mas se imagine com nove anos, cercado de soldados nazistas (carrancudos e metidos, é a imagem que o autor passa), numa casa de campo sem nenhuma diversão aparente – o mais próximo que ele chega disso é um balanço de pneu que constrói no jardim, porém sem muito sucesso.

Para não se entregar ao tédio, Bruno decide praticar uma velha distração: explorar. Ele sai para andar pela floresta do lado da casa, encontra uma cerca gigante e do outro lado dela, um garoto, da mesma idade. Bruno não sabe bem disso, mas é a cerca de um campo de concentração de judeus – ele vê, e não entende, todas aquelas pessoas com as mesmas roupas, os mesmos pijamas listrados.

O garoto que ele encontra é Shmuel. Durante um ano, os dois convivem (em segredo), e formam uma amizade bastante significativa para ambos. E aí o resto se desenrola.

A linguagem do livro é simples, mas essa simplicidade me surpreendeu. Não há, nela, imagens diretas e cruas do nazismo, mas sim elementos que levam o leitor a entender as coisas. Imagens jogadas, cruas, estão nas histórias o tempo todo, mas representar isso a partir da visão de um garoto de 9 anos foi a missão que Boyne cumpriu – e muito bem, por sinal.

Por exemplo, o líder da política alemã da época é chamado no livro de Fúria, uma clara alusão à dificuldade do menino de pronunciar a palavra corretamente. A região do campo de concentração que a família passa a viver, para Bruno, é “Haja-Vista” (o mais famoso de todos os campos… lembrou?).

O retrato que Boyne traça do nazismo é sufocante. O medo de falar coisas que não se deve, de quebrar alguma regra do pai e dos seus companheiros, enfim, o medo das pessoas está ali, implícito na visão ingênua do garoto de nove anos. A sensação que se tem ao ler o livro é de caminhar na corda bamba: a qualquer momento, a qualquer falha, o Fúria voltará para pegar todos nós.

 

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O dominó gigante de Berlim, 20 anos depois

Agosto – Rubem Fonseca

Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa

Especial Panamá – A loucura do transporte público

Para os que pensam que o Panamá revolucionou o transporte marítimo devido a seu Canal, conheçam estas maravilhas de seu transporte terrestre: los Diablos Rojos, los taxis panamenhos e las Chivas.

Diablo Rojo: exterior, dia.

Los Diablos Rojos: experiência cultural panamenha

Assim são chamados os busões do Panamá. É um ônibus escolar americano totalmente customizado. A lataria é cheia de grafites e desenhos coloridos, enquanto o interior está cheio de luzes piscantes azuis e vermelhas, adesivos, plumas e qualquer outra quinquilharia decorativa. A noite, você pode confundir este veículo com um puteiro uma casa de festas, já que as únicas luzes que este veículo mantém acesas em seu interior são as ditas piscantes azuis e vermelhas. Toda essa experiência cultural está ambientada com muito reggaeton a último volume, é claro.

$$$: você só precisa pagar 25 centavos de dólares por toda esta festa e que o pagamento é efetuado na saída.

Diablo Rojo: interior, noite.

 

Los taxis: seletivos, baratos e coletivos

- Amigo, cuanto vale hasta la Cinta Costera? – pergunta um turista inocente a um taxista.
- U$ 3,00, pero yo no voy hasta allá – responde o panamenho, e acelera seu carro, quase arrancando a cabeça do pobre turista.

Em qualquer lugar do mundo, você escolhe qual dos táxis da rua vai te levar até onde você quer. No Panamá, não: os taxistas escolhem se querem te levar até lá. Se for muito perto, muito longe, muito difícl de chegar, muito isolado, muito no meio da cidade, ou qualquer outra lorota, eles não te levam e tá acabado. Ainda, os táxis não possuem taxímetro, então você tem que saber negociar: o preço varia com a distância e com a quantidade de pessoas que ele leva. Ou seja, ir a um lugar sozinho custa U$4,00, e com três pessoas custa U$6,00, por exemplo.

Detalhe importante: não se assuste se você estiver em um táxi e o taxista parar no meio do caminho para que outro cliente suba no táxi. Come on, não seja tão egoísta! O fato de estar pagando pela corrida não significa que o táxi é exclusivamente seu durante o percurso.

$$$: táxi é muito barato no Panamá, ou muito caro no Brasil.

 

Las Chivas: ¡Que chiva una Chiva!

O povo panamenho, não contente em colocar reggaeton e pisca-piscas em seus busões municipais, resolveram retirar os bancos do veículo e transformá-lo em uma festa em movimento. Chamaram este invento de Chiva, um ônibus-festa open-bar, que, obviamente, trilha toda a cidade durante as abafadas noites do Panamá.*

* Existem Chivas em outros países da América Hispânica, como em Guatemala, e nem o Google soube me responder qual a origem de esta zona toda.

Infelizmente não consegui ir a uma Chiva, mas pelo que contam, estas festas se resumem a: muita bebida, sauna, aperto e pessoas vomitando pelas janelas… Que chiva/tuanis/chevere/chido/chingón/padre/pichudo/bacano una Chiva, han?

$$$: se não estou louco, uma Chiva custa entre U$15,00 e U$20,00.

Transporte público no Panamá: definitivamente uma experiência cultural. ¿Que xopa, man?

Publicado por Tiago Pizzolo

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Traga seu mapa e sua bússola!

Nota fiscal paulista

“O Programa Nota Fiscal Paulista devolve 30% do ICMS efetivamente recolhido pelo estabelecimento a seus consumidores. Ele é um incentivo para que os cidadãos que adquirem mercadorias exijam do estabelecimento comercial o documento fiscal. Os consumidores que informarem o seu CPF ou CNPJ no momento da compra poderão escolher como receber os créditos e ainda concorrerão a prêmios em dinheiro.

Ou seja.

Freguês merece reconhecimento. (Principalmente quando é tão fiel.)

Se você não é de São Paulo ou nunca fez compras por lá, não sabe que é comum a pergunta “CPF na nota?” ao encerrar uma compra. É isso que a loja questiona porque consumidores cadastrados conseguem de volta algum retorno.

Por isso, a sacada que ontem surgiu no twitter e foi parar no site oficial do Corinthians foi genial. Achei o máximo. Não só porque eu sou corintiana, haha, afinal, vi amigos não-corintianos também rindo da situação.

S2

Aliás, vi até quem não curte futebol (leia Luiza Rey) comentando como tinha ficado legal. E, gente, futebol é divertido por isso. Daqui um tempo a situação inverte e quem tem que aguentar somos nós. É assim mesmo. Então, aproveitemos enquanto a maré tá boa e estamos por cima da carne seca, haha.

A zoação continuou hoje com a divulgação da nota fiscal, analisando os “serviços discriminados”. Tião Fiel mostrou a tão polêmica nota, que mostra os serviços prestados nesses 3 anos e pouco de tabu em “outras informações”.

Nota fiscal corintiana

Nem preciso reiterar o quanto eu gosto de pessoas à toa, né?!

Eu S2 meu freguês.

Menção honrosa: Capa do L! de hoje.

Detalhe… eu chego na banquinha, toda faceira: “Ô moço, me vê um Lance! :D” / Ele diz: “O chocolate, né?!”  Eu, incrédula: “NÃO moço! O Jornal ¬¬”.

Pois é. Cara de quem come muito chocolate eu tenho. Cara de quem lê jornal não.

#Fail.

 

Saudações corintianas,

até a próxima.

Publicado por: Lê Scalia

“Ferido de mortal beleza” – Mario Quintana

Não sei bem porque, mas sei que gosto bastante de poesia. Sair por aí anunciando isso pode querer dizer alguma, pense você, mas eu não quero dizer nada. Só que gosto de poesia. Não lembro bem, mas um dos primeiros poemas que eu li e gostei foi “Memória” do Drummond. “Amar o perdido / deixa confundido / este coração”. Ainda estava no colégio estudando o modernismo brasileiro – que também me fez ser apaixonado pela literatura brasileira, e um belo dia “desvendei” esse poema com um amigo. Foi engraçado.

 

Esse todo mundo já ouviu: "Todos esses que aí estão / Atravancando meu caminho, / Eles passarão... / Eu passarinho" (1978)

Pois bem, o tema do post é, na verdade, o gaúcho Mario Quintana. Mais por teimosia, carrego comigo sempre o “Quintana de Bolso”, edição da L&PM do autor. É uma reunião de várias épocas e estilos que o autor desenvolveu na sua longa vida literária. O primeiro poema dele que me impressionou foi o número XXXV da “Rua dos Cataventos”. Segue um trecho:

Quero é ficar com alguns poemas tortos
Que andei tentando endireitar em vão…
Que lindo a Eternidade, amigos mortos,
Para as torturas lentas da Expressão!…

Quintana nasceu em Alegrete (RS), em 1906. Aprendeu a ler em casa com os pais, que também lhe ensinaram alguma coisa de francês. Nos anos 1920, começa a trabalhar em jornais da região de Porto Alegre, ao mesmo tempo em que iniciava sua produção literária. Ganhou um concurso de contos em 1925. Nos anos 1930 inicia seu grande trabalho de tradução de grandes clássicos da literatura europeia, como Marcel Proust, Voltaire, Guy de Maussapant e outros.

A partir da década de 1940, sua produção de poesias já é amplamente conhecida e aceita, tanto nos meios literários quanto ao público em geral. Quintana conviveu com vários dos (outros) grandes poetas do Brasil – Drummond, Bandeira, Cecília Meirelles. É cidadão honorário de Porto Alegre e Doutor Honoris Causa da UFRGS. Faleceu em 1994, em Porto Alegre, atingindo, finalmente, sua libertação. A morte, não sempre de maneira pessimista, é bastante presente na obra de Quintana. “A morte é a libertação total: a morte é quando a gente pode, afinal, estar deitado de sapatos”



Dentre as suas grandes características, talvez a maior seja a “rara legibilidade”. Em outras palavras, Quitana é fácil de ler. Para um poeta desse calibre, isso é um baita mérito. Isso fica bastante claro na sua série “Espelho Mágico”, publicado em 1951 com recomendações de ninguém menos que Monteiro Lobato:

“Das corcundas

As costas de Polichinelo arrasas
Só porque fogem das comuns medidas?
Olha! Quem sabe não serão as asas
De um Anjo, sob as vestes escondidas…”

“Da eterna procura

Só o desejo inquieto, que não passa,
Faz o encanto da coisa desejada…
E terminados desdenhando a caça
Pela doida aventura da caçada.”

“Da felicidade

Quantas vezes a gente, em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão, por toda parte, os óculos procura,
Tendo-os na ponta do nariz!”

“Da condição humana

Se variam na casca, idêntico é o miolo,
Julguem-se embora de diversa trama:
Ninguém mais se parece a um verdadeiro tolo
Que o mais sutil dos sábios quando ama.”

 

Já falei que gosto muito de edições de bolso? hehe

O que eu quero dizer é que Quintana devia ser daqueles caras que nos faziam acreditar na humanidade – se estou errado, as palavras deles com certeza ainda o fazem.

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Releituras – Mario Quintana – Biografia

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