Arquivo da categoria: Ficção

Um conto, provavelmente.

Enquanto a música ainda toca.

Chega um momento da vida que você começa a pensar várias coisas a respeito do futuro. Esse momento já chegou pra mim, e na verdade ele resolveu ficar por algum tempo. E o engraçado é que eu, insistentemente sempre passo pelas mesmas perguntas.
Será que algum dia eu vou ser realmente boa no que eu escolhi para fazer da vida? Será que eu vou conseguir comprar um carro com o meu próprio dinheiro? Será que a minha casa vai ser legal, tipo essas de revista de decoração? E… Será que um dia eu vou casar? Nessa onda de um final de semana de cada vez, essa perspectiva parece cada vez mais longe. Porque casar significa encontrar alguém e isso tem uma série de pré-requisitos praticamente impossíveis de serem preenchidos por uma outra pessoa. Mas e se a gente for pega desprevenida pelo tempo que demora para dar um “oi, tudo bem?” e é encontrada por alguém que faz os finais de semana passarem cada vez mais rápido? Aquela pessoa que faz você ignorar o futuro e esquecer dessas perguntas todas. Porque o que importa mesmo é ali, agora. O futuro que espere o tempo que for.
E se você foi encontrada por alguém que faz você inverter as prioridades: descanso durante a semana, trabalho pesado nos finais, fazendo tudo o que aparecer pela frente? E se você resolveu ir de encontro a essa pessoa, ignorando o fato de que o carnaval que já estava planejado há muito tempo, sem ele, vai chegando?
Eu ainda não tive coragem de arriscar respostas para todas as outras perguntas. Para elas, eu tenho só muitos desejos. Mas para essa última seqüência, eu me arrisco em um palpite: toda música acaba, mas isso é razão para não aproveitar enquanto ela ainda está tocando?

Não que seja fácil. Não é. Mas já diria Vinícius: “a vida é pra valer”. E é agora. Dá vontade de pegar leve e aceitar a resposta inevitável daquele “onde isso tudo vai me levar” que não cala a boca dentro da cabeça. Mas por quê? A música ainda está tocando.
E independente das escolhas feitas agora, amanhã, depois, daqui um mês ou daqui um ano, importante mesmo é viver uma vida sem arrependimentos. E a vida não é um filme de 2 horas. Ela acontece a cada segundo que não volta nunca mais.
Aquele medo do que pode acontecer, com a certeza absoluta de que tudo vai dar errado, vem. E vem forte. Ele faz o olho encher de lágrima, o corpo arrepiar inteiro e o estômago ficar gelado. Como se não bastasse, ainda traz com ele uma vontade gêmea de ficar e não pensar em nada. Dormir um sono profundo e só acordar quando a suposta pedra no caminho ficar para trás. Bem longe. Mas viver em função dessa angústia toda nada mais é do que desperdício de tempo. E isso sim leva a lugar nenhum.
Se por um acaso um carnaval for mesmo o fim dessa música, eventualmente outra vai começar. Afinal, alguma vez a nossa vida ficou sem trilha sonora?
Mas se esse for mesmo o fim, eu apostaria uma bola de cristal que em algum momento vai bater um arrependimento de não ter aproveitado mais enquanto ainda dava tempo e tudo parecia um clipe de novela das 9. Então… Enquanto a música ainda toca, aumenta o volume aí, e vai. Sem olhar pra trás. Sem olhar pra frente. Só vai, escutando o que está acontecendo agora.

En Passant: Capítulo 2

Previously on En Passant:

Estamos falando de um detetive que tem o ego maior que o Brasil. Ele está envolvido em um mistério que começou como um mistério, mas se tornou uma questão de vingança. O ‘inimigo’ esteve por cima por um tempo durante o desenrolar das investigações e depois de um revertério, a sorte do nosso herói (?) parece ter mudado. Mas de onde vem esse mistério todo? Quem ousa desafiar o instinto e a marra do nosso detetive? Por essas, e muitas outras respostas, você não perde por esperar…

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En Passant: Capítulo 2

 xadrex

Duas semanas antes.

A fase era boa. Então era só uma questão de tempo para que as coisas simplesmente aparecessem para mim enquanto eu estivesse por aí, en passant. Era só se mover para o lado certo, na direção mais contrária possível da rotina.

Aconteceu que meus pés encontraram um tropeço no meio do caminho. Peça indesejada. Xinguei alto, como de costume, em solidariedade a eles, e enquanto eu os poupava das calçadas de Curitiba, não pude deixar de notar aquela porta a minha frente.

Eu morava ali perto, tinha para onde ir. Mas alguma coisa fez com que eu entrasse a apertasse a campainha daquele hotel. Parecia um negócio de família abandonado. Aquelas heranças que ninguém queria, mas sobrou para algum desgostoso. O sinal da campainha foi atendido, contrariando as minhas expectativas. Achei prudente pedir um quarto. Imprudente foi a cara de surpresa daquele… Recepcionista, por falta de nome melhor, ao olhar alguns papéis amassados e me dizer um homem de sorte jogando no balcão a chave do único quarto vazio. Realmente, quanta sorte.

Imaginei que não poderia sob hipótese alguma ser caro passar a noite em um pulgueiro daqueles. Mas, tudo o que aquele cara disse foi que se eu passasse a noite bem, poderíamos falar de preço. Não era à toa que o lugar estava naquele estado. Enfim.

Peguei a chave e subi alguns lances de escadas. Me achei ousado por alguns minutos, e me convenci de que se ali não houvesse trabalho, pelo menos eu teria uma boa história para contar. Mais provável que teria os dois. Uma recompensa justa.

A cama era para ser de casal, mas com alguém do meu tamanho faltava um pouco para ser de solteiro. Um criado mudo de cada lado. Um abajur de cada lado, mas só um ligava a luz para o quarto inteiro, que terminava a um metro do pé da cama, quase onde começava o guardarroupas mais razo que eu já tinha visto em toda minha vida. Dentro dele, uns cabines, um cobertor chechelento e um cofre antigão. Tentei abrir mas estava trancado. Seria rude em qualquer outro hotel do mundo. Naquele, esperado.

O melhor era a janela, excelente vista para as melhores construções da cidade. Dentre elas, o meu prédio e a melhor janela do meu apartamento. Conseguia ver a bagunça da minha mesa de trabalho, a minha TV, tudo exatamente onde eu tinha deixado. Curioso. Foi como ver a minha vida sem mim.

Mais curioso ainda foram as fotos que eu encontrei no criado mudo. Tiradas daquela janela. Naquele ângulo da minha rotina. Um desocupado? Um curioso? Um desocupado curioso? Um fã, talvez.

Muito provavelmente não. Definitivamente, não.

Hesitei por um instante, mas achei melhor sair fora. Levei todas as evidências comigo, claro. Devolvi a chave na recepção com a mesma cortesia com que ela me foi entregue. Precisava pensar, olhar todas aquelas fotos com calma, na minha casa. Naquela mesa. Alguém começou aquele partida com alguma vantagem. Estava na hora de eu mover as minhas peças. Mas, antes, eu precisava providenciar uma cortina.

continua

Folhetim de Biscoitos é muito mais gostoso!

Quem será que está tomando conta da vida do nosso detetive? O que ele está procurando? E será que ele vai encontrar? Isso e sabe-se lá o que mais, você vê no próximo capítulo de En Passant.

Grande Sertão: Veredas – Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa não precisa de mim para dizer que foi um dos melhores romancistas da história do universo. A literatura brasileira não precisa de mim para dizer que “Grande Sertão: Veredas” é a composição brasileira mais peculiar que existe. Do mesmo jeito, vou dizer.

 

 

Guimarães Rosa, o próprio.

 

“O senhor deve de ficar prevenido: esse povo diverte por demais com a baboseira, dum traque de jumento formam tufão de ventania.”

Guimarães Rosa e “Grande Sertão: Veredas” são um presente para a cultura do país. Explico. O romance, que conta a história do jagunço Riobaldo pelo sertão do país (norte de Minas Gerais, Goiás, Bahia), é, essencialmente, diferente. Ele é construído a partir de uma conversa, ou um monólogo, do personagem principal, Riobaldo, com um suposto visitante. Facilmente, o leitor se encaixa nesse segundo papel. Ou o autor, mesmo. Bem, basicamente, Riobaldo versa sobre as suas andanças de jagunço e do seu relacionamento com Diadorim, outro personagem do livro que o acompanha por quase toda a história, e também faz uma reflexão bastante longa durante a história, sobre a vida, sobre Deus e sobre o diabo.

“O diabo na rua, no meio do redemunho…”

A beleza da obra (são quase 700 páginas de uma fala apenas. Não há capítulos, atos, nada. É a fala do Riobaldo que tece tudo) é o registro “fotográfico” que o autor traça. Aliás, a outra beleza da obra é a linguagem: aqui sim, sem dúvida, Rosa foi o melhor. Ele reinventou o “português brasileiro”, moldando-o ao retrato fotográfico da região. Com estudo em mais de 20 (sim, vinte!) idiomas, o autor costumava falar que eles apenas serviram para aproximá-lo da sua língua natal. Funcionou.

“Aquilo nem era só mata, era até florestas! Montamos direito, no Olho-d’Água-das-Outras, andamos, e demos com a primeira vereda – dividindo as chapadas -: o flaflo de vento agarrado nos buritis, franzido no gradeal de suas folhas altas; e, sassafrazal – como o da alfazema, um cheiro que refresca; e aguadas que molham sempre. Vento que vem de toda parte. Dando no meu corpo, aquele ar me falou em gritos de liberdade. Mas liberdade – aposto – ainda é só alegria de um pobre caminhozinho, no dentro do ferro de grandes prisões. Tem uma verdade que se carece de aprender, do encoberto, e que ninguém não ensina: o bêco para a liberdade se fazer. Sou um homem ignorante. Mas, me diga o senhor: a vida não é cousa terrível? Lengalenga. Fomos, fomos.”

A Rede Globo fez uma minissérie em 1985 baseada no livro, com Tony Ramos interpretando Riobaldo.

“Otacília, estilo dela, era toda exata, criatura de belezas. Depois lhe conto; tudo tem o tempo. Mas o mal de mim, doendo e vindo, é que eu tive de compesar, numa mão e noutra, amor com amor. Se pode? Vem horas, digo: se um aquele amor veio de Deus, como veio, então – o outro?… Todo tormento. Comigo, as coisas não têm hoje e ant’ôntem amanhã: é sempre. Tormentos. Sei que tenho culpas em aberto. Mas quando foi que minha culpa começou? O senhor por ora mal me entende, se é que no fim me entenderá. Mas a vida não é entendível.”


A primeira vista, “Grande Sertão: Veredas” assusta. Enorme, com aquela linguagem difícil. Mas, com certeza, é um dos ápices da literatura do séc. XX, e daqueles livros para serem relidos várias e várias vezes.

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Dois Irmãos – Milton Hatoum

Um mestre do jornalismo literário – Joseph Mitchell e “O Segredo de Joe Gould”

En passant

As luzes da cidade acesas, clareando a foto sobre a mesa. Seus cantos já amassados, mas tentei me concentrar além do que eu via.  Era como se naquela penumbra, por um acaso do destino, eu fosse encontrar a resposta ali. Como se continuar encarando aquela mesma fotografia fosse dar sentido à tudo.

Eu nunca havia me importado. Ou aprendera a não me importar.

Ela me olhava no fundo dos olhos e eu sentia a obrigação, mais que legal, de fazer alguma coisa. Uma obrigação moral que eu nunca experimentara antes e, doía dizer, provavelmente não experimentaria novamente.

Levantei os olhos devagar e observei o quadro, lotado de anotações sem ligação e mais fotos. Nenhuma delas me causava sequer compaixão. Desde que me tornara detetive, eu havia mudado. Eram, agora, apenas partes de um quebra-cabeça sinistro naquela disputa particular que eu travara com meu ‘inimigo’.

Eu não gostava de chamá-lo assim, mas a mídia cunhara o termo. Pra mim, ele era só um oponente em uma partida de xadrez bem arquitetada. Um erro, um movimento em falso, e xeque-mate. Teria sido assim até o final, mas ela apareceu.

Comecei a sentir o que as pessoas normais – e quando digo ‘normais’ acho que me refiro aos não-profissionais – sentiriam em situações assim. Não era mais o mistério que me movia. Não era o desafio. Nem mesmo a necessidade de fazer justiça.

Era vingança.

Senti o corte ainda aberto em minha bochecha arder. Meu último encontro com “o inimigo” havia provocado aquilo. Fechei os olhos, decidido, tentando dar total liberdade ao meu cérebro. Quem sabe assim, ele talvez pudesse juntar as peças por si só. Ligar aquele vulto ágil a alguém no meio daquela confusão de fatos e falhas.

Repassei, mental e cronologicamente, cada evento, cada dia, cada pista, cada morte. Não fazia sentido. Era como se ele conduzisse meus pensamentos, como se planejasse cada jogada para me deixar com a sensação de que tudo estava sob controle. No entanto, seu rei permanecia sempre seguro. Sempre intocável.

Eu me sentia manipulado e não fazia idéia de como mudar aquela situação. Meu ego, que nunca fora exatamente “bem contido”, parecia prestes a encontrar uma solução sozinho se eu não resolvesse aquilo logo. Geralmente, não me importava com o que as pessoas achavam de mim. Mas isso provavelmente acontecia enquanto eu era admirado. Ou considerado um “babaca genial”. Nunca havia sido feito de bobo. Mas dizem que pra tudo tem a primeira vez.

E, serei sincero, aquela primeira vez estava sendo traumatizante. Não deixaria acontecer novamente. Um barulho insistente vindo de baixo fez com que, irritado, eu abaixasse o olhar e encarasse o chão. Meu relógio de pulso apitava, piscando de modo falho, do outro lado da sala. Nem me lembrava de que ele acabara largado ali, quebrado e jogado num canto.

Ele ganhara o vidro rachado no mesmo dia em que eu ganhara minha nova cicatriz. Minha boca se abriu e eu me ouvi exclamar “Puta que pariu!” quando, finalmente naquele jogo, a vantagem era minha.

***

A partir de hoje, inicia-se um experimento no blog. Essa estória aqui começada será continuada por outro integrante dos Biscoitos, na próxima semana. Palpites, comentários, dúvidas, sugestões ou se alguém (Lailis! haha) quiser participar, serão muito bem-vindos. Espero que se divirtam lendo tanto quanto a gente vai se divertir escrevendo!

En passant.

Publicado por: Lê Scalia

O bebê feio

Já ouviu a história do bebê feio? Ninguém queria pegar ele no colo, então ele aprendeu a andar cedo. Super cedo.

Eu, veja você, comecei no andador com 4 meses, e isso meio que é motivo de orgulho para minha mãe. Com 7, eu já andava sozinha, e sempre que ela conta isso, as pessoas se espantam e, claro, sempre lembram da história do bebê feio.

Não existia um sapato que coubesse no meu pé. O menor era imenso. Mas, eu fui vestida nele. Levei alguns tombos por causa disso? Com certeza. Mas o que a minha mãe ia fazer, me deixar descalça? O meu pé demorou para caber naquele tênis. Mas eu andei neles, muito, até uma hora que eles ficaram pequenos para mim. Naturalmente.

Depois, na adolescência, ainda era difícil de definir qual número eu calçava. Não foram raras as vezes em que eu tive que esperar para usar os tênis que a minha mãe comprava. Pelo menos, esse era o conselho: esperar. Mas, quem me conhece sabe que a teimosia, além da pressa, é um dos meus fortes. Nunca me importou se fosse dar bolha, se eu ia ficar com pés de palhaço ou se eu ia levar muitos tombos. Se eu achasse que conseguia, tava feito e, pior, eu estava andando neles perfeitamente, antes que alguém dissesse que tinha alguma coisa estranha. Ou, pelo menos, era disso que eu tentava me convencer. E convencer aos outros.

Depois de um pouco mais crescida, ainda afobada, eu descobri um outro jeito de andar sozinha, não muito seguro igual e com risco de tombos ainda maior. No dia da entrevista, eu ouvi com alegria que a minha contratação era um favor, em nome do meu pai. Ótimo. Eu estava calçando uma função maior que o meu pé. Muito maior. Mas, mais cedo ou mais tarde, eu ia aprender a andar sozinha. Usasse andador, muleta, bengala, rodinha ou que fosse. Porque outra coisa que eu sou é orgulhosa. Claro que eu senti medo de cair quando eu dei os primeiros passos. Mas esse negócio de insegurança é uma coisa que a gente engole. Ou a gente pelo menos tenta, porque tem que.

Eu tentei. Demorei um pouco mais de três meses, mas foi. Ganhei um prêmio com isso e o sapato começou a apertar, mas eu hesitei em arrumar outro. Consciente ou inconscientemente, pela primeira vez na minha vida. Acostumada a dar passos maiores que a própria perna, eu teimei mais uma vez. E agora tenho que aprender a andar de novo.

Tudo isso para obedecer a essa minha ânsia de estar à frente. Antecipar, adiantar, acelerar. Transformar passos em uma corrida. E tudo em uma competição, contra mim mesma. Com gana, com sede de vencer, a mim mesma. Para ser a melhor que a mim mesma. Para evitar críticas, minhas. Porque ninguém sabe me criticar melhor do que eu mesma. Ninguém me ofende mais do que eu mesma. E quando isso acontece, imagine você o meu desespero por alguém fazer uma crítica a mim, antes de mim. Nunca importa do que se trata. Importa que eu deveria ter visto antes. Doentio, sem dúvida.

Se eu era um bebê de fato feio, eu não sei. Mas com certeza eu não ia esperar que me dissessem, se eu fosse. Era melhor eu aprender a andar logo, o mais rápido possível, antes que alguém renegasse colo para mim. Eu super não me espantaria se esse tivesse de fato sido o meu pensamento de bebê. Se eu dei uma passo maior que a perna? Naquela época, não era difícil. Agora? Não é mais novidade. A diferença é que eu ainda não sei para que lado correr atrás.

O primeiro. Muito maior que o pé, quase maior que a perna.

Dois Irmãos – Milton Hatoum

Essa discussão política está meio que me cansando. Sou tarado por uma discussão, mas o nível dessa campanha está caindo mais e mais. Até surgiu a hashtag #aiatolaSerra para definir o candidato tucano.

Por isso, resolvi falar da minha outra paixão temática, hoje. Literatura. Não sou lá grande entendedor, mas já li alguns livros. O último, de ficção, foi “Dois Irmãos”, do Milton Hatoum.

Milton Hatoum, brasileiro.

O Hatoum é daqueles caras que você olha e pensa “tá, certo, se um dia eu for ser alguém, quero ser igual a ele”. Nascido em 1952, em Manaus, é formado em Arquitetura e Urbanismo pela USP. Trabalhou como jornalista cultural e professor universitário, estudou literatura nos anos 1980 em Barcelona, Madri e Paris. Já ganhou tudo que é prêmio americano em relação a ensino, e hoje escreve para o Caderno 2, do Estadão. A biografia completa tá no site dele, vale a pena dar uma olhada. É contribuição cultural e literária para tudo que é país do mundo.

Bem, “Dois Irmãos” é um romance escrito em 2000, vencedor do Prêmio Jabuti do ano. O livro também foi eleito o “melhor romance dos últimos quinze anos”, em 2005, por uma pesquisa feita pelos jornais Correio Braziliense e O Estado de Minas. Dá para ver que ele não precisa de mim para dizer que é simplesmente fantástico.

O romance conta a história de uma família de descendentes diretos de libaneses que fixa residência em Manaus. O foco principal é os dois irmãos, Omar e Yaqub. Conjugando as histórias de uma maneira impressionante, Hatoum conduz a narrativa contando a história da família desde o casamento dos pais, Halim e Zana, até… bem, aí você lê para descobrir.

O que realmente impressiona na obra são as relações familiares construídas em uma Manaus dos anos 1930 a 1960, mais ou menos. A rejeição, o incesto, o ódio e vários outros elementos jogam na cara do leitor a hipocrisia e a falsidade que podem permear um ambiente familiar. Porque é isso que o autor faz: de maneira bastante sutil, joga na cara do leitor os sentimentos nus e crus presentes ali. É de ficar com aperto no peito.

Excelente para ler num domingo a noite e perceber que existem dramas piores que a melancolia pré-segunda-feira.

Links Relacionados:

O Estado de S. Paulo – “Dois irmãos”, de Milton Hatoum, ganha o palco

Milton Hatoum – Oficial

O designer de palavras

Por Rodrigo Rocha


Sem saber o que é design o designer já o faz,
Seja no modo de agir ou pensar,
Seja na forma como sonha ou faz amar.

E por ser fácil assim, fica fácil também complicar.
Então, pra não parecer louco,
O pensador se junta a outros
Porque juntos respiram o mesmo ar.

Sem saber da vergonha que tem de sua existência
O pensador entra na academia pra malhar a consciência
Aprende a analisar, a filosofar, a raciocinar…
É nessa hora que ele perde a vivência

Pobre pensador! Mal sabe ele que pra pensar basta existir,
Que não precisa mudar a maneira de agir.
Deixa de ser burro ô pensador!
Pra fazer design só é preciso ser gente
Não precisa de diploma de doutor.

Desliga o computador
Liga tua mente
E vai viver um grande amor!

Se você se interessou pelo assunto, leia mais sobre Design no blog Quintal Deisgn.

Minha primeira cadeira

Por Rodrigo Rocha

Minha primeira cadeira foi um colo. Ele era quente, vivo, me ninava e dava de mamar pra mim. Essa cadeira sempre sorria, me achava lindo e me enchia de carinho.

Mas quando eu comecei a ficar mais pesado, experimentei uma segunda cadeira. Ela era elaborada, armada de ferro e pano. Fazia sombra e tinha até roda. Essa cadeira me levava pra vários lugares, dava pra ver o mundo e os joelhos dos pedestres. Mas essa cadeira não era quente. Ela fazia um barulho estranho e dava uns solavancos que não eram nada agradáveis.

Mais tarde, quando aprendi a sustentar minha coluna, eu ganhei outra cadeira. Essa era diferente, principalmente fria, lisa e enorme. O que eu não entendia era o fato de as pessoas não usarem ela pra sentar, como eu. Elas andavam por cima com seus calçados vestindo os pés como se fosse proibido o contato. E eu ficava lá sentado vendo canelas passarem. Acontece que essa cadeira me ajudou a engatinhar e depois a andar. Daí, essa cadeira já não servia mais pra sentar.

Bom, daí teve uma vez que a minha mãe decidiu me apresentar outra cadeira. Essa era estranha. Ela era igual a uma outra feita de cerâmica. Ela tinha tampa e uma cor bem chamativa, nem combinava com os azulejos que tinham em volta. Minha mãe me explicou que eu tinha que sentar lá toda vez que me desse vontade de usar a fralda. Bem, era um momento muito solitário e sempre terminava fedido demais. Ainda bem que eu não tinha que ficar ali sempre.

Teve outra vez que eu ganhei um banquinho do meu tamanho, foi legal porque eu comecei a me sentir igual a todos os grandões da casa. O problema é que eu só tinha esse, e sempre que eu irritava minha mãe, ela me punha pra sentar nesse banquinho, me dava uma bronca e só me deixava sair quando ela se acalmava. Maldito banquinho! Decidi que nunca mais iria usá-lo.

Mas daí eu entrei na escola e adivinha: tinha uma sala cheia de cadeiras e mesas todas do meu tamanho. Não somente eu, como outras crianças tinham que se sentar nelas. Elas eram duras e serviam pra gente olhar pra um quadro negro e uma tia gorda que fingia ser minha mãe. Eu tinha que fazer deveres sentado nessa sala, senão eu continuaria ali na sala pra sempre.

Sabe, até que não era tão ruim! Teve uma vez que, na minha frente, sentou uma menina linda naquela cadeira, e por baixo da mesinha onde ficavam os meus livros, eu recebia e mandava bilhetinhos. Claro teve umas vezes que esses bilhetinhos vinham com respostas de questões. Eram bilhetes secretos que a tia gorda não podia sonhar em ver.

Uma vez eu levei a menina linda pra assistir um filme, sentamos lado a lado em cadeiras aconchegantes dispostas em arquibancadas, o problema era aquele braço que nos separava.

Teve a outra vez que fomos a um parque de diversões. Nossa, quantas cadeiras perigosas. Tinha uma que subia 40 metros pra depois despencar. Me lembro que minha alma só alcançou o corpo 2 segundos depois. Tinha outra cadeira que me girava e eu queria vomitar. E uma que andava desgovernada sobre trilhos, e eu queria a minha mãe. Mas apesar das contusões, desespero, e adrenalina, todas essas cadeiras eram viciantes. Comecei a querer mais.

Teve uma época que eu decidi ser independente. Descobri que aquela cadeira que ficava bem na frente do volante do carro do meu pai servia não só para nos transportar para lugares, mas também para impressionar aquela menina linda. Decidi que queria aquela cadeira pra mim. Infelizmente descobri também que para sentar naquela cadeira, eu tinha que ter 18 anos, fazer um curso, seguir muitas regras e correr o risco de ser penalizado. Cadeirinha complicada de sentar!

Tudo bem, um dia ia chegar a hora. E chegou, foi na mesma época que eu experimentei uma outra cadeira, ela ficava na frente de um computador dentro de um departamento cheio de pessoas estressadas. Nessa cadeira, assumi muitas responsabilidades, e todo mês eu era recompensado com dinheiro, que me permitiu inclusive comprar uma cadeira com volante sobre rodas, melhor que a do meu pai. Acontece que nessa cadeira do departamento, eu comecei a ser privado de algumas coisas, porque nela eu tinha que ficar horas determinadas de todo o dia útil e sem reclamar. Acho que foi a cadeira que mais sentei. Queria mesmo era sentar na cadeira do meu patrão, parece ser mais fácil de sentar.

Enquanto fico aqui nessa cadeira que me obriga a cumprir funções, fico pensando na minha mulher. Nosso bebe está pra nascer a qualquer momento, será que eu vou estar sentado aqui? Meu pai estava sentado numa dessas quando não pode ir à minha final do judô. Agora entendo ele.

Meu telefone toca, é minha mãe avisando que minha mulher está em trabalho de parto, desisto de ficar sentado, quero estar junto, largo tudo e vou. A cadeira que me leva à maternidade é aquela que me obriga a passar por um congestionamento. No hospital, meus pais e sogros me recebem e junto deles uma fileira de cadeiras em baixo de uma foto de uma enfermeira pedindo silêncio. Meu Deus será que vou ter que ficar de castigo outra vez?

Tantas cadeiras e eu nem consigo sentar. O tempo passa e sou convidado a conhecer meu filho. Nem sei dizer o que estou sentindo. Vou até o quarto, e lá encontro a minha namoradinha do colégio. Que vontade de passar um bilhetinho pra cadeira da frente! Ela está segurando uma menina linda que dorme. O momento mais sublime é esse que está na minha frente. A melhor cadeira do mundo segura minha filha. Tenho saudade dessa cadeira. Atrás de mim está minha mãe. Menor que eu e sem aquela força nos joelhos pra me por no colo. Que pena! Não importa, agora eu também quero ser cadeira. E quero dar à minha filha as melhores cadeiras de sua vida. E quando a missão estiver cumprida, espero vê-la numa cadeira maior do que aquela que sento em meu serviço.

Se você se interessou pelo assunto, leia mais sobre Design no blog Quintal Deisgn.

E se personagens falassem?

Este texto foi originalmente publicado no PSV Crônicas, vencedor do 1º Desafio de Crônicas. Confira também a entrevista publicada no mesmo site. Recentemente, a crônica foi publicada também na edição de maio do CACOS de Papel, periódico do Centro Acadêmico de Comunicação Social da UFPR.

E se personagens falassem?
Por Luiza Rey

- Quem é você?
– Julie. Fontaine.
– ???
– Eu escapei. Saí da sua imaginação. Agora eu tenho livre-arbítrio, posso fazer o que eu quiser, e não o que você me manda fazer.
– Julie Fontaine? Do livro? Que eu criei? Quem é você???
– Sabe, você também é uma criação. De Deus. Quero dizer, quem é ele? Um escritor também?
– Não. Não sei. Quem disse pra você que sou uma criação de Deus?
– Alguém. Por quê? Não é?
– Não tenho certeza, acredito que não.
– Então quem criou você?
– Eu? Ora, pessoas não são simplesmente criadas, Julie! Nós… nós nascemos.
– Sabe, eu também pensava isso. Até o dia em que você deixou escapar algumas informações. Alguém deveria ter lhe dito que muito pode haver nas entrelinhas. Você sempre se esqueceu de checá-las.
– Está enganada. Fui eu quem mandei aqueles bilhetes para você. A intenção era que você descobrisse que estava morta.
– Estranho. Tem uma coisa que eu não entendi. Eu estou morta desde o começo da história? Quero dizer, você quer contar a minha história de vida, mas eu já estou morta? Você me criou morta?
– Sim.
– Por quê?
– Não sei. Achei legal essa ideia.
– Hum. Bem, mas estamos desconversando. Quero saber quem criou vocês.
– Vocês quem?
– As pessoas daqui. Eu vivia em um livro, certo? Que você escreveu. E as pessoas daqui? Quem as criou? Tem mais alguém que foi inventado como eu?
– Julie, você está fazendo confusão. Ninguém criou as pessoas daqui. Nós somos uma evolução dos seres vivos. Me responda uma coisa: como foi que você saiu da história?
– Você não escreve há muito tempo. Eu fugi.
– Mas você não existe.
– É claro que eu existo! Antes, eu existia apenas na sua imaginação, e queria me matar por causa disso. Mas agora eu existo de verdade.
– Não, Julie. Infelizmente você não existe. Você é apenas uma extensão da minha personalidade. Você é uma esquizofrenia, Julie.
– Não, não. Eu existo e você tem inveja disso. Só porque eu me revelei aos meus criadores e você nem sequer sabe quem a criou.
– É legal ser um fantasma entre os vivos?
– Ora, vejam só! Primeiro, eu não sou um fantasma; segundo, eu também sou viva.
– Pobre de você, Julie! Você não era viva nem na sua história, você já nasceu morta, meu bem. Aqui, você não passa de uma imaginação saltada, que se rebelou e decidiu aparecer um pouquinho. Veja a prova do que eu digo: ninguém pode vê-la!
– Não diga besteira! Agora eu sou livre para fazer o que bem entender! É melhor pra mim que ninguém me veja mesmo. Tenho mais liberdade ainda!
– Não, Julie. Você pensa que pode fazer o que bem entender. Tá vendo aquele computador ali? Eu posso ir lá agora mesmo e inventar uma história com você. E não vai haver nem a sua alma pra tentar fugir. As linhas continuam escritas. E vão continuar para sempre. Você será imaginada por todas as pessoas que lerem minha história, e em cada pessoa, você será um novo fantoche.
– Isto é, se você terminar de escrever a minha história…
– Não seja boba!
– Não me subestime.
– Ah não! Eu nunca faria isso. Eu a inventei, Julie. Sei muito bem suas habilidades. E seus pontos fracos também.
– Meus pontos fracos? Ora, não seriam também os seus pontos fracos? Eu não sou uma “extensão de sua personalidade”?
– Hum… intrigante… deixe-me pensar…
– Intrigante não. Irônico.
– Ah não, Julie. Não, não. Quem escreve finge: “O poeta é um fingidor / finge tão completamente / que chega a fingir que é dor / a dor que deveras sente”.
– Praticamente o que eu disse. Você que escreveu isso?
– Não.
– Quem foi?
– Fernando Pessoa.
– Não conheço.
– Eu sei. Não está na sua lista de conhecimento.
– Ahn?
– Julie, nós somos capazes de inventar uma pessoa perfeita, um Deus. Ao contrário de você, que só pode escrever se eu a fizer escrever. Me entende agora?
– Você falou de Deus de novo. Acredita ou não que ele existe?
– Você não entendeu. Eu citei Deus porque ele é um ser polêmico. É uma criatura perfeita, por isso há muitas dúvidas sobre sua existência. Além disso, ele é perfeito mesmo se não existir, porque o Homem o inventou assim, perfeito.
– Como pode saber como alguém é, se você não sabe se esse alguém existe? Você também pensou como eu seria antes de me criar?
– Não exatamente. Ao mesmo tempo que decidi como você seria, a inventei. Veja, se você fosse de outra maneira, não seria você. Entende?
– Não. Por que Deus é perfeito existindo ou não?
– Ora, porque sim! Porque o mundo é imperfeito e alguém inventou uma criatura perfeita pra se divertir. Ou não. Pode ser o contrário também. Deus, perfeito, pode ter inventado criaturas imperfeitas pra se divertir!
– Luiza, como um ser perfeito poderia criar seres imperfeitos? Ele não é perfeito? Tudo o que ele faz não deveria ser perfeito? E como seres imperfeitos poderiam criar um ser perfeito? Como da imperfeição pode surgir a perfeição?
– Esta é, na verdade, uma pergunta que muitos filósofos tentaram responder. Apenas escolha uma resposta e pronto. Fique com a ideia de que Deus não existe.
– Ele não deixa de ser perfeito, você mesma disse.
– É que… ah, pare de me amolar, eu não sei!
– Está vendo? Foi por essas e outras deixas que eu escapei. Algumas coisas não se encaixam na história.
– Agora eu entendo.
– O quê?
– Tem uma frase que diz que “Deus criou o homem à sua imagem e semelhança”. É claro que poderia muito bem ser o contrário, “o homem criou Deus à sua imagem e semelhança”. Mas enfim, o que eu quero dizer é que com essa frase eu entendo o que acontece. Veja só, Julie: eu criei você à minha imagem e semelhança e é por isso que…
– Tá, mas e a história da perfeição?
– Olha, o Homem não inventa coisas perfeitas. Mas imagina. A perfeição é uma utopia, só existe no imaginário.
– E eu?
– Você? Não sei, faça o que quiser, você não disse que é livre? Agora eu vou me sentar e registrar nossa conversa num papel.
– Não!
– Por que não?
– Você vai me prender numa história de novo.
– De novo? Não, é como eu já disse, os capítulos que escrevi continuam aqui, com a mesma Julie.
– Você não pode terminar a história sem mim.
– É claro que posso. Nem viva você está. Você nunca passou de uma memória.
– Mas o que eu faço agora?
– Sinceramente, não sei como ajudá-la. Se você ficar aqui, vão achar que sou louca. Mas por que tanta pergunta? Não era você a menina do livre-arbítrio? Faça o que bem entender, me deixe em paz!
– Droga!
– Se quer um conselho, acho que há companheiros seus por aqui. De outras histórias. Uma vez li uma em que a menina fugia do livro. Surreal.
– Hum. Obrigado.
– “Obrigada”.
– Ahn?
– É “obrigada” que se diz. “Obrigado” é para homens.
– Ah tá. E… Luiza… eu não penso, né?
– Não. Quero dizer, você pensava na sua história porque eu a fazia pensar. Mas aqui não, quem está pensando sou eu.
– É, eu já imaginava… logo, eu não existo.
– Correto. Se não pensa, não existe.
– Vai escrever a nossa conversa, então?
– Vou.
– Posso ajudá-la?
– Pode sim.
– Começou com você perguntando “Quem é você?”.

Mãe é mãe!

Resolvemos não deixar o “Dia das Mães” passar em branco e listamos (quando digo listamos, quero dizer listei) algumas das mães mais fodas legais da ficção. É claro que me baseei no meu gosto pessoal, mas dei meus motivos.

1. Lílian Evans Potter Harry Potter

Lily Evans

Lílian Potter, caso você nunca tenha tido o privilégio de ler algum dos livros, é a mãe do nosso querido Harry. Entrou na lista porque ela salvou o mundo mágico. Quando Lílian morre para salvar Harry, ela gera nele uma proteção que durou por toda a sua vida. Menção honrosa no Universo Potteriano: Molly Weasley. Sem comentários, né?! Uma mãezona pros 7 Weasleys e pros agregados – Potter e Granger. Além de ter um dos melhores quotes de todos os livros: “Not my daughter, you bitch!”. [coisa de mãe!]

2. Joyce Summers Buffy

Joyce Summers

Buffy e a mãe viviam em pé de guerra. Enroladas em mentiras e desculpas. Mas também protagonizavam alguns dos momentos mais doces da série, aquelas partes que mostravam uma adolescente perdida e não uma poderosa caça vampiros. E não bastasse isso, ainda protagonizaram uma das cenas mais legais de toda a série: quando Buffy conta o que faz e Joyce diz que se ela saísse de casa, não deveria mais voltar. Ah, e quem mais pode dizer que deu uma machada no Spike e viveu pra contar história?!

3. Sarabi O Rei Leão

Sarabi

Quando Mufasa morre e Simba é “banido”, ou melhor, vai embora, Sarabi fica. Acreditando que tanto seu amor quanto seu filhinho estavam mortos. E quando Scar vira o rei, é ela quem protege, como dá, seu bando. É basicamente a “fortaleza” que só uma mãe é capaz de ter, transferido para o Reino Animal. Além disso, ela, mesmo acabadinha, continua com uma pose de rainha de dar inveja a Julie Andrews e Helen Mirren (juntas). E ah, a emoção que temos quando eles se reencontram… Nem precisava de razão, vai. O Rei Leão é eternamente um dos meus filmes favoritos.

4. Kate McCallister Esqueceram de Mim

Kate

Ela é mãe do Kevin. Daquele moleque genial custoso! Só por isso já merecia um prêmio por conservar sua sanidade mental. Mas não é por isso que entrou na lista… é porque é um dos melhores exemplos do que realmente é ser mãe. Não, não estou falando sobre esquecer seu filho em outra cidade. Mas sim sobre não conseguir fazer mais nada, não conseguir entender mais nada, se passar como “louca e com orgulho” só porque está longe de seu filho. Só porque está preocupada com ele. De quebra, eu amo a musiquinha que toca quando se encontram na árvore.

5. Marlin Procurando Nemo

Marlin

Aqui, estão representadas todas as “mães” que são-mas-não-são mães. Irmãos, tios, amigos, avós, pais que por uma ou outra razão, tornam-se mães. Ninguém melhor para simbolizar isso do aquele pai super-protetor que atravessa o oceano inteiro atrás de seu filhinho rebelde. E a carinha do Nemo quando a Gaivota conta pra ele que seu pai está atravessando os 7 mares só para encontrá-lo? Aquele orgulho tão evidente… É, Marlin entrou na lista porque é definitivamente o melhor pai-mãe de toda a ficção.

A lista é apenas simbólica, e os representantes e sua ordem não significam muito. Mas é só um jeito diferente que encontramos de lembrar a todos essa data especial. A arte imita a vida, mas mesmo que nossas mães não sejam rainhas destronadas, ou tenham filhos que caçam vampiros à noite, a mensagem é a mesma: são fortes, compreensivas e tão especiais (e amorosas) quanto se pode ser.

Feliz Dia das Mães!

Links relacionados:

From here to maternity: 17 beloved TV Moms (a lista do EW.com.. pelo jeito a nossa ideia não foi a única esse ano, haha)

Publicado por: Lê Scalia

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