#VivemosDeCorinthians

Wallpaper do Corinthians

Clique na foto para ampliar.

Quando o marketing do Corinthians anunciou que as camisas do time não teriam mais as tradicionais estrelas, mantendo apenas o escudo (e os vários e vários patrocínios), eu estranhei.

Gostava do contraste do amarelo com o vermelho da âncora e dos remos, o preto e o branco. Dava um ar mais “alegre”, talvez. Pensei “sobrevivo”, mas fiquei curiosa pra entender como é que eles explicariam essa ausência.

E, aí, a Nike, uma vez mais, me surpreende. Qual a razão pra se tirar do peito os símbolos que estampavam algumas das maiores glórias do clube?

Porque, pro corinthiano, o pentacampeonato brasileiro vale o mesmo tanto (ou, me atrevo a dizer, mesmo menos) que o campeonato paulista de 77. Pro corinthiano, a Invasão do Maracanã em 76 é mais importante do que a “invasão” de 2000. O corinthiano tem um jeito todo diferente de ser, de se apegar, de torcer. Se vem fácil não tem o mesmo sabor.

E, por isso, por sorrir feliz nas derrotas, mas principalmente por bater no peito, com orgulho, nas derrotas. É nesses momentos difíceis, como a queda pra série B, que o corinthiano se torna mais corinthiano. É quando ele grita mais alto, quando sofre mais. Quando ama mais.

E talvez os outros torcedores não entendam isso. Não compreendam quando a gente diz que não vive de títulos. A gente vive do Corinthians. E, praqueles que acham que é pouco, a gente vive por ti, Corinthians.

E, em uma ação das mais espertinhas do mundo, a Nike se aproveitou desse mantra da Fiel (um dos tantos) e apoiou sua retiradas das estrelas justamente aí. Confesso que essa ligação eu achei genial. Bem como o texto que saiu nos jornais hoje.

Mas não é algo inédito, algo que brotou na ideia de algum marketeiro por aí. Isso veio da torcida, bem como a campanha que ganhou Cannes sobre a República Popular do Corinthians. Claro que a campanha é sensacional e tudo que criaram pra isso ficou perfeito. Mas, a nação, quem criou foi o corinthiano.

República do Corinthians - Uma nação de 30 milhões de Loucos

O mesmo aconteceu com a camiseta do “Eu Nunca Vou Te Abandonar Porque Eu Te Amo” (que não é da Nike, pelo menos não a versão mais famosa). A própria camisa do Centenário estampa um pedaço do hino.

camiseta-centenario-corinthians

Tu és Orgulho

E já que falamos em gritos da torcida, teve também a propaganda sobre o “bando de loucos”.

Orgulho de ser louco.

Por aí vai.

Certa vez, li em algum lugar que “o Corinthians é um fenômeno mercadológico”. Coisas atípicas, coisas corinthianas, acontecem com a gente. Como quando caímos pra segunda e a venda de camisas aumentou. Andres Sanchez percebeu e resolveu explorar isso(embora eu não confie no bom senso do Luis Paulo Rosenberg e seja contra MUITAS coisas que ele faz [a tal da terra sagrada = RIDÍCULO]).

Funciona. A torcida do Corinthians só precisa do Corinthians… e tanta paixão assim é capaz de movimentar muita coisa (e muito dinheiro). Então, a Nike tem apostado nisso. Ela estuda a torcida, entende o que é ser corinthiano e faz um bom uso comercial dessa compreensão.

E, assim, voltamos ao início do post. Mais um acerto da Nike com propagandas legais e um vídeo [narrado pelo senhor presidente do Curintiá, Andrés Sanchez] muito bem feito. E a explicação da retirada das estrelas? Genial, embora não seja esse o real motivo. Aprovei a razão poética.

Ganhamos. O que não muda?

Não muda o jeito de torcer, de gritar ou de sofrer.
Porque se não for sofrido, não é Corinthians.
Não muda o tamanho do amor, nem o da torcida.
Porque Corinthiano não aparece só quando ganha.
Se pudesse, vestiria a camisa todo dia, fosse campeão ou rebaixado para a décima divisão.

Mais uma estrela veio.

É claro, vamos comemorar. Mas sabendo que, mais importantes que as estrelas, são nossa bandeira, nossa âncora, nossos remos e nosso timão. Aqueles que beijaremos orgulhosos dia após dia. Jogo após jogo. Campeonato após campeonato.

Porque Corinthiano não vive de títulos. Corinthiano vive de Corinthians.

Pois é.

Não vai ser nenhuma surpresa se a próxima campanha disser “Só quem é, sabe o que é“. E acredite, vai ser mais um sucesso.

PS: Alguém lembra disso? Ronaldo (aka Gordinho) já estampou o “Muitos vivem de títulos. / Nós vivemos de Corinthians.” ano passado.

PS2: E o ídolo corinthiano (e brasileiro), Sócrates, morreu como um dia, em 1983, desejou. Em um domingo, com o Corinthians campeão.

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Sobre Lê Scalia

Mineira, corinthiana e publicitária. Apaixonada por cinema, também adora viajar: pelo mundo, por um livro ou pela vida. Às vezes irônica, sempre intolerante: a ignorância, falta de respeito e lactose. Pra mais @LeScalia.

Publicado em 05/12/2011, em Outra e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Assim, eu achei genial tb uhauahauahau
    Principalmente porque essa campanha daria certo (talvez mais certo) se o Corinthians não tivesse ganhado.
    Outra coisa… os times europeus tb não têm as estrelas nas camisas, né? achei muito elegante (ahahahahahah) da parte do corinthians tirar as estrelas…. uahuahauahau pq realmente né, o que importa é o time, não o número de vitórias =|

    • Isso aí, Lú hahahaha. Sempre sensata!
      Então, seria MAIS elegante tirar os 50 patrocínios hahahaha, ia ficar linda a camisa… mas fazer o que, ainda não temos dinheiro pra isso.
      E acho que a campanha veio em boa hora, pra não parecer “desculpinha de perdedor” :P

      • uahuahuahauhauahau
        é verdade! o próximo passo é tirar os patrocínios uahuahauhauahua!

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