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Frases em espanhol que não se deve dizer a um brasileiro

Espanhol, as vezes, é uma grande comédia. Pois é, existem frases que, se não causam confusão, garantem uma boa risada a qualquer brasileiro. Nestes quase 10 meses de Costa Rica, estes são alguns exemplos de frases que me fizeram cagar de la risa:

Usted tiene que montar en una buseta para llegar allá.
Esta é velha e conhecida, mas sempre precisamos citar. Sim, aqui você pode montar em ônibus busetas grandes, pequenas, coletivas, de cores, cheias, vazias, espaçosas, apertadas, e o melhor, por somente 200 colones (menos de um dólar)!

Me chupo sus chichis.
Não pense que isso vai te dar nojo. Chichis são, digamos, os pechos de uma mulher. Existe um bar aqui, cópia de Hooters, chamado Chichis.

Yo te echo porras.
Você consegue imaginar o que faz uma porrista? Exatamente, porrista significa cheerleader.

Toque mi chichota, esta super hinchada.
Acabei entendendo outra coisa quando escutei esta frase quatro dias atrás. Coitada, a muchacha tinha batido a cabeça no chão e queria me mostrar o resultado deste golpe: um galo na testa.

Mi perro ha hecho boquete en la pared.
Não imagine muito, qualquer cachorro costuma fazer buracos em paredes, não?

Hmm, me encanta el pinto con huevos.
Homem ou mulher, idoso ou criança, todos querem comer pinto com ovos. Afinal, este é o nome do café da manhã típico costarricense, algo como arroz, feijão, ovos e molho Lizano.

Menú típico

Menú típico

Tome cuidado você também ao falar algumas coisas, o portunhol pode te trazer problemas:

Barman, me puedes dar una pinga con hielo?
Barman, pode me dar um pinto com gelo?

Si me pidieras ser su novio, te aceito
Se me pede em namoro, te lubrifico com azeite.

Mira que cosa más linda, mas llena de graza.
Olha que coisa mais linda, mais cheia de gordura.

Enfim, moral da história: não confie em seu portunhol.

Publicado por Tiago Pizzolo

10 motivos para pichacear Costa Rica

Hoje completo 6 meses de Costa Rica. Poderia vir aqui e escrever um post todo cheio de saudades, muchas gracias e belas palavras, mas NÃO! Chega de dizer que tá tudo bem, é hora de reclamar deste lugar! Segue a lista de reclamaçõs: 10 motivos para pichacear Costa Rica.

K.O.

1. Cadê o cesto de lixo?
Sem tem algo que me deixa meio p*** aqui é a falta de cesto de lixo altos na frente das casas. Aqui o caminhão de lixo passa duas vezes por semana. Na noite anterior ou no mesmo dia da coleta, cedo, a galera faz montinhos de sacolas com suas porcarias pelas ruas… no chão! Dai antes de chegar o lixeiro, bingo!, chega o cachorro. Resultado: ruas cagadas de basura e hediondas. Uma simples e alta lixeira resolveria isso fácil.

2. Cadê o nome das ruas?
Eu já falei, vou repetir, traga seu mapa e sua bússola para Costa Rica e esqueça tentar enviar cartas. Motivo simples, as ruas não têm nome. Por espanto, tem gente que é contra nomeá-las, afirmam que sua maneira de dar direções faz parte de sua cultura. Enquanto isso, continuo morando a 200m leste e 50m sul do Mall Outlet.

3. Cadê a campainha?
Tem uma guela boa? Sorte sua, porque aqui você vai precisar. A grande parte dos edifícios (que não passam de três andares) não tem interfone. Mas veja o lado positivo: não conheço o vizinho de baixo mas já sei que se chama Pedro.

4. Cadê a pedra pra meter na cabeça do apurador de ônibus
“San Pedro, San Pedro, Ulatina, UCR, ya nos vamos, suban, suban, Mall San Pedro, apúrate, rapidito, todavia hay campo… ”. Aqui na Costa Rica existe uma profissão chamada *oder com a paciência do passageiro. Antes de você entrar no ônibus, existe um louco gritando localidades no ouvido de todo mundo e quase te empurrando para dentro da lata velha. Voz estridente e faltar um dente são pré-requisitos para preencher a vaga. Ah, mentir que ainda sobram lugares também.

5. Cadê os sabores de Miojo?
Nissin Instantâneo pode virar fácil o melhor amigo de alguém que mora sozinho e não foi abençoado com a habilidade rara de cozinhar. Bem, no Brasil sim, mas talvez não aqui na Costa Rica. Afinal, uma coisa é você ter a sua disposição 500 sabores para escolher, mesmo que metade deles pareçam a mesma coisa (Galinha, Galinha Caipira, Frango Cremoso, Galinha com Vegetais, Frango Caipira Cremoso com Vegetais, etc). Outra coisa é você ter três sabores, Carne, Galinha e o nunca compraria, mas a situação me obrigou Camarão. Sem opções, qualquer um enjoa deste nasci para salvar teu jantar fácil.

6. Cadê a cerveja sem gelo?
Aham, aqui seu pedido de cerveja vem acompanhado com um copo de gelo. Até aí tudo bem, vai de cada um mesclar sua birra com pedras d’água. Mas… esse costume faz com que a cerveja nunca esteja gelada nos bares.

7. Cadê o tempo sem chuva?
Esqueça Primavera-Verão, Outono-Inverno. Na Costa Rica Pura Vida você tem duas estações: seca e chuvosa. Na estação seca, tá tudo tuanis (de boa, em tico). Agora, começou a temporada de chuva, cagou com a vida: esqueça ir para praia, esqueça ir visitar vulcão, esqueça ir para o trabalho caminhando e esqueça encontrar ônibus vazio. Compre suas galochas e bem-vindo ao período de chuvas que dura 6 meses.

8. Cadê as boas propagandas locais?
Digamos que a grande parte dos anúncios produzidos na Costa Rica são toscas (em qualquer dos sentidos). As boas decentes propagandas que encontramos por aqui costumam ser destinadas a toda América Central e produzidas em outro país.

9. Cadê a pontualidade e rapidez?
Não, o termo Tico Time não é o nome de um jornalzinho qualquer por aqui. Esta é a expressão que a galera usa para descrever a mania tica (costarricense) de marcar uma reunião às 19h e chegar às 21h. Somente aqui o Fast Food não é fast, o trabalho não começa as 8h em ponto e os jogos de futebol das 21h começam as 21h15 (ok, talvez aqui eu tenha inventado). Mas fica a dica: antes de marcar qualquer coisa, pergunte se o horário é ou não a la tica.

10. Cadê o gerente deste banco?
Chama o gerente porque eu quero reclamar: por que não posso usar o celular dentro do banco? Por que eu não posso acompanhar outra pessoa no caixa (somente uma pessoa pode ser atendida por vez)? Se tudo isso é para prezar a segurança, por que os bancos não possuem porta com detectores de metais? Enfim…

Como diz uma expressão popular muito sem graça, tirando o que tá ruim tá tudo bem. Saudades, muchas gracias e belas palavras para você.

Publicado por Tiago Pizzolo

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Mamãe, eu quero

Em pleno Carnaval, era uma vez cinco brasileiros lejos de sua terra natal.
Estavam em San José, terra que desconhece o calor do axé e o samba no pé.

Com coceica e a agonia,
foram buscar a folia da bateria, este mundo brasileiro de magia.

Caíram em Puntarenas, esperavam mulatas, loiras, morenas,
uma festa com calles llenas.

Sem seu samba de verdade, caíram em realidade.
Ê Brasil, que saudade!

Sim, os brasucas perdidos na Costa Rica tentaram encontrar um carnaval na terra de Laura Chichilla (ah, sim, as eleições aconteceram faz uns dias, esta é nossa nova presidenta). Não encontramos a Sapucaí, mas encontramos uma boa história pra contar.

Cinco loucos escutaram que o melhor carnaval do país dos vulcões acontecia em Puntarenas. Não precisaram dizer duas vezes, sexta-feira à noite desembarcaram na cidade.

“Reservem onde ficar com antecedência, a cidade vai estar cheia”

Eram 22h quando chegamos, hora mais que suficiente para a música tremer os vidros e a galera tremer o chão. Ao colocar a cabeça para fora de nosso ônibus, olhamos para um lado, olhamos para o outro lado e… cadê este povo? A cidade estava em puro marasmo.

A lenda do carnaval de Puntarenas

De qualquer maneira, precisávamos buscar lugar para deixar as coisas. Nossa dificuldade não foi encontrar um local para dormirmos, mas sim encontrar um local para dormirmos compatível com nosso bolso. Eles metem a faca e dão uma rodadinha nessa época! Nós, no costume de pagar algo como $8 em albergues, não estávamos preparados para pagar mais que o dobro por uma noite. Idéia resultado da cabeça de cinco estudantes pensantes: “Ah, viramos esta noite e amanhã cedo fazemos o check-in. Um dia é sussa…”. Beleza, deixamos nossas mochilas em um hotel amigo e saímos para a imensa festa.

Quando a gente estava aquecendo o pé (finalmente algumas pessoas apareceram) nas tendas abertas de salsa e reggaeton, a festa acaba. “Fu***”, pensamos. Era recém meia-noite, quem ia guentar virar a noite sem festa? Começamos a andar pelas ruas, cantando nosso samba e fazendo nosso próprio carnaval. Muitos ticos acabavam vindo ver o que é que a baiana tem e também entravam na roda. Foi aí que, de repente, não mais que de repente, nossos ouvidos bem treinados registraram uma leve batucada ao fundo… o radar reconheceu na hora e só deu cinco loucos correndo atrás deste som, Aquarela do Brasil, costurando os que restavam nas calçadas. Ô abre alas!

Sim, era uma bateria, e uma bateria foda, muito foda (ou era eu que estava muito bêbado de reggaeton?) em plena terra tica! Chegamos lá, agitamos o bagulho, galera começou a sambar com a gente (não sei quem mais fazia de conta que sabia sambar, eu ou eles), tocou uma música brasileira atrás da outra, galera começou a rodar e desperdiçar cerveja, galera começou a comprar cerveja para rodar e desperdiçar, um arrasta mesa, outro empilha cadeira e… os ticos brigam. Resultado: bateria parou, pessoal dispersou e festa acabou. Que bueno, gracias mae!

Depois da leve pancadaria, voltamos  para as ruas e lembramos de uma coisa: antes, uma nativa havia comentado de uma festa proibida, ilegal, só para sócios, fechada, submersa, algo cabuloso. Então, lá fomos nós tentar entrar neste batidão e, surpresa, conseguimos! Quando falamos “somos do Brasil”, a porta escancarou.

A festa acabando, nós cansados, era hora de voltar… mas para onde? Para a sacada do nosso hotel amigo, por supuesto! Lá, estarrados no piso gelado, com o aval do guardinha, cochilamos nossa primeira noite. Acordamos, finalmente pagamos o quarto para cinco e… dormimos mais (ou finalmente, nao sei).  Depois, revigorados, voltamos para as calles.

Passando pela frente da tenda que acabou com a festa meia-noite, outra surpresa: “Un saludo a nuestros amigos brasileños”, disse o dj/locutor do lugar. Abrimos um sorriso e mandamos um alô. Já éramos celebridades na cidade. Pessoas desconhecidas vinham em nossa roda, cumprimentavam-nos, gritavam Brascil, faziam embaixadinhas com bolas invisíveis, passavam a pelota para gente, falavam de Kaká e Ronaldinho, xingavam Maradona, nos ofereciam bebida, sacavam uma foto e iam embora. Chegamos a cansar de fazer tudo isso (e não é fácil cansar de falar mal de Maradona).

Domingo, na hora de nos despedirmos de nossos amigos do hotel, alguém nos diz: “Não, mas este fim de semana não foi carnaval, foi o Tope (desfile de cavalos que realmente aconteceu). Carnaval é só semana que vem”. Muchas gracias, amigo, muy amable! É, definitivamente não olhamos a cabeleira do Zezé, mas valeu a tentativa.

Ps: vale a pena e a galinha ler a mesma história escrita por Marcelinho, outro doido presente, aqui.

Publicado por Tiago Pizzolo

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Onde tem fumaça, tem fogo

A Costa Rica está semeada de vulcões. Espalhados pelas cadeias montanhosas que cortam o país, podemos encontrar mais de 60 destes cuspidores de lava. Para tranquilidade da nação tica, hoje, somente cinco se encontram ativos: Rincón de la Vieja, Poás, Turrialba, Irazú, e Arenal.

Nem todos sabem, mas um vulcão não possui necessariamente o formato de um cone. Ainda, um vulcão pode ter mais de uma cratera. Dos citados acima, por exemplo, somente o Arenal é cônico, possuindo três buracos fumegantes. Também é o vulcão mais violento da família, por isso lá nos metemos este último fim de semana.

Arenal, o revoltado da Costa Rica.

 

O vulcão Arenal nem sempre foi assim revoltado. Até 1968, ele ficava lá, na cidade de La Fortuna de San Carlos, tranquilo. Era considerado extinto e alguns debatiam se realmente era um vulcão. Chegou a ser conhecido como Colina Arenal. No entanto, depois da erupção de 1968 que destruiu os povoados vizinhos, o bichano não parou de cuspir fogo.

Hoje, o vulcão possui dois lados bem distintos. Um lado é coberto por uma mata verde, pois não há atividade vulcânica por ali. Outro lado é acinzentado, já que o derramamento de lava acontece constantemente. Este é o lado que a galera gosta de observar, obviamente.

Estávamos em uma trupe de oito pessoas. Chegamos lá e fomos recepcionados por uma grande explosão e pedras rolantes. Mas não, durante o dia não se consegue ver lava. Isso só é possível durante a noite (algo como rios vermelhos descendo a montanha) e por isso a galera fica lá até escurecer, observando o gigante. Ficamos também, só que o dia com céu limpo virou noite com muitas nuvens, e nublada nossa festa acabou. Nada de lava.

A nuvem que tampou nossa lava.

Na hora de voltar, paramos em um rio de água quente chamado Tabacón (como se as busetas heredianas não fossem suficientes para brasileiro cair no riso). Claro, mergulhamos no Tabacón e seus 40°C. Imagine aí o cenário: tudo escuro, “fumaça” por todos os lados e um povo gringo doido. Galera estava só esperando quem seria o primeiro a sumir. Mas tranquilo, voltamos em oito.

Em um lugar cheio de rios, cachoeiras, mata e mato, gastamos nosso último fim de semana. Absolutamente, é destino obrigatório para quem vem para Costa Rica. Em mais onze meses, espero voltar e levar para o Brasil uma foto com lava que nao seja do Google.

Publicado por Tiago Pizzolo

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Eleições presidenciais na Costa Rica

É tempo de eleições presidenciais na Costa Rica.

Na Costa Rica, assim como em muitos países, elege-se um novo presidente cada quatro anos. Para o candidato conseguir levar a coroa no primeiro turno, precisa alcanças os 40% mais um dos votos válidos. Diferente do Brasil, aqui existem dois vice-presidentes e a reeleição é inconstitucional. Ainda, o voto não é obrigatório. Como são poucos, os partidos políticos não estão vinculados a números, logo não existe PBS 21, por exemplo (e não me pergunte como é a eleição para deputados).

Meu contato com campanhas publicitárias é  através de televisão e mídia externa. Nas telinhas, nunca encontrei horário político obrigatório, somente propagandas de 30s no meio da programação. Quando resolvem falar de alguma coisa, o ponto de pauta de todos é um só: segurança pública (se estiver tão ruim quanto a oposição fala, estou fu%#&@zilado – calma pai, calma mãe).

No país também não existe coligação partidária, cada partido lança seu candidato. Talvez por isso, nunca vi um vice-presidente em alguma propaganda. No Brasil, o vice costuma representar o segundo partido mais forte da coligação. Aqui, os vice-presidentes são do mesmo partido que o presidente, logo, não possuem tanta força convergente de votos política.

Foi dada a largada!

Os ticos aqui dizem que o presidente é mera figuração. Então, concorrendo neste casting, apresentamos os quatro principais candidatos a figurante:

Laura Chinchilla: sucessora do atual presidente Óscar Arias, representa o PLN (Liberación Nacional). As pessoas não costumam gostar muito da figura Chinchilla, mas muitas dizem que votarão nela porque o país melhorou muito nestes quatro anos. Com seu slogan “Adelante”, possui a melhor propaganda política do país (visualmente falando), porém propostas bem vagas (como todos os candidatos). “Para la niñez, cuido. Para la juventud, educación. Para las personal adultas, trabajo bien remunerado. Y para los adultos mayores, una vida digna”. Bravo, Laura.

Otto Guevara: do PML (Movimiento Libertario), é o principal adversário da candidata roedora. Representa a contradição. Possui um discurso populista e aparenta ser um candidato de esquerda (perguntei para os nativos e, para eles, Otto é de esquerda), no entanto propõe dolarizar a economia do país. Conforme o site do PML, seu partido é centro reformista, porém “defiende, divulga y promueve las ideas y los valores del liberalismo”. Para melhorar a educação, sua proposta é distribuir computadores portáteis (reparem no vídeo a qualidade do aparato) para os estudantes, o que me parece escambo de voto por computador. Para mim, é um direita em pele de vermelho (cor, claro, de seu partido e sua campanha).

Otton Farias: ex-PLN, desfiliou-se, afiliou-se  PAC (Acción Ciudadana) e se lançou cadidato. Possui uma campanha televisiva agressiva, tudo que faz é atacar seus adversários através de bonecos marionetes. Por isso, foi  criticado pela mídia e pelos cidadãos. No entanto, aqui na Costa Rica, somente de seu partido recebi folhetos com propostas.

Luis Fishman: a pior campanha política que já vi. Seu slogan “El menos malo” me proporcionou muitos risos (que estratégia é essa?). Não satisfeito com a cagança, lambuza com seu jingle bizarro. Ok, agora sim, com suas grávidas cantantes, me passou confiança, pescador.

Como podemos perceber, que venha o que vier, estamos em boas mãos.

Publicado por Tiago Pizzolo

 

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Hoje faço um mês de Costa Rica

Hoje faço um mês de Costa Rica. Um mês de expectativas por vezes frustradas, por vezes superadas. Um mês intenso. Pensei em escrever algo sobre este mês que passou, mas resolvi digitalizar algo que já tinha escrito, exatamente há um mês atrás: 

Iniciando a viagem: Floripa

É, acho que estou ansioso. É meia noite e eu estou em Guarulhos escrevendo em um guardanapo do Mc Donalds. A caneta, para ajudar, está pifando. Meu vôo para Costa Rica só sai as 7h30, logo tenho que ocupar meu tempo ocioso. Bom, resolvi anotar coisas que já aconteceram comigo nestas 3h de aeroporto. 

Para começar, desci do vôo da TAM Floripa-Guarulhos e já fui bem recepcionado: uma de minhas malas estava em três pedaços. Foram-se rodinhas e pé de apoio. Claro que o Pizzolo foi reclamar… Mas, surpreendam-se: a TAM me deu uma mala nova! Mesmo tamanho “só porque” com rodinhas. Fiquei tão surpreso com a atitude que, se duvidar, pedi desculpas por ter causado aquele inconveniente com minha mala barata. 

Problemas com a mala resolvidos, resolvi fazer um check-in na TACA. Cheguei na Asa D, onde fica o guichê da empresa e… nada de TACA! Fui me informar onde fica a TACA e tive uma ótima notícia: é lá mesmo, mas só abrem 3h antes do vôo*. Ou seja, minhas duas malas, grandes e inconvenientes, estão aqui do meu lado. Me fudi. 

Aliás, falando sobre malas de novo, por culpa do inconveniente lá conheci uma galera de Criciúma (a mala deles também teve problema, rasgou, provavelmente na ponta de plástico que ficou na minha mala, vestígio de um par de rodas). Eles vão para Dubai, de Emirates. No início deste guardanapo passaram por mim as aeromoças da companhia. Na verdade, eu deduzi, mas acho que nenhuma outra companhia teria um uniforme com turbante, não é mesmo? 

Para iniciar bem a rotina de comer fora de casa, jantei um Big Mac com fritas e guaraná. Isso quer dizer que, além de ter umentado meu colesterol, os 500ml de refrigerante me deixaram com vontade de ir ao banheiro. E como faz para ir ao banheiro com duas malas grandes e incovenientes? O jeito é ir me guentando aqui.

Acabou o guardanapo, foi-se frente, foi-se verso. Amanhã tento colocar isso no blog. Nos vemos na Costa Rica! 

Finalizando a viagem: San José

É a primeira vez que eu leio este guardanapo depois de escrevê-lo. Pela aleatoriedade do conteúdo, percebo que eu realmente precisava só escrever. Meu amanhã demorou 30 dias para acontecer. Isso significa dizer que tenho apenas 11 dias restantes aqui. Preciso correr para fazer tudo que planejei!

*Ps: Ok, eu sou um ignorante quando o assunto é check-in. Parece que isso é processo padrão para qualquer vôo, de qualquer operadora.

Publicado por Tiago Pizzolo

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Uma semana em Guanacaste

Semana passada foi diferente aqui na Costa Rica.

Todo ano, a Novartis faz uma convenção que reune a equipe de vendas e de marketing de Costa Rica, Honduras e Nicarágua em algum lugar do país. Este ano, resolveram escolher um dos hotéis mais caros de Guanacaste, a província mais turística da Costa Rica.

Adivinhem? Exatamente, nós, os quatro humildes Aiesecos, fomos também. Ficamos quatro dias hospedados no Riu Resort, um hotel all inclusive na Praia Ocotal. Eu não tinha idéia de como funcionava um sistema “tudo incluído” antes desta convenção. Mas sim, all inclusive é all inclusive. Isso quer dizer que tínhamos rum, vodka, whiskey, gim e cerveja à vontade em nossos quartos, bares 24h fazendo todo e qualquer coquetel (cuidado com a cucaracha!) e comidas variadas a qualquer momento. Além disso, havia um casino dentro do hotel, além de uma Pacha (sim, a balada foda que existe em Floripa, São Paulo, Barcelona, Madrid e por incrível que pareça, Guanacaste).

Nisso tudo, só um problema: estávamos lá para trabalhar. Ou seja, agenda cheia de palestras e treinamentos. Mas na verdade, isso foi muito bom. Conheci muito mais sobre a Novartis,  conheci pessoas dos três países e por aí vai… E claro, todo dia, depois da agenda, sempre encontrávamos um tempo para aproveitar o all inclusive.

Depois, quando chegou sexta-feira, hora de voltar com a excursão para San José? Nada! Descemos, Marcelinho e eu, na primeira cidade onde havia ônibus para outra praia. Fomos para Tamarindo, a esquina arenosa da Costa Rica com as melhores ondas para surfar (diz a lenda). A praia é tesão (nada comparada com Bocas de Toro, mas ok, encontramos iguanas), mas para mim o melhor é a cidade. Tudo é muito roots lá, dos albergues aos nativos, climão de praia geral. Na verdade, o que menos se encontrava era nativo. Escutamos mais inglês do que espanhol, com certeza. Talvez por isso, na balada, rolou até concurso de wet t-shirt (e tem gringo com coragem de falar de brasileiro).

Depois de passar do hotel mais caro de Guanacaste para o albergue mais barato de Tamarindo, voltamos para a dura realidade. É, San José não é das melhores cidades para se viver. Para uma capital, não possui muita estrutura, tampouco é muito turística. Mas tudo bem, fim de semana chega rápido e, enquanto a plata nos deixar, continuaremos viajando.


Publicado por Tiago Pizzolo


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Salsa, cumbia, rumba ou merengue?

Chega de Chora me liga ou Segura o tchan! Aqui na Costa Rica, o negócio é La vida es un Carnaval. Na verdade, não só aqui, mas em toda América Hispânica, o que escutamos nas rádios ou nas festas é somente música latina.

Agora, para mim era música latina e ponto. Para eles não: pode ser salsa, cumbia, rumba, merengue, entre muitos outros. E, claro, cada ritmo dança-se diferente. Depois de muito treinar meu ouvido, acho que já sei diferenciar.

Cumbia

Surgiu na Colômbia, mas agora está por toda a parte. É o ritmo mais fácil de reconhecer. Se tem um chiado ritmado, é cumbia. A dança é impossível, o povo fica saltando durante a música inteira, rodopiando e ainda acha graça nisso. Se começar a tocar, dê um paço para trás, a chance de ser chutado é alta.

Salsa

Bem conhecido no Brasil, mas confundimos com merengue. Tem origem em NY, em um bairro latino, de maioria cubana. Ou seja, é de origem cubana. Tem uma batida mais rápida, agitada. É aquela história de dois pra lá, dois pra cá (mas para frente e para trás, normalmente). Exige muito do seu labirinto: não é difícil ficar tonto com tanto giro. A galera pira na pista. Se deu uma agitada, é salsa.

Merengue

Nasceu na República Dominicana. Agora, o esquema é um pra lá, um pra cá. É como dançar com a vó, sabe? Não me parece tão agitado como salsa. Me parece uma música mais “limpa” também, sem muitos instrumentos. As letras costumam ser bizarro-engraçadas (quando eu entendo, até rio).

Rumba

Outro ritmo de origem cubana. Pedi explicação e me falaram que é a mistura de salsa com merengue. Ou seja: se eles não sabem definir o que é, eles chamam de Rumba. Entre Googles e Wikipedias, o que me parece é que Rumba é como uma Salsa mais lenta. Enfim, se eles não sabem, quem sou eu para saber?

Bom, o esquema é colar na hora. Olhe ao seu redor, veja se estão saltando, dançando alucinados ou mais tranquilos e descubrirá qual ritmo está tocando.

Ps: Sim, posso ter falado nada com nada aqui. Se você entende algo sobre estes ritmos,  verifique se o que escrevi tem algum sentido.

Publicado por Tiago Pizzolo

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Traga seu mapa e sua bússola!

Busão. Este é o transporte preferido mais usual de um treinee no estrangeiro. Para ir para o trabalho, para voltar do trabalho, para conhecer a cidade, para conhecer outras cidades, para visitar outros países, enfim, para sair de um lugar e ir para outro. Depois 15 dias vivendo aqui, acho que este é o tema que posso escrever com mais segurança: as diferenças entre Brasil e Costa Rica no transporte público.

Primeiro, vamos falar de busetas. É, ônibus em espanhol é buseta. Isso significa dizer que pego pelo menos uma buseta por dia aqui na Costa Rica. Pelo menos, porque aqui não existe sistema integrado como em Curitiba e outras cidades, por exemplo. Logo, para ir para Heredia (outra província) de San Pedro* (bairro onde eu vivo), preciso pegar um ônibus até San José e depois agarrar una buseta Herediana, pagando, claro, duas passagens.

* Adendo: deixe-me tentar explicar como funcionam as divisões geográficas aqui: existem as províncias, que são como os nossos estados (vivo na província de San José). Cada província está dividida em cantones, algo como regiões (existem 11 na província de San José, vivo em Monte de Oca). Finalmente, cada região está dividida em bairros (vivo em San Pedro, o bairro universitário daqui). Para mim, é divisão demais para um país um pouco maior que a metade de Santa Catarina.

Aqui não existe um terminal central ou mesmo uma rodoviária. Para viajar entre bairros, entre cantones, entre províncias ou entre países é necessário saber onde fica o “terminal” daquela linha. Ou seja, “terminais” espalhados por todo centro de San José. A passagem de ônibus é muito barata. Pago 200 colones no San José-San Pedro, algo como 75 centavos de real. Todos seguem esta regra, não só os intermunicipais. Cada linha tem sua tarifa, não existe padrão algum. Não existe roleta na entrada, mas sim duas barras que reconhecem quando passamos entre elas. Nunca, mas nunca fique parado entre estas barras! Os motoristas vão te xingar demais e te empurrar para você sair daí (já que para o sensor, é como se existissem mais pessoas entrando). Sou muito mais nossas catracas.

É comum alguém entrar no ônibus para tocar uma música, pedir uma contribuição voluntária e sair. Você com sono voltando do trabalho e o brother com o violão em sua orelha, normal. Tem um doido que sempre vai cantarolando no meu, em breve vou decorar a primeira canção de sua autoria (talvez a única, já que ele só canta esta), “Cara Bonita”.  Ainda, só para te encomodar de vez, sempre tem um doido apressando a galera entrar nos ônibus para San Pedro, berrando igual um doido. Não entendo a necessidade, tem ônibus saindo cada 5 minutos no horário de pico, justamente quando ele está lá.

Ônibus aqui também paga pedágio. Para isso, o busão entra na fila com os carros normais, espera sua vez de ser atendido pelo guichê, abre a janelinha, pega umas moedas do caixa e paga. Existem muitos ônibus, sempre. Logo, é difícil encontrar muitas pessoas em pé no ônibus.

O ônibus que peguei para chegar ao Panamá é muito pior que o que pego para chegar em casa. Mas o mais bizarro é que estes ônibus de longa distância (entre cidades longes ou entre países) possuem duas categorias de lotação: pessoas sentadas e… pessoas em pé! Sim, alguém pode fazer uma viagem de 7h sem um assento adequado. Ainda, nestes ônibus uma bela salsa ou cumbia sempre está tocando, não necessariamente como som ambiente.

Pegar táxi não é muito caro. O problema é que não é muito fácil explicar para onde você está indo, já que… as ruas não tem nome! Como faz então? Eles consideram cada quadra como 100 metros. Logo, você pode viver a 300 metros oeste do cemitério de Alajuela, por exemplo. Correio, como faz? Também não sei, talvez por isso não tenha recebido conta ou propaganda de algum banco ainda.

Enfim, se vier morar na Costa Rica, traga seu mapa e sua bússola!

Publicado por Tiago Pizzolo

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Cheguei!

Depois de 24h entre 4 aeroportos, estou já em território centro-americano. Quase não embarquei porque não tinha meu cartão de vacina contra febre amarela, mas depois de um scanner as 4h da manhã e algumas ligações, consegui fazer o meu cartão e meu check-in no último minuto possível. Consequência: viajei na classe executiva! Sim, depois de tanta confusão (eu estava confirmado que não poderia viajar naquele dia) a TACA deu um upgrade no meu ticket. Peguei o voo andando e ainda sentei na janelinha (literalmente também). No caminho, vi uma imagem muito foda: a Cordilheira dos Andes! Aquelas imagens estilo Google Maps existem de verdade.

Cheguei dia 30 na Costa Rica, dormi aqui e dia 31 já estava a caminho do Panamá, rumo às praias do Caribe. Fomos eu e Cecília, outra brasileira, mas lá nos encontramos com mais 15 brasucas. Ficamos umas boas horas em um ônibus que reclinava, tipo, 2 graus, mas chegamos em Bocas del Toro bem. O ônibus quebrou, o barco para chegar em Isla Colón (são várias ilhas em Bocas del Toro), onde ficava nosso albergue (na verdade um restaurante) também quebrou, mas sussa.

Boca del Drago - Bocas del Toro

Cara de "velho, que paraíso é esse?"

É um paraíso o lugar galera! Tipo, todas as expectativas de Caribe que eu tinha foram atingidas, haha. Sol, calor, mar por vez azul, por vez verde, água quente e transparente, corais, peixes, coqueiros tortos, coqueiros caídos e tudo mais. Fizemos um passeio de barco, com direito a golfinhos e a Cayo Zapatilla, a praia mais foda que já conheci. Também conhecemos a praia Boca del Drago.

Cayo Zapatilla - Bocas del Toro

Esta cor existe em uma paleta de cores normal?

Até a alemã é mais bronzeada que eu...

Até a alemã é mais bronzeada que eu...

Nosso albergue era bizarro. Bem simples e rústico, tivemos que tomar banho de balde e caneca. A festa de todos dias e noites era o Aqua Lounge, um bar sobre a água, todo de madeira, com galera de todos cantos do mundo e um trampolim para a galera pular na água. Ano novo foi no Barco Hundido, outra balada sobre a água. Animal!

"Lo que pasó, pasó..."

Voltamos dia 03, em mais um ônibus fudido e agora sem 2 graus de inclinação. Estou agora na casa do Marcelinho, brasileiro, amigo meu, que já está trabalhando na Novartis. Creio que fico lá um mês e depois nós dois nos mudamos. Aqui em San Jose esta fazendo um bom frio a noite e um bom calor de dia. Em breve escrevo sobre a cidade, ainda não tive tempo para conhece-la bem.

Saudades do nosso Brasil já começou a chegar.

Beijos e abraços.

Publicado por Tiago Pizzolo

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