Oscar 2012: O Artista (The Artist)

Indicações (#10):

Melhor Filme
Melhor Ator (Jean Dujardin)
Melhor Atriz Coadjuvante (Bérénice Bejo)
Melhor Diretor (Michel Hazanavicius)
Melhor Roteiro Original
Melhor Trilha Sonora
Melhor Direção de Arte
Melhor Fotografia
Melhor Figurino
Melhor Edição

Na década de 1920, George Valentin é um astro do cinema em Hollywood. Com o advento do cinema falado, no entanto, o artista não se adapta e cai no ostracismo. Peppy Miller, jovem que passa a despontar como grande estrela de Hollywood, apaixona-se por Valentin e tenta ajudá-lo a voltar para as câmeras.


Há muitas maneiras sob as quais analisar O ARTISTA, e é por isso que me demoro para começar a escrever sobre essa obra-prima. Já me adianto, portanto, e aviso que esta não será uma crítica cheia de detalhes e referências cinematográficas. Mas um breve (íssimo) ensaio sobre porquê eu acho que O ARTISTA é o melhor filme de 2011 e merece levar a principal estatueta da noite.

Se você não é cinéfilo, tudo bem. Acredito que o filme mudo e preto-e-branco dirigido pelo francês Michel Hazanavicius vai agradá-lo. O roteiro, muito bem construído, não deixa o longa parecer cansativo em nenhum momento. A história e as atuações (principalmente a de Uggie, o cachorro) não vão deixá-lo cair no sono, se esse é seu medo. Em alguns momentos, você pode até soltar gargalhadas. Mas se você é cinéfilo, O ARTISTA é um verdadeiro paraíso de genialidade.

Nostalgia e metalinguagem. Essas são as palavras-chave do longa, que conta a história de um astro do cinema mudo, George Valentin (Jean Dujardin), que não acredita na promessa do cinema falado e não se adapta à nova situação, caindo no esquecimento. Em paralelo, uma jovem atriz a quem Valentin ajuda e entrar em Hollywood, Peppy Miller (Bérénice Bejo), acaba se tornando uma grande diva do cinema. Entre os dois, há um romance inocente que cria a linha emotiva da história. Somando-se a isso o tom cômico do cãozinho Uggie, O ARTISTA tem todos os clichês da história do cinema, e por isso (mais as técnicas e referências sutis de Hazanavicius), o filme é uma grande homenagem a Hollywood.

O gênero não é novidade, no entanto. Muitos filmes já usaram da metalinguagem para falar de sua própria história, como é o caso de CANTANDO NA CHUVA (1956), que fala justamente sobre a transição do cinema mudo para o falado (e fonte da qual Hazanavicius bebe muito!). Mas o que faz toda a riqueza de O ARTISTA são as referências presentes em todos os detalhes: na trama, nos personagens, na direção, na trilha sonora, na fotografia, nos planos, nos movimentos de câmera, na cor e no som. Até em sua filmagem! – apesar de toda a tecnologia disponível, o diretor rodou o filme em câmeras antigas e pesadas, e aos atores não forneceu diálogos, eles podiam falar o que bem entendessem, já que as poucas falas do longa entram em interlúdios.

Sugiro que você entre nos links abaixo para uma análise mais profunda das referências e das técnicas usadas no filme.

Cinema em Cena (Crítica de Pablo Vilaça)
Favorito ao Oscar, O Artista faz referências a ícones e filmes dos primórdios do Cinema
O barulho de um filme mudo 

Indicações:

Pela genialidade da técnica, do formato e das referências – e pela esperteza em homenagear a escola americana de cinema -, espero e acredito que O ARTISTA leve o prêmio mais esperado da noite, o Oscar de Melhor Filme. O segundo favorito é AS INVENÇÕES DE HUGO CABRET, uma outra homenagem ao cinema, mas este, que usa da tecnologia mais avançada que há atualmente. Uma disputa bem interessante!

Pelo formato do longa, que exige dos atores a máxima expressão corporal, e porque Dujardin conseguiu atuar como um autêntico astro do cinema mudo, espero e acredito que ele vença na categoria de Melhor Ator. Os concorrentes não estão muito à altura, o que deixa a disputa previsível.

Por sua atuação brilhante, tão quanto a de Dujardin, Bejo bem que merecia este prêmio, mas acredito que o reconhecimento já está feito com a indicação. A favorita da categoria é Octavia Spencer, de HISTÓRIAS CRUZADAS.

Pela riqueza de referências, pela condução da história e pela fantástica metalinguagem, O ARTISTA merece também as estatuetas de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Original e Melhor Montagem. A disputa aqui é com Scorsese e MEIA-NOITE EM PARIS, e A INVENÇÃO DE HUGO CABRET respectivamente.

Pelo papel óbvio de protagonista representado pela trilha sonora, é provável e mais do que justo que o filme vença também nesta categoria. Quanto a Direção de Arte, Figurino e  Fotografia, O ARTISTA não deixa a desejar, mas não é favorito.

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Sobre Luiza Rey

Publicitária, rio-pretense, não come coisas verdes, tem medo de ETs e insetos. Artista frustrada (como todo publicitário), seu sonho era ser cantora. Seu segundo sonho era ser escritora, por isso escreve para este blog e tuíta no @luizarey.

Publicado em 26/02/2012, em Cinema e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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