(4x) Pânico

Pânico 4 (Scream 4)

Já fazia mais de 10 anos que não ouvíamos o célebreHello Sidney“. Ok, se minha memória não falha, infelizmente continuamos sem ouvir. Mas o saldo do retorno da série é, de longe, positivo.

A trilogia marcada pela metalinguagem, as livres referências aos clássicos do cinema e por arriscar um pézinho no terreno da comédia e o outro no do terror acabou se dando bem mesmo pelo suspense.

Talvez por brincar com questões óbvias (e toscas), como a loira burra e bonita que é sempre a primeira a morrer. Mas o mais legal é  a forma como os filmes são construídos, baseando-se em arquétipos e muitas referências ao próprio gênero “horror” no cinema.

Um exemplo simples? Pânico (1): o zelador, Fred, da Woodsboro High School limpa o corredor.

O genérico.

Te lembra alguém?

O original.

Como nada nesse mundo é por acaso, talvez você saiba que o criador de A Hora do Pesadelo (Freddy!) é o próprio Wes Craven.

Pois é. Já se foi mais de uma década desde que vimos em Scream (e em suas sequências) os então desconhecidos Jerry O’Connel (Scream 2), Omar Epps (Scream 2; o Foreman! Em sua melhor atuação na carreira), Patrick Dempsey (Scream 3; McDreamy!!!), Kelly Rutherford (Scream 3; Lily Humphrey),  Timothy David Olyphant (Scream 2); a “nem tão desconhecida assim” Drew Barrymore (Scream) e a já quase-famosa Sarah Michelle Gellar (Scream 2; bombando em Buffy/97-98). Entre outros como Jada Pinkett (a senhora Will Smith), Rose McGowan (ex-Charmed), Matthew Lillard (o Salsicha, se Scooby Doo) e companhia.

O sucesso do trio principal era garantido pelo público das séries: Neve Campbell (Party of 5) e Courteney Cox (no auge em Friends), e completado por David Arquette.

Mas não pretendo analisar aqui a “qualidade” do filme. Quero discutir as estratégias do diretor Wes Craven e do roteirista Kevin Williamson.

O pôster que traz o trio de protagonistas já mostra o tom do que viria a seguir: “New Decade. New Rules“.

Scre4m

E devo dizer, é exatamente assim que funciona. Ou quase exatamente. Algumas regrinhas básicas de todo e qualquer filme de “terror” que se preze não podem ser mudadas. Dizer “Já volto“, por exemplo. Mau sinal.

No universo de Pânico, as ligações não podem faltar. São parte do MO (modus operandi) do bom e velho Ghostface. E acredito que são essas mesmas ligações as responsáveis por grande parte do suspense da trama.

Também estão lá aqueles momentos em que o assassino desaparece e uma pessoa xis surge, ofegante, do nada e se torna, instantaneamente, suspeito.

O que permanece, ainda, é a ligação dos personagens com os filmes de horror. E volta a discussão de Pânico 2: a TV tem influência no comportamento agressivo de algumas pessoas? Afinal, algo que nunca falta nos filmes é a famosa frase “what’s your favorite scary movie?”.

Mas vamos lá. Voltemos à questão do que é que faz de Pânico 4 (Scre4m) um filme que supera as expectativas.

Quando a trilogia original foi lançada, em 1996, eu tinha 8 anos. Não consigo me lembrar de quando eu assisti aos filmes, mas eu gostava.

Era minha fase de ‘adolescente-que-adora-filmes-de-assassinos‘. Superei (graças haha). Portanto, eu fui uma daquelas pessoas que torceu o nariz e disse “Nooossa, Pânico 4?! Pfff…” e que completou logo “mas quero ver“. Foi quase instantâneo. Assim que vi que o novo filme traria o mesmo elenco dos outros e que teria a dupla Wes Craven/Kevin Williamson na direção/roteiro eu quis conferir. Não botava fé, mas fui aceitando a ideia.

Quando vi o trailer, me diverti. E quando o filme foi lançado, essa semana, percebi que eu queria muito vê-lo. Sabia que seria mais comédia do que qualquer outra coisa, mas isso é, de fato, o ponto forte do filme. Suas tiradas e situações que fazem você pensar que está vendo “Todo mundo em Pânico” não o transformam em um longa ruim. Pelo contrário, constrói a única possibilidade de sucesso para o filme. Afinal, é sempre meritória a capacidade de rir de si mesmo.

Mas como levar ao cinema adolescentes que provavelmente não eram nem nascidos quando a trilogia estourou? Porque era fato: se os fãs foram convencidos a ir lotar algumas sessões por “consideração”, era difícil vislumbrar um cenário em que houvesse jovens (os maiores consumidores do gênero) que comprassem a ideia.

E aí, pra mim, entra a genialidade de Craven e Williamson. Eles escalaram um elenco a parte. Além do trio original, que garantia a presença dos fãs, “novas celebridades” chegaram a Woodsboro. A dupla recheou o filme com a “galere do momento“. Estrelas em ascensão que garantem, no mínimo, uma espiada. É o que eu chamaria de elenco sub-20.

Lucy Hale (Pretty Little Liars), Shenae Grimes (90210), Aimee Teegarden (Friday Night Lights), Brittany Robertson (Life Unexpected) e Marielle Jaffe(novatinha) fazem parte desse elenco infanto-juvenil.

Mas quem chama mesmo a atenção é Emma Roberts (sim, sobrinha da Julia!) como Jill Roberts, Hayden Panettiere (a Claire, de Heroes, mas linda do que nunca – e atuando melhor também) como Kirby, Rory Culkin (irmão do Kevin McCallister, minha gente!) como Charlie, o pretendente a galã Nico Tortorella (da falidíssima The Beautiful Life) como Trevor Erik Knudsen (Jericho) como Robbie Mercer.

Marley Shelton, Adam Brody (eterno Seth Coen), Anthony Anderson e Alison Brie (Community e Mad Men) dão mais força (e maturidade) ao elenco. Mas o equilíbrio vem mesmo pelas mãos de Neve, Courteney e David.

Destaque também para Anna Paquin (True Blood) e Kristen Bell (Veronica Mars), em uma participação relâmpago sensacional haha.

É nesse clima que o filme fala sobre sequências e refilmagens. Se em Pânico 1 ninguém tinha celular, em Pânico 4 todo mundo tem iPhone. E, convenhamos, vivemos em uma época na qual ser stalker é consideravelmente mais fácil. Ou, pelo menos tem mais possibilidades (facebook, foursquare, twitter..!).

Os méritos de Pânico é que o filme não tenta esconder isso. Ele se aproveita desse cenário. Os personagens não agem mais como garotos de 17 anos assustados. Sidney escreve um livro sobre como deixar de ser uma vítima, mas o legal é que suas atitudes demonstram isso. Ela se tornou mais forte, mais corajosa e o embate entre ela e o Ghostface se tornou bem mais interessante com isso.

O enredo, que gira (uma vez mais) em torno de Sidney Prescott não é exatamente o forte do longa. A “sobrevivente” dos Massacres de Woodsboro é vista como um “anjo da morte”. Tudo em que Sidney toca está fadado a morrer.

Mas isso não o mais importante. O roteiro é bem amarradinho por Williamson (responsável pela minha série adolescente favorita do momento, The Vampire Diaries) e a direção continua no mesmo nível dos outros filmes. Te passando um susto aqui e outro ali e fazendo com que a inclinadinha de cabeça do Ghostface continue bizarra.

Enfim, pode-se dizer que o filme agrada. Não pelo “medo”, até porque o momento mais amedrontador do filme foi o trailer de Insidious. Mas pela diversão, pelo tom de conforto (que vem daquilo que já conhecemos) e, principalmente, pela nostalgia.

Pânico 4 é um enigma. Quase uma refilmagem original. Se é trash? Sim, é. Mas é um “trash cult”, se é que isso existe.

***

Momento “Você sabia?”:

STAB, a franquia dentro dos filmes é creditada ao diretor Robert Rodriguez, sendo que os primeiros são baseado nos livros escritos por Gale Weathers (Cox).

Publicado por: Lê Scalia

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Sobre Lê Scalia

Mineira, corinthiana e publicitária. Apaixonada por cinema, também adora viajar: pelo mundo, por um livro ou pela vida. Às vezes irônica, sempre intolerante: a ignorância, falta de respeito e lactose. Pra mais @LeScalia.

Publicado em 19/04/2011, em Cinema e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 1 Comentário.

  1. Estou louca para assistir este, já vi os outros três filmes.

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