Arquivo mensal: dezembro 2010

Infância – J. M. Coetzee

Além do nome agradável à fala, o sul africano de 70 anos ganhou em 2003 o Prêmio Nobel de Literatura. Coetzee publicou seu primeiro livro em 1974, na África do Sul, seu país de origem, e desde então produziu uma obra bastante refinada – pelo menos é um sucesso de crítica e, ora bolas, levou o Nobel. Mas pelas leituras na Internet, Infância (1997) representa bem as características que perpassam sua literatura – pessimismo fino, crueza de descrições, e, segundo Cristovão Tezza, “a investigação da solidão e dor humana”.

John Maxwell Coetzee, sul-africano, Nobel de Literatura

Infância é o início de uma série autobiográfica-ficcional que Coetzee continua, até agora, em Juventude (2002) e Verão (2010). Parece difícil escrever uma autobiografia de qualidade (não vale estilo Donald Trump e megaempresários, roqueiros doidões e outros, que convenhamos, não parecem peças da literatura), mais difícil ainda escrever uma biografia ficcional. Coetzee fez os dois.

Em Infância, ele relata parte da sua vida quando criança na África do Sul – parte em Cidade do Cabo, parte em Worcester (cidade perto da outra), os conflitos étnicos e raciais do país e a vida sufocante em família. A superproteção da mãe, o fracasso profissional do pai e a relação estranha com os amigos são componentes da obra – a pergunta é até que ponto esses elementos estiveram, de fato, presentes na vida real do escritor. Impossível de saber.

"Infância", na edição de bolso da Companhia das Letras. Edição bastante agradável.

O que eu quero dizer é que, pessoalmente, considero fundamental certo distanciamento dos elementos que serão abordados na literatura produzida. Ao mesmo tempo também é fundamental ter proximidade. Se fosse pra dizer, eu não sei se conseguiria escrever algo sobre a minha própria família (embora eu tenha certeza de que não conseguiria escrever sobre muitas coisas).

Mas isso não importa. A experiência com a autobiografia foi, afinal, elemento que contribuiu para o sul-africano levar o Nobel.

Pessoalmente, o livro foi bastante interessante, exatamente pela densidade com que ele abordou as diferentes relações: familiares, sociais e raciais. Não julgo. Mas se me pedissem uma recomendação para um livro sobre família, não hesitaria em escolher Dois Irmãos, do amazonense Milton Hatoum. Mas é coisa de gosto, vai entender.

Bem, vou parar de falar besteira e indicar, de quem entende, textos sobre o Coetzee, escritos por ninguém menos que Cristovão Tezza (que inclusive já jantou com o cara, em Adelaide, onde ele mora, neste ano), no site do autor.

Diário de um ano ruim, de J.M. Coetzee – Guia Folha, 27/06/2008

A indigestão da ética – Mais!, da Folha, 5/05/2002

“Apesar das aparências, Coetzee não pode ser reduzido a um escritor psicológico, analisando motivações metafísicas ou insondáveis da alma” [...] “A desconcertante ironia de Coetzee, desenhada pela simplicidade cartesiana de sua frase, dá uma leveza extraordinária ao mundo sombrio que relata”. (Trechos de uma crítica que Tezza escreveu para a Folha, em junho deste ano).

Falando em Tezza, a @gabimateos comprou esses dias o novo livro dele, Um Erro Emocional, leu e falou que é interessante. Disse que ia postar aqui alguma coisa, mas não essa semana, porque afinal de contas, nem no Brasil ela está (hehehe).

Infância, enfim, é uma pequena parcela da literatura de Coetzee, que nos relembra, de maneira emocionante, a frieza do mundo, da sociedade, e enfim, do ser humano.

Polêmica no blog: Marina Silva, Anarquismo, PT, PSDB e etc.

Devo confessar que adoro uma polêmica. Por isso, peço perdão pelo quê pessoal que tem o motivo deste post. Agora, se quiser continuar, acomode-se confortavelmente e comece (re)lendo este post: Política apartidária.

Comentário de tibartz:

Lê, eu vou fazer o favor de corrigir uma série de erros que você fez. Espero que não se importe.
1º) A anarquia nunca foi forma de governo. Pelo contrário, é a ausência do mesmo. Sugiro que estude melhor o negócio, pois, além de ser um “sistema” absurdo, é meio delinqüente. Não é e nunca foi o ideal, tanto é que jamais chegou a ser implantado mesmo nos países mais “evoluídos”.

2º) O Cristovam Buarque não sabe nem a diferença entre esquerda e direita. Ele diz que o PT é de centro. Ou ele mente descaradamente ou é muito burro, motivos que me fizeram ver a falta de inteligência no senhor em questão e desprezá-lo. Sugiro que estude melhor as idéias dele, que superficialmente parecem boas, mas no fim, após um longo estudo, demonstram-se brincadeira de criança e papo furado.

3º) Você afirma que o PT e o PSDB representam a direita e a esquerda. Isso é uma mentira gravíssima. Ambos são de esquerda: o PT é a extrema-esquerda e o PSDB uma esquerda moderada. O PT é o socialismo tosco que ressurgiu com força total no Brasil, cheio de adeptos comunistas loucos. Veja que TODOS os comunistas velhos desse País estão votando no PT. Isso não é coincidência.

4º) Você afirma ser um “alienado político”, o que, com grandes pêsames, eu sinto lhe dizer que, nessa parte, você acertou.

5º) O plano para a Natureza e a sustentabilidade do PT (apesar de absurdo) é melhor que o da Marina Silva, mas como ela só falar nisso as pessoas acreditam que o dela é verdadeiramente bom. Veja só como os políticos conseguem enganar as pessoas…

Última observação: o seu texto ainda tem uma quantidade enorme de erros de lógica e erros básicos de informação política. Não vou corrigir todos. Se quiser aceitar as minhas críticas você estará a um passo de melhorar intelectualmente. Caso contrário, é só fingir que eu estou errado, apresentar um monte de argumentos falhos e me xingar muito. Espero ter melhorado esse debate levemente.

Resposta:

Olá, Tibartz (?)

Bom, em primeiro lugar, – e acredite, estou sendo sincera – obrigada por seu comentário. Apesar disso, infelizmente não poderia concordar que você melhorou esse debate levemente. A não ser, é claro, pela qualidade do seu texto.

Pois é, você escreve bem, articula e manipula bem seus argumentos, mas faltam a eles algum senso embasamento. E sobra, obviamente, moralismo.

1º) Você deveria saber que todas as formas de governo inventadas ou surgidas até hoje são utópicas. Simplificadamente, isso significa que, em teoria, são todas perfeitas. Até o Capitalismo. Mas, na prática, nunca deram certo. O Socialismo se mostrou ser um governo autoritário e ditatorial em todos os lugares onde foi implantado; o Capitalismo prevê a desigualdade; e o Anarquismo virou sinônimo de desordem.

Mas, acredito que a Letícia estava se referindo aqui ao Anarquismo em sua teoria, o Anarquismo utópico. Sim, por que não? Muitas pessoas sonham ainda hoje com o Comunismo, por que não o Anarquismo?

É claro que o Anarquismo é uma forma de governo, mas precisamos esclarecer aqui o que entendemos por “governo”. Temos o Governo enquanto uma instituição que rege uma nação, e temos o governo do verbo “governar”, ao qual podemos nos dirigir genericamente, falando não de uma instituição, mas de um ato.

Enfim… ficou claro? Assim, o Anarquismo é uma forma de governo que prega a ausência de qualquer tipo de dominação e coerção, ou seja, a ausência do Governo e do Estado. Mas não prega a irresponsabilidade, porque as próprias pessoas seriam responsáveis por sua rua, seu bairro, sua comunidade, seus próximos. As pessoas simplesmente se entreajudariam. É claro que o grau de utopia aqui é muito alto, mas a teoria, que foi criada há muitos anos, é essa sim.

2º e 3º) Me parece que quem não sabe a diferença entre esquerda e direita é você. E olha que interessante: nesse ponto, você se embasa SOMENTE na teoria, sem levar em consideração o que a esquerda e a direita realmente se tornaram no Brasil.

Porque todos sabemos que, na prática, o governo do PT não se afastou do governo do PSDB. Nos primeiros anos do governo Lula, por exemplo, muitos cientistas políticos afirmaram que o Lula havia dado uma grande importância ao desenvolvimento da economia, mais até que FHC. É claro que há discordâncias, mas hoje, o PT é centro-esquerda e o PSDB é centro-direita. E se você me permite, eu diria ainda mais: o PT se vende como esquerda, mas sua postura é, de fato, centro, porque não se governa sem fazer alianças – como disse um dos maiores cientistas políticos desse país, Cristovam Buarque. Desculpe, mas chamar alguém como o Cristovam Buarque de burro é ignorância, prepotência, ou os dois.

4) Meus pêsames pra você também.

5) É? Por favor, você tem espaço aqui para defender o plano de sustentabilidade do PT…

Últimos comentários:

Política é para ser discutida. Tente entender que as pessoas podem ter pontos de vista diferentes do seu. Que, apesar de fatos, não existem verdades absolutas. Eu sei, é incrível, né?

“Se quiser aceitar as minhas críticas você estará a um passo de melhorar intelectualmente” – Ok, essa foi demais, né? Leia essa frase em voz alta, por favor!

Bem, no seu caso, se quiser aceitar outro ponto de vista, você estará a um passo de poder COEXISTIR.

Viva o povo brasileiro – João Ubaldo Ribeiro

João Ubaldo Ribeiro é imortal da Academia Brasileira de Letras. Está lá ao lado dos inquestionáveis Moacyr Scliar, Lygia Fagundes Telles, Carlos Heitor Cony e outros do mesmo naipe. Também está ao lado de Paulo Coelho, José Sarney, e outros, do mesmo naipe. Sem dúvida, o baiano de Itaparica, nascido em 1941, de feição doutoral e voz bastante grossa, mestre em ciências políticas pela Universidade da Califórnia do Sul, e até hoje jornalista, está no primeiro escalão da ABL.

Não preciso ler outro livro de João Ubaldo, que não “Viva o povo brasileiro”, para afirmar que o autor ocupa o primeiro escalão da literatura brasileira do séc XX, riquíssima. Posso ser chamado de ingênuo, mas ler este livro, na edição de “bolso” da Editora Objetiva foi, como diriam, saboroso. O romance, aliás, foi vencedor do agora polêmico Prêmio Jabuti de Melhor Romance, de 1984, e João Ubaldo ganhou o Prêmio Camões, em 2008, considerado dos maiores prêmios da lusofonia literária.

 

João Ubaldo Ribeiro, brasileiro.

A proposta de “Viva o povo…” é complexa. São quatro séculos de história da Bahia e de vários personagens que habitaram aquelas terras. Tem de tudo: caboclo canibal, senhor de engenho, escravo trabalhador, escravo revoltado, escravo feiticeira, classe média do Império, clero, poeta do romantismo que mais tarde vira bancário inescrupuloso de sucesso, general do exército que batalhou contra a morte sem honra na Guerra do Paraguai, negra liberta que luta contra a opressão e desigualdade à la socialismo, socialista de fato que luta contra ditadura, classe média que assiste a Rede Globo e que em 1971 fala, referindo-se à política nacional, que está tudo bem.

A história mesmo, é de uma alma, que vive no poleiro das almas, e que segue o caminho de vida das almas, qual seja ocupar corpos, mas essa é especial: ela se torna uma alma brasileira, para todo o sempre. E aí, ela vai pulando de personagem em personagem até o final do livro.

Já falei por aqui que romances históricos são sensacionais. Fazer um, de maneira tão satisfatório, é realmente um desafio que transcende muitos limites razoáveis. “Viva o povo…” não fica atrás. Romance de formação histórica, social, cultural e ululante, embora o próprio João Ubaldo fale que ele nunca pensou nisso. Mas vá lá. Nessa edição, um pouco menor de “altura”, o livro tem 789 páginas. Escrever 789 páginas do que quer que seja, é foda. Escrever 789 de um romance desse calibre, é… sei lá o que é.

Pra não ficar no bla bla bla, vou falar de um personagem inesquecível do livro: o Caboco Capiroba. A descrição inicial do autor sobre o personagem é legal: “O caboco Capiroba apreciava comer holandeses”, diz João Ubaldo, ali em 1647. Capiroba é meio negro, meio índio, que vive fugido com duas mulheres que ele “roubou”. O barato da vida do cara é, enfim, comer holandeses. E aí o resto não vou contar.

 

Edição de "bolso", da Editora Objetiva. 789 páginas de pura malemolência.

Outra coisa sensacional desse livro é a linguagem que o baiano adapta século a século. Especialmente nos diálogos, a língua também é protagonista desses quatrocentos anos de história – senão a própria formadora de toda essa história e das personalidades de cada um.

Enfim, “Viva o povo brasileiro” é uma leitura, com trocadilho sem graça, longamente prazerosa.

Chrome OS: Google lança sistema operacional baseado na computação em nuvem

Não é fácil explicar, nem entender, o que é a computação em nuvem. Mas todo mundo sabe o que é, na prática.

Vou tentar então, na minha linguagem leiga e escassa, falar um pouco sobre o que eu sei da computação em nuvem (cloud computing). Veja só que lamentável: eu já sei pouco, e vou tentar falar um pouco do que eu sei…

Eu acho que posso dizer que a computação em nuvem é uma rede mundial de computadores. Quero dizer, são vários computadores conectados entre si pela Internet. Computadores e servidores. Porque assim, quando você envia um e-mail a alguém, o conteúdo dessa mensagem fica armazenado “na Internet” até que o seu destinatário baixe o e-mail no Outlook. Quando a gente não usa o Outlook ou outros programas similares, nós acessamos nosso e-mail por meio do navegador (Internet Explorer, Mozilla Firefox, Google Chrome, Safari…). E aí estamos trabalhando na Nuvem.

Já deu pra entender? Faça um pequeno esforço, porque eu não sei se consigo ir mais longe…

Assim, trabalhar na Nuvem significa que você não está trabalhando no disco rígido do seu computador. Tudo o que você faz fica registrado também, mas não no computador, e sim na Internet (Nuvem).

Por exemplo, você já usou o Google Docs? Quando você edita um arquivo no Google Docs, ele fica armazenado na Nuvem. Pra acessar, você acessa a Nuvem. É mais fácil se você pensar que essa Nuvem é simplesmente a Internet (mas é melhor não falar isso por aí, porque essa ideia provavelmente está errada).

Ok, agora vejam só. O Google está lançando um sistema operacional. É. Ele já tem um site de busca, uma rede social, um navegador… e agora quer ter um sistema operacional para computadores. Esse SO é o Chrome Operating System. Sim, o mesmo nome do navegador que desbancou o Mozilla Firefox.

A diferença é que  Chrome OS é baseado na tecnologia da computação em nuvem. O grande apelo é que, não importa o que aconteça com o seu computador, você nunca vai perder seus dados, porque eles estão onde? Na Nuvem! Em um computador com o Chrome OS, você trabalha o tempo todo na Nuvem, nunca no HD. O que me traz a pergunta: esse computador tem HD???

Além disso, tem aí uma coisa não explicada. Se o sistema operacional inteiro trabalha somente na Nuvem, eu preciso de uma conexão com a Internet até pra poder ligar o computador!? Sem Internet, é como se não houvesse um SO instalado? E tem mais: algo me diz que vamos precisar de uma puta conexão com a Internet pra trabalhar nesse SO. Fail?

É, eu tô mesmo com um pé atrás. Se você quiser tentar, pode se candidatar a ser um dos primeiros usuários do Chrome OS. É só se cadastrar na página http://www.google.com/chromeos

Abaixo, veja o vídeo que foi feito para apresentar esse novo produto do Google. 25 computadores foram destruídos para mostrar pra gente que tudo bem, seus arquivos continuam intactos. Na Nuvem…

Minda-Au – Marcio Renato dos Santos

Escrevi esse texto primeiro para o Jornal Comunicação, lá da UFPR. Ele saiu no mês passado, aqui, com o título “Histórias de um curitibano”. Dias depois, o próprio Marcio colocou o texto no blog que ele montou para o livro, com o mesmo nome. Segundo o autor, o texto que segue “é simpático, com muita bossa”. Me dei o direito de editar novamente, mas lá vai.

Lá no fundo, Marcio. Aqui no primeiro plano, de costas, equipe do BSortidos (Eu, Gabi, Lu, Le que não apareceu na foto). Foto do blog do autor.

“Quem disse que livros de contos não têm personagens principais, provavelmente errou. Marcio Renato dos Santos, 36, jornalista curitibano, desmente a afirmação duplamente: o recém-lançado “Minda-Au” (Record, 2010, 84 págs) é uma coletânea de contos notadamente autobiográficos. Além disso, outro personagem é central nos sete contos que compõe a obra: a cidade de Curitiba.

Minda-Au foi, conforme o autor explica na apresentação do livro, das primeiras palavras que proferiu – uma referência a um dromedário que habitava um quadro na casa de sua avó. “A partir de Minda-Au eu comecei a me tornar Marcio Renato dos Santos”, escreve o autor.

A partir daí, fica bastante clara a inspiração biográfica do livro. A segunda narrativa, “A Guitarra de Jerez”, por exemplo, conta a história de uma guitarra que é fatal a todos que a tocam e que jaz, agora, na sala do narrador. A dúvida de tocá-la ou não perpassa o conto – Marcio admitiu, na seção de lançamento do livro, na quarta-feira, 10 de novembro, nas Livrarias Curitiba do Shopping Estação, em Curitiba, que deixou o hábito de tocar guitarras há algum tempo. O conto derradeiro do livro, “Ali, Agora”, também trata da relação do autor (ou do narrador?) com quem ele chama de “mestre”. Marcio teve uma relação de bastante afinidade com Jamil Snege, escritor curitibano que faleceu em 2003.

A melhor história do livro, entretanto, é “Pra quem busca uma nova vida (ou Cinco meses em Porto Alegre”, que traz a Curitiba para o plano central. No conto, o personagem narrador fala do tempo em que passou longe da cidade – e como isso afetou sua capacidade de escrever. Diz o autor, no livro: “Não consigo iniciar uma frase em Porto Alegre. Não tentei. Mas me sinto incapaz. Ao menos leio. Os jornais. E os autores gaúchos. Dos clássicos aos contemporâneos. [...] Estou em Porto Alegre mas parece que não”.

Também nesse pequeno trecho se percebe uma característica contínua na linguagem de Marcio: as frases curtas. Talvez herdadas do estilo direto do jornalismo, elas dão o ritmo que o autor deseja. A exceção é o conto “De Teletransporte Nº 2”, em que ele faz justamente o contrário: frases muito longas, sem nenhuma pontuação. Outro objetivo cumprido, outro ritmo.

Marcio Renato Dos Santos (foto do blog do autor).

Outra ferramenta utilizada pelo autor é o fluxo de linguagem que mescla, na história, a realidade com o sonho. Tanto em “De Teletransporte Nº 2” quanto em “O Espírito da Floresta” o autor confunde – da maneira saudável – o leitor nesse sentido. O que se narra é a realidade ou apenas o mundo onírico do personagem?

No encontro do dia 10, em Curitiba, Marcio também comentou que ainda não havia lido o livro depois de publicado. Para ele, o processo de publicação ainda não foi digerido. “Algo que eu guardava só pra mim, agora reunido e podendo estar por aí, em qualquer lugar do Brasil… é muito estranho”, revela. Isso sugere a relação entre um pai coruja e o filho que sai para as suas primeiras festas – e este, que ainda tem um futuro a trilhar, parece ser um retrato fiável da carreira literária do estreante Marcio Renato dos Santos”.

Chuva de absorventes

Por mais que as propagandas insistam, as pesquisas revelam que as mulheres deixam de ir à praia no período em que estão menstruadas.

A Libresse, uma marca de absorventes holandesa, descobriu uma forma diferente de dizer a mesma ladainha de sempre. Uma chuva de absorventes na praia.

Em 2009, a ação aconteceu no litoral da Holanda e este ano se repetiu nas praias asiáticas.

Mais uma da T-Mobile

Chatroulette é um site onde duplas de desconhecidos interagem tendo como base principal a webcam. Dois usuários comunicam-se por um chat de conversa online (podendo usar o vídeo, áudio e textos). A qualquer momento, um dos dois usuários poderá trocar de pessoa com quem está interagindo, iniciando nova comunicação com outro usuário de forma aleatória. (Wikipédia)

Ok, é que eu não conhecia o Chatroulette até um amigo me mostrar uma ação de marketing genial que usou como mídia esta nova rede (?). Foi para divulgação do filme “The Last Exorcism”:

Mas o assunto deste post é outro. O Chatroulette também faz celebridades, assim como o Twitter. Parece que um desses famosinhos é um cara que cria músicas na hora, dependendo da cara da pessoa que está do outro lado. Assim ó:

Ele ficou famoso e a T-Mobile, que vem surpreendendo pelas ações promocionais, resolveu usá-lo para mais uma dessas ações.

A chupada que nos deu o reggaeton

Todo mundo sabe que Roberto Carlos canta em espanhol. Todo mundo sabe que Xuxa tem seu Ilariê hispânico. Alguns inclusive sabem que Ilariê existe até em chinês (cante junto você também com esta versão legendada). Outros já escutaram que o Tic Tic Tac saiu do Amazonas para chegar a Sibéria. Bom, até Cuba entrou no clima e ralou na boquita de la botella e amarrou o tchan.

Agora, Porto Rico me surprendeu esta semana. Estava escutando alguma rádio tica quando começou a tocar, adivinhem, outro reggaeton. Depois de alguns segundos, percebi que conhecia esta canción medio rara

Sim, você acabou de escutar Chorando se foi, música símbolo da Lambada, cagada por um reggaetoneiro. Bom, pelo menos Don Omar não inventou de cagar nossos clássicos musicais de verdade, também conhecidos como Rebolation.

Publicado por Tiago Pizzolo

Oi, paulistas.

Ho, hey ho!

Eu não sou a maior fã de Beatles que eu conheço. Não sou a maior fã de Beatles que você conhece. Mas eu gosto bastante deles, das músicas e do legado que eles deixaram na história da música. Eu não conheço, de cor e salteado, todas as letras dos Beatles. Não sei detalhes da vida deles, nem sei citar a discografia completa. Mas mais do que tudo isso, eu gosto de música. E isso foi motivo mais do que suficiente para me levar ao Morumbi, para ver Up and Coming Tour.

Say we’ll be together ev’ry day, got to get you into my life…

 

 

“Uma chance única na vida”, eu pensei. A oportunidade de ver um ex-Beatle, no que provavelmente foi seu último show no Brasil. E valeu a pena cada centavo. Valeu a pena as quase 2 horas no trânsito para fazer um caminho que, na volta, demorou por volta de 15 minutos. Valeu o trauma de voar (é, eu passo mal). Valeu ficar quebrada por isso. Valeu chegar em Curitiba e ir direto pro trabalho, acabada. Valeu pagar quase o preço do ingresso no estacionamento. Valeu tudo.

The long and winding road that leads to your door…

Como só consegui ingresso – graças à minha amiga Nê, e fica aqui minha gratidão – para o show de segunda-feira (o 2º em São Paulo), peguei algumas pequenas mudanças no repertório. As principais estavam ali, mas logo de cara saíram Venus and Mars/Rock Show e a abertura foi ao som de Magical Mistery Tour. Fora isso, não foram muitas alterações. E eu gostei das músicas que entraram, embora também gostasse das que tiveram que sair. De surpresa mesmo, teve Bluebird.

All the lonely people, where do they all come from?

A banda é uma atração a parte. Principalmente quando chega a hora de Dance Tonight, quando o show é todo do baterista  Abe Laboriel Jr. Se você viu o show transmitido pela Globo no domingo (21/11), percebeu que ele toma conta. E é realmente bem divertido. Até consegui ver um pouquinho do palco nessa hora, porque ele fica no alto e rouba toda a atenção.

You don’t know how lucky you are, boy, back in the USSR…

Eu tive medo de desmaiar por causa do aperto e do abafamento, não vi nada do palco – posso ter visto o Paul por algumas frações de segundos, quando pulei – e só dei de cara com um tapume de quase 3 metros que separava a pista prime do ‘resto’. Os portões abertos levavam você diretamente pra lateral do palco e, com a aglomeração, era impossível ir mais pro fundo. Logo, eu resolvi ignorar meu mau humor e curtir o telão, o som impecável e atmosfera.

You may be a lover but you ain’t no dancer, helter skelter…

Um do momentos mais emocionantes foi, com certeza, quando ele cantou Something e fez uma homenagem ao amigo George (Harrison). Não só porque a música era uma das queridinhas, mas porque foi realmente muito legal.

E, pra mim, foi também lindo quando Paul tocou Here Today, e a ofereceu a John Lennon (pelo que entendi, McCartney fez a música pra ele). Eu, que já gostava da música, gostei ainda mais. É nostálgica, sincera e fofa.

Didn’t understand a thing, but we could always sing…

E se for pra destacar mais emoções, não tem como deixar de fora Give Peace a Chance, que veio grudada com A Day in the Life. Foi, na verdade, excepcional. Pouco mais de 60 mil pessoas cantando juntas, entoando, como se fosse um hino. No telão do palco, o símbolo da paz (aquele mais famoso mesmo, o da Campanha de Desarmamento Nuclear… ou simplesmente aquele da ‘paz hippie’).

All we are saying is give peace a chance…

Let it Be foi lindo, como eu já esperava que fosse. Talvez fosse a música que eu mais esperava, aquela pela qual eu tenho mais carinho… e foi genial. Ao piano, quase no fim do show. Aliás, é uma sequência pra ninguém botar defeito. Let it Be, seguida pelo show pirotécnico – momento mais rock’n’roll do show – de Live and Let Die e terminando com Hey Jude. E, por um longo momento, o estádio fica ao som de “nanananananana”. O Paul vai, sob o som do seu trauma, o nananana (imaginem o quanto os fãs não desestruturam ele com esse nanana). Mas logo ele volta para o primeiro bis da noite.

And when the broken hearted people
Living in the world agree
There will be an answer:
Let it be

O carisma de Paul é indiscutível. Suas poucas palavras em português, a maioria delas ensaiadas ou escritas em um pedaço de papel (“Essa música eu escrevi para minha gatinha Linda, mas essa noite ela é para todos os namorados”) eram carregadas de sotaque e simpatia. É fácil ver porque ele se tornou um dos maiores músicos da história. Não só pela competência como compositor ou como músico completo, mas pela simpatia e atenção. Ali, no palco, é tudo muito natural para ele, e o fôlego desse Sir de 68 anos é de causar inveja. Tanto é que é verdade o que ele disse ao Fantástico… não para nem pra beber água. Pelo menos eu não vi. Se bem que eu não vi, de fato, muito.

Oh, I believe in yesterday…

“Oi paulistas” foi a primeira de muitas frases. Mas, com certeza, o destaque fica para a rima que o divertiu durante o início do show “Tudo bem in the rain? Tudo bem in the rain..?“. Algumas outras coisas ele disse em inglês mesmo, como quando contou que a guitarra na qual iria tocar Paperback Writer é a mesma guitarra com a qual ele gravou a música originalmente.

Sense of wonder, sing your praises…

E se falamos sobre o que Paul andou falando no show, não posso esquecer da brincadeira do “Ô São Paulo…”. A gente chegou à conclusão de que ele estava testando as pessoas. Começou com o “ÔôÔ São Paulo..”, progrediu pro “Oh yeah, São Paulo” e teve suas variantes, sempre repetidas com fidelidade pelo público. Passou pelo “Yeah, yeah São Paulo” e por muitas outras onomatopéias, até que chegou no “Roar São Paulo”. Daí, nem ele entendeu mais o que ele disse, algo como “%¨@¨!&!(*)(#* São Paulo”, e a galera lá, firme e forte. Era tudo festa.

Hey, Jude, don’t make it bad, take a sad song and make it better…

Enfim, é muita coisa pra dizer. Não dá pra falar de tudo. Minha amiga, que me fez companhia e que animou comigo, disse que o show foi irretocável. Eu poderia dizer também, mas a minha opinião não vale tanto quanto a de uma quase graduada do curso de Música da USP. Falou que conseguiu ouvir cada instrumento perfeitamente. Bom eu só ouvi a combinação, mas achei o máximo, haha. E talvez a música que mais me divertiu seja a básica Ob-La-Di, Ob-La-Da.

Obladi, oblada, life goes on, bra…

No fim das contas, o que eu posso dizer? Foi maravilhoso. Quando a segunda música começou, All my Loving, acho que todo mundo se deu conta de que era mesmo um ex-Beatle que estava ali na frente. É quando você se toca que é mesmo o PAUL MCCARTNEY ali tocando. Olhei pro lado e tinha uma menina chorando. Olhei pro outro, um cara mais velho, cantando a plenos pulmões. Todo mundo junto, o mesmo sentimento. Sem importar a idade, se é homem ou mulher. Coisas atemporais. Coisas que só clássicos como Beatles são capazes de fazer.

All my loving I will send to you…

Tive que sair no final do segundo bis, pouco depois que o Paul voltou ao palco com uma bandeira do Reino Unido e uma do Brasil, levando todo mundo à loucura. Enquanto eu deixava o Morumbi, ainda ouvia…

We’re Sgt. Pepper’s Lonely Heart’s Club Band
we hope you have enjoy the show
Sgt. Pepper’s Lonely Heart’s Club Band
We’re sorry but it’s time to go…

Inesquecível :].

(Vídeo de agradecimento do Paul aos fãs brasileiros e argentinos :} )

Publicado por: Lê Scalia

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