Jogos Vorazes (The Hunger Games)

Desde o início de 2012, eu estava empacada no tal Cemitério de Praga (ECO, Umberto). E quando eu digo empacada, quero dizer que não conseguia ler sequer uma página antes de dormir. Mas o problema é que eu tenho uma dificuldade gigante para ‘largar no meio’ livros que estou lendo (mesmo que eu não goste deles).

Um exemplo claro disso é o livro de Eco. Assim, eu só desisto após um intervalo aproximado de um ano, ou quando eu chuto o balde e vejo que isso está atrasando minha vida (porque eu também não consigo ler livremente outros livros, tenho a sensação de que há algo inacabado).

Um dos poucos livros que eu lembro de ter abandonado, depois de ter lido a metade e passado entre 06 meses e 1 ano sem pegar porque achava insuportável, foi Eclipse. (Mas esse foi tão grave que eu percebi que continuar lendo seria um desperdício de tempo ainda maior, então, devolvi os livros e fui feliz.)

Eis que essa era minha situação atual. No fim de semana, então, num ato de rebeldia, resolvi (no cinema mesmo) comprar Jogos Vorazes para ler antes do filme, já que o trailer havia me interessado – e, bom, parecia uma leitura mais simples e divertida do que a ficção italiana.

No domingo mesmo, li umas 50 páginas. Para a minha surpresa, ontem à noite eu já havia terminado a leitura. Agora, depois de toda essa enrolação, vamos às impressões que eu tive do livro.

Antes de qualquer coisa, vale a pena uma rápida sinopse.

Jogos Vorazes se passa no futuro (se próximo ou remoto, não sei precisar… afinal, o livro não diz a data, mas coloque uns bons anos aí), em um país chamado “Panem”, que se localiza onde um dia existiram os Estados Unidos da América, composto inicialmente por 13 distritos + a Capital.

No entanto, uma rebelião contra o distrito mais rico (e que os governava), culminou com a destruição do Distrito 13 e uma punição aos demais distritos, para que se lembrassem sempre que quem manda ali é a Capital.

A punição é justamente a edição anual dos Jogos Vorazes, que consiste, basicamente, em dois “tributos” de cada distrito que são jogados em uma arena para se degladiarem até a morte, restando apenas um vitorioso.

Por que isso?!

Porque os distritos são obrigados a somente assistirem à morte de seus filhos, com violência e sangue de sobra, tornando evidente a impotência deles. Para piorar, a “Colheita” (sorteio dos tributos) deve ser tratada como uma festividade.

Quem são os tributos?

Os “elegíveis” a participar dos jogos são jovens de 12 a 18 anos (obrigados a se inscrever). Quanto mais velho você fica, maiores são as chances de ser sorteado. A cada ano que você passa em idade elegível, um papelzinho com seu nome é adicionado à urna. Assim, alguém de 12 anos tem 1 papelzinho, alguém de 13 tem 2, de 14 tem 3 e, por fim, aos 18, tem no mínimo 6.

Nossa protagonista, Katniss, tem 16. Sua irmã, Prim, somente 12. E mesmo com “todas as probabilidades a seu favor”, Prim é sorteada para servir como tributo feminino no Distrito 12. É aí que a história começa (e, uma coisa boa, esse ainda é o primeiro capítulo).

Katniss Everdeen é uma adolescente amadurecida (e endurecida) pelas condições de sua vida. Órfã de pai, ela sustenta sua família no paupérrimo Distrito 12, localizado em uma região rica em carvão, antigos Montes Apalaches. Protagonista forte, que eleva a mulher a um patamar incomparável àquele ridículo criado por Stefanie Meyer, ela demonstra qualidades como solidariedade, compaixão, justiça, honestidade e fidelidade. Mas o que a move, sem dúvida, é o amor por sua irmã mais nova.

É, ainda, isso que faz com que ela se voluntarie (como você já deve saber) no lugar de Prim. Seus defeitos, como o medo ou a irritação e o descontrole não fazem dela alguém ruim. Pelo contrário, fazem-na real. E isso talvez seja uma das coisas mais interessantes no livro.  Por mais absurda que a situação pareça, é possível identificar-se. Essa empatia com alguns personagens garante uma base no decorrer da história. O que você faria no lugar dela..?!

E já que falamos no absurdo que, a princípio, parece ser o ponto de partida de Jogos Vorazes, a história mostra que não estamos tão longe disso. É um futuro construído no passado. Basta parar para lembrar a vida no Império Romano e facilmente nos recordamos da política do pão e circo, com as horríveis – quase inacreditáveis – mortes no Coliseu. Não apenas de infratores, como de cristãos inocentes.

Desde então, observar mortes violentas, torcer, fazer apostas e se divertir com o sangue alheio, como se não fosse alguém como eles ali na arena, já era sucesso. O que a autora fez foi unir essa ideia ao último vício da audiência, os reality shows. Suzanne Collins afirma, ainda, que a ideia veio justamente daí. Ao assistir à TV, observou um reality show e depois imagens da guerra do Iraque. As duas coisas se uniram e ela imaginou o livro.

Além disso, o pai de Collins prestou serviço militar e isso refletiu na sensação de perda (do adorado pai) que Katniss carrega durante o livro todo.  Lendo um pouco a respeito de Jogos Vorazes também vi que a história do mito de Teseu (aquele que matou o Minotauro) inspirou o universo de “Panem” e a personagem de Katniss seria um tipo de Teseu.

O livro apresenta personagens e hábitos estranhos sem se preocupar muito em explicá-los, o que acaba sendo positivo, porque a história se desenvolve melhor. Outro mérito de Collins é o fato de ela saber descrever cenas de ação.

(Diferente de outras pessoas por aí que gostam de passar por essas cenas como “aconteceu tudo muito rápido“.)

O que é uma habilidade fundamental, já que das 400 páginas do livro, 250 se passam na arena, com os personagens lutando por suas vidas. Isso aliado às presenças benéficas de Rue e Peeta, que diminuem a tensão e pontuam com momentos mais lentos e doces a história, acaba tornando a leitura bem susse.

Jogos Vorazes possui um universo meio bárbaro, sem dúvida. E até um pouco sádico. Mas mostra-se uma história interessante, e que poderia ser ainda melhor se não fosse narrado por uma personagem de 16 anos, porque, afinal, ela é adolescente… e isso sempre pode se tornar um tanto chato.

Mas analisa ouras questões e busca referências, não deixando que Panem se afaste tanto da realidade a ponto de parecer um outro mundo. A punição do roubo com a morte, os castigos aplicados a infratores, a dificuldade para encontrar comida, o escambo, a escassez de dinheiro, tudo isso é, de uma forma ou de outra, crível.

O futuro criado por Suzanne Collins não é brilhante, não possui jatinhos reluzentes, não tem carros voadores. Seu futuro é fúnebre, triste, sujo. É consequência de guerras, resultado do poder e da desigualdade. Achei, ainda, muito interessante como ela trata durante todo o tempo a questão da comida.

A dificuldade de passar fome, de não ter o que comer durante dias, de ter que caçar. A visão de uma coisa tão simples como se fosse o maior banquete da Terra. Isso sim não está nenhum pouco longe. Muito pelo contrário, é mais comum do que gostaríamos de admitir. E achei válido repensar nisso; eu, que graças a Deus, nunca passei um dia sem comer. O mesmo vale para a água. Não acho que o objetivo de Collins fosse uma reflexão a respeito dos recursos naturais, mas se faz pensar, ótimo.

Por fim, o livro é sim interessante. Fácil de ler, rápido, empolgante. No entanto, não sei o que esperar de sua sequência. O final me pareceu meio despropositado. Meio “over”, exagerado em sua reação. Pelo que foi apresentado, achei meio fraco. Embora acredite que  a nova proposta irá se desenvolver melhor nos próximos dois livros.

Para o filme, acho que só tende a melhorar. Acredito que conseguiram tornar a história um pouco mais adulta e alinharam alguns detalhes que deixam o longa mais positivo. É como se tivessem fincado um pouco mais os pés na realidade, aproximando a história da realidade. A troca dos cabelos cor de rosa de Effie Trinket por roupas cor de rosa podem mostrar um pouco isso.

Ainda vale citar que o caminho romântico e o triângulo anunciado me surpreenderam. Quando pensei em ler e/ou assistir a Jogos Vorazes, em nenhum momento, eu tinha em mente um romance. Espero que seja tratado com cuidado.

De qualquer maneira, vale a leitura. E deve valer também o ingresso. Para quem não tinha muitas expectativas, foi uma boa surpresa.

E já que falamos um pouquinho sobre os filmes, vale conferir alguns dos personagens principais de Jogos Vorazes, que estreia nessa sexta.

Katniss Everdeen – protagonista. O livro é visto a partir de seus olhos. Vai para a 74ª edição dos Jogos Vorazes no lugar de sua irmã mais nova, Prim, sorteada na Colheita.

Peeta Mellark – o outro tributo do Distrito 12. Filho do padeiro, divertido e agradável.

Gale – melhor amigo de Katniss. Eles caçam juntos.

Cinna – “estilista” de Katniss, fundamental na campanha para conseguir patrocinadores.

Effie Trinket – parte da equipe de apoio aos tributos.

Haymitch – um dos únicos ex-tributos do Distrito 12 que já venceram os JogosVorazes. É o treinador de Peeta e Katniss.

Cato – um dos principais candidatos a vencer os Jogos Vorazes, um tributo que treinou a vida toda para os jogos.

Rue – tributo do Distrito 11, tem somente 12 anos (mesma idade de Prim).

May the odds be ever in your favor…

About these ads

Sobre Lê Scalia

Mineira, corinthiana e publicitária. Apaixonada por cinema, também adora viajar: pelo mundo, por um livro ou pela vida. Às vezes irônica, sempre intolerante: a ignorância, falta de respeito e lactose. Pra mais @LeScalia.

Publicado em 21/03/2012, em Cinema, Literatura, Livros e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 11 Comentários.

  1. Por que o Gale tem um cartaz só pra ele? hahahaha
    Ele mal aparece na história, nessa primeira pelo menos.

    O que eu achei legal sobre o que li do filme é que ele não fica limitado à história contada pela protagonista. Ele vai mostrar algumas coisas que não estavam na visão de Katniss, até pra dar uma ‘quebrada’ na longa cena da Arena, acredito eu. Penso que, intercalando as cenas da Arena, eles vão mostrar um pouco dos bastidores dos Jogos, os Idealizadores, as equipes de preparação, e até as pessoas, as famílias, assistindo aos Jogos.

    A crítica do G1 diz que o filme é “fiel e inferior” ao livro, o que me parece meio que um paradoxo hahahahaha Fiel ou inferior? E diz tb que os momentos de “ousadia” são poucos, mas bem colocados. Enfim, concordo com vc que tem tudo pra ser melhor que o livro, ainda que o livro tenha realmente superado expectativas :)

    • Eu li isso tb! De outro jeito haha.. falava sobre o Crane, organizador do jogo (que nem aparece nesse livro) e do Snow (presidente). Acho que vai ter bastante isso, essa mescla, a reação das pessoas… inclusive, o Gale deve aparecer bem mais no filme do que no livro…
      E, bom, ele é a outra ponta do triangulo hahaha.
      Eu acho sim que o filme vai ser mais legal e mesmo mais interessante, acho que vão cortar algumas coisas desnecessárias e melhorar outras… sem contar que é bacana ver cenas de ação transformadas em filmes.

  2. Estou ansioso pra assistir o filme. Gostei bastante dos livros, justamente por ir “direto ao ponto”. Além disso, os personagens são fascinantes. Me impressionou muito o fato de não haver nenhum “herói” no sentido mais clássico – todos têm os seus defeitos e, dependendo do ponto to vista, são até meio fdp, inclusive a Katniss. As sequências são bem legais também.

    • Sim, Lucas, você tem razão! Também achei interessante o fato de serem, por vezes, anti-heróis… é isso que aproxima. Ninguém é perfeito… e aí você pensa o que você faria haha. Tô lendo a sequência, ainda não estou empolgada, mas vamos ver! Valeu o comentário, Lucas :)

  3. Hey, adorei os posts daqui :)
    Eu não tinha vontade nenhuma de assistir o filme, pois não aguentava mais falar nele, mas agora com a sinopse do livro, me deu mó vontade de ler, e quem sabe eu assista o filme :D

    • Monnie, que legal! Que bom que gostou do blog, ficamos felizes! Passe sempre por aqui :D
      Quanto ao livro/filme, estou lendo o segundo agora… achei que deu uma caída no nível haha mas acho que vai melhorar. Ainda quero ver o filme, continuo com a convicção que será divertido.

      Depois conte sua opinião pra nós! :)

  4. parece ser um bom filme……valeu pela sinopse!

  5. Felipe Scalia

    Fiquei com vontade de ler o livro! De ver o filme também!

    Gostei muito do post! Muito mesmo!

    Beijão, Lê!

  1. Pingback: Jogos Vorazes (The Hunger Games) – O Filme « Biscoitos Sortidos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Junte-se a 1.403 outros seguidores

%d blogueiros gostam disto: