Oscar 2012: Histórias Cruzadas (The Help)

Indicações (#4):

Melhor Atriz (Viola Davis)
Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer)
Melhor Atriz Coadjuvante (Jessica Chastain)
Melhor filme

The Help fala sobre a vida (as dificuldades, as humilhações e os preconceitos) dos negros em Mississipi na década de 60. Foca, especialmente, no lado feminino dessa luta pelos direitos civis: a rotina das empregadas domésticas, responsáveis pela casa e filhos de seus “senhores” brancos.

Até 1965 o Racismo era legalizado nos Estados Unidos. Leis, como as da “era Jim Crow” – decretadas no sul do país – separavam perante o estado, negros e brancos (além de outro grupos), negavam aos cidadãos que não-caucasianos uma série de direitos.

Dentre outras coisas, era proibido o casamento interracial e havia uma segregação rígida nas escolas, transportes e banheiros públicos. Quando foi liberado, mais de 70% da população americana era contra o casamento “entre raças”.

A KKK (Ku Klux Klan), que existe ainda hoje e havia surgido como uma reação à abolição dos escravos (e ao revanchismo que se seguiu a isso), pregava a supremacia branca e muito atuou durante essa época. Enquanto isso, negros eram linchados e queimados vivos sem qualquer julgamento. Ao mesmo tempo, grupos defensores dos direitos negros – mais ou menos radicais -, como o Black Power,  também surgiam.

Mas por que falamos especificamente do sul? Como se sabe, o sul dos EUA é composto pela porção mais “conservadora” do país. Os grandes fazendeiros, os estereótipos do Bush, e, resumidamente, a filosofia WASP: Brancos, anglo-saxões e protestantes. E, claro, porque nosso filme se passa lá.

The Help conta a história de duas personagens: Eugenia ‘Skeeter’ Phelan (Emma Stone), uma jornalista branca, “simpatizante da oposição”, decidida a escrever sobre algo que importasse. Já pouco usual para as mulheres de sua época – e totalmente diferente de suas amigas -, Skeeter escolhe a faculdade e um emprego, ao invés casar-se e tornar-se uma dona de casa.

Pelo outro lado, temos Aibileen Clark (Viola Davis). Juntas, Aibileen e Skeeter resolvem escrever um livro (“The Help”) mostrando o dia a dia dessas ajudantes. Fato que além de delicado, esbarraria nas fronteiras da legalidade.

O drama ganha por vezes contornos de comédia, tratando de um assunto forte de maneira leve e chegando mesmo a arrancar risadas. O visual do filme, como referente à década de 60 é impecável. A trilha sonora também tem seus momentos. Porém, é na atuação que “The Help” explica suas indicações ao Oscar.

Emma Stone está bem, mas pouco aparece em meio a tantas atuações brilhantes. Octavia Spencer é um alívio em todas as cenas que protagoniza. Minny, sua personagem, ganha fácil a simpatia do público.

Jessica ChastainCelia Foote – aparece como integrante de uma parceria doce e improvável, enquanto o comportamento de Bryce Dallas Howard - Hilly Holbrook – indignam e seus ataques histéricos divertem.

Apesar de tantas disputas pela atenção no elenco basicamente feminino, é para Viola Davis que todos os olhares se viram. Sempre que Aibileen entra em cena, seja falando, ou mais frequentemente em um silêncio temeroso e resignado, você é capaz de sentir que aquela mulher tem muito mais do que aparenta. Carrega muito mais do que se imagina. É muito mais do que parece.

Grande parte do sucesso do filme tem base justamente nesse fator humano. A partir de um roteiro que traz à tona diversas emoções, o elemento que representa isso torna-se mais essencial do que nunca. E, nisso, uma vez mais, é preciso parabenizar Viola Davis. Você pode ser branquinho da silva, nunca ter tido nenhuma experiência com discriminação e nem sequer imaginar o que é sofrer na pele um tipo de preconceito; ainda assim, Viola é capaz de fazer com que você se identifique com ela. E isso só grandes atores conseguem.

Viola chega firme na disputa pelo Oscar (é minha favorita!), mas deve ser “derrotada” pela diva Meryl Streep (e,convenhamos, perder pra Meryl é uma honra). A disputa nessa categoria é sempre forte (Meryl, indicada 17 vezes e vencedora de 2 prêmios que o diga). Glenn Close em um papel diferente também concorre, junto de Rooney Mara (atuando bem) e Michelle Williams, que corre por fora.

Baseado em um livro (“A Resposta” – STOCKETT, Kathryn), “The Help” é mais puxado para a solidariedade feminina do que para a luta em si. Assim, suave, é um filme feito para conquistar. E o faz bem.

PS: Se enquanto você assistiu ao filme ficou morrendo de vontade de experimentar a torta de chocolate da Minny (e ainda manteve a coragem após o final), clique aqui e veja a receita!

Indicações (#4):

  • Melhor Atriz (Viola Davis)
    Aposta: não vence (tem uma Meryl no meio do caminho)
  • Melhor Atriz Coadjuvante (Octavia Spencer)
    Aposta: vence (mais torcida do que qualquer outra certeza)
  • Melhor Atriz Coadjuvante (Jessica Chastain)
    Aposta: não vence (porque acho que a companheira de elenco leva)
  • Melhor filme
    Aposta: não vence (e não é o melhor filme entre os concorrentes)
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Sobre Lê Scalia

Mineira, corinthiana e publicitária. Apaixonada por cinema, também adora viajar: pelo mundo, por um livro ou pela vida. Às vezes irônica, sempre intolerante: a ignorância, falta de respeito e lactose. Pra mais @LeScalia.

Publicado em 26/02/2012, em Cinema e marcado como , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

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