Arquivo da categoria: Política

Jingle político e direitos autorais

Ah, a política..!

Fora julgamento de mensalões, acusações e horário político, se tem uma coisa nas eleições que volta e meia realmente me diverte são os jingles. É um melhor que o outro. E em terra de política, quem tem jingle bom é eleito! Mentira, nem precisa ser bom, mas ajuda se grudar absurdamente na cabeça.

Por isso, sem julgar o candidato em si, até porque não conheço nenhum deles, resolvi fazer um TOP 5 com alguns dos melhores, mais criativos e originais – e mais cara de pau – jingles que ouvimos por aí. Os temas são variados… tem aqueles que foram eleitos e consideram que “foi bom pro povo”, então merece o voto de novo, tem o pessoal que acreditou em mudança e que não aconteceu nada, tem filosofia de vida Disney, tem novela das 7 e tudo que você imaginar.

(Dava pra fazer TOP 5 só sertanejo/pagode, então segue aqui o compilado já prontinho no youtube. Tem Teló, João Neto & Frederico, Fernando & Sorocaba, Sorriso Maroto e mais. Muito mais.)

5. Lindolfo Pires ao som de “Beat it” (Michael Jackson)

4. Tia do Doce ao som de “Vida de Empreguete” (Penha, Cida & Rosário)

3. A dupla animada “Thalison & Tiago”: Thalison Mendes ao som de “Pokemon theme” (Pokemon) e Tiago Dionisio ao som de “Dragonball Z theme” (Dragonball Z)

2. Werley Lima ao som de “Balada Boa” (Gusttavo Lima)

*O Estúdio Praise conseguiu falar o nome do pai do cara no jingle. Palmas. “Ele é jovem, filho de Nestor”.

1. Tia Nei ao som de “Hakuna Matata” (Timão & Pumba)

(O mais interessante aqui é o quanto o vídeo é didático. Tem até a joaninha karaoke… ela deve ser, de fato, uma boa professora infantil.)

E a pergunta que não quer calar é: direito autoral pra quê né?

Mas já que falamos sobre jingles eleitorais, achei justo destacar alguns que eu realmente acho bons – grudentos, simpáticos e eficazes. Primeiro, o “Lula-lá, brilha uma estrela”. E o mais gênio de todas as eras, “Varre, varre, varre vassourinha” do Jânio Quadros.

Os clássicos não envelhecem e aquele planalto ainda tá precisando de uma faxina.

*Curiosidade do post: a música mais “parodiada” nessa eleição foi, de longe, Kuduro. #AvenidaBrasil

Links relacionados:

Para mais, clique aqui e confira o canal da Mix Produtora e as diversas “Paródias Políticas”, tem até “Sou Foda”

Quanto pagamos de impostos?

Semana passada o governo federal divulgou que o IOF – imposto sobre operações financeiras – subirá de 1,5 para 3%. A medida já entrou em vigor este sábado, dia 08. Isso significa que financiar no Brasil ficou mais caro. Logo, quem queria comprar um carro e parcelá-lo em 12-24-36 vezes, vai pagar mais.

Em 2008 este imposto já era de 3%, porém foi reduzido para combater os efeitos da crise financeira internacional na economia brasileira. Pois é, todo imposto que reduz ou é extinto na terra brasilis sempre volta (alô CPMF!?).

E a gente? A gente simplesmente paga. Não sabemos quanto, onde, mal sabemos o porquê. Ano passado, tentando diminuir esta nossa ignorância/burrice, o site Dieta do Impostão divulgou uma lista com a porcentagem de cargas tributárias que pagamos em muitos produtos. Dê uma olhada e entenda porque, quando você compra, é melhor para o governo que o imposto imbutido no produto não saia discriminado.Simples assim, porque é um absurdo.

The Impossible Brief: como resolver o conflito entre Israel e Palestina?

A Publicidade resolve problemas. Sempre. Todo briefing que chega aos departamentos de Criação de qualquer agência é um problema a ser resolvido. Mas será que a Publicidade seria capaz de resolver um dos maiores problemas da história do mundo? O conflito Israel vs. Palestina

O desafio chamado de O Briefing Impossível (The Impossible Brief) foi lançado pela Saatchi&Saatchi alguns meses atrás. É claro que era só um desafio criativo – e que desafio! – mas quem não ficaria curioso para ver as soluções e, quem sabe, realmente enxergar uma luz no fim do túnel?

Bem, eis que a ideia vencedora foi divulgada: resolver a questão das terras não com guerras armadas, mas uma guerrinha de brincadeira, que toda criança adora, o Cabo de Guerra.

O importante não é nem quem ganha. O importante é que a guerra de brincadeira dure por muito tempo, porque enquanto ela durar, não haverá guerra armada.

E aí, o que vocês acharam da ideia?

Polêmica no blog: Marina Silva, Anarquismo, PT, PSDB e etc.

Devo confessar que adoro uma polêmica. Por isso, peço perdão pelo quê pessoal que tem o motivo deste post. Agora, se quiser continuar, acomode-se confortavelmente e comece (re)lendo este post: Política apartidária.

Comentário de tibartz:

Lê, eu vou fazer o favor de corrigir uma série de erros que você fez. Espero que não se importe.
1º) A anarquia nunca foi forma de governo. Pelo contrário, é a ausência do mesmo. Sugiro que estude melhor o negócio, pois, além de ser um “sistema” absurdo, é meio delinqüente. Não é e nunca foi o ideal, tanto é que jamais chegou a ser implantado mesmo nos países mais “evoluídos”.

2º) O Cristovam Buarque não sabe nem a diferença entre esquerda e direita. Ele diz que o PT é de centro. Ou ele mente descaradamente ou é muito burro, motivos que me fizeram ver a falta de inteligência no senhor em questão e desprezá-lo. Sugiro que estude melhor as idéias dele, que superficialmente parecem boas, mas no fim, após um longo estudo, demonstram-se brincadeira de criança e papo furado.

3º) Você afirma que o PT e o PSDB representam a direita e a esquerda. Isso é uma mentira gravíssima. Ambos são de esquerda: o PT é a extrema-esquerda e o PSDB uma esquerda moderada. O PT é o socialismo tosco que ressurgiu com força total no Brasil, cheio de adeptos comunistas loucos. Veja que TODOS os comunistas velhos desse País estão votando no PT. Isso não é coincidência.

4º) Você afirma ser um “alienado político”, o que, com grandes pêsames, eu sinto lhe dizer que, nessa parte, você acertou.

5º) O plano para a Natureza e a sustentabilidade do PT (apesar de absurdo) é melhor que o da Marina Silva, mas como ela só falar nisso as pessoas acreditam que o dela é verdadeiramente bom. Veja só como os políticos conseguem enganar as pessoas…

Última observação: o seu texto ainda tem uma quantidade enorme de erros de lógica e erros básicos de informação política. Não vou corrigir todos. Se quiser aceitar as minhas críticas você estará a um passo de melhorar intelectualmente. Caso contrário, é só fingir que eu estou errado, apresentar um monte de argumentos falhos e me xingar muito. Espero ter melhorado esse debate levemente.

Resposta:

Olá, Tibartz (?)

Bom, em primeiro lugar, – e acredite, estou sendo sincera – obrigada por seu comentário. Apesar disso, infelizmente não poderia concordar que você melhorou esse debate levemente. A não ser, é claro, pela qualidade do seu texto.

Pois é, você escreve bem, articula e manipula bem seus argumentos, mas faltam a eles algum senso embasamento. E sobra, obviamente, moralismo.

1º) Você deveria saber que todas as formas de governo inventadas ou surgidas até hoje são utópicas. Simplificadamente, isso significa que, em teoria, são todas perfeitas. Até o Capitalismo. Mas, na prática, nunca deram certo. O Socialismo se mostrou ser um governo autoritário e ditatorial em todos os lugares onde foi implantado; o Capitalismo prevê a desigualdade; e o Anarquismo virou sinônimo de desordem.

Mas, acredito que a Letícia estava se referindo aqui ao Anarquismo em sua teoria, o Anarquismo utópico. Sim, por que não? Muitas pessoas sonham ainda hoje com o Comunismo, por que não o Anarquismo?

É claro que o Anarquismo é uma forma de governo, mas precisamos esclarecer aqui o que entendemos por “governo”. Temos o Governo enquanto uma instituição que rege uma nação, e temos o governo do verbo “governar”, ao qual podemos nos dirigir genericamente, falando não de uma instituição, mas de um ato.

Enfim… ficou claro? Assim, o Anarquismo é uma forma de governo que prega a ausência de qualquer tipo de dominação e coerção, ou seja, a ausência do Governo e do Estado. Mas não prega a irresponsabilidade, porque as próprias pessoas seriam responsáveis por sua rua, seu bairro, sua comunidade, seus próximos. As pessoas simplesmente se entreajudariam. É claro que o grau de utopia aqui é muito alto, mas a teoria, que foi criada há muitos anos, é essa sim.

2º e 3º) Me parece que quem não sabe a diferença entre esquerda e direita é você. E olha que interessante: nesse ponto, você se embasa SOMENTE na teoria, sem levar em consideração o que a esquerda e a direita realmente se tornaram no Brasil.

Porque todos sabemos que, na prática, o governo do PT não se afastou do governo do PSDB. Nos primeiros anos do governo Lula, por exemplo, muitos cientistas políticos afirmaram que o Lula havia dado uma grande importância ao desenvolvimento da economia, mais até que FHC. É claro que há discordâncias, mas hoje, o PT é centro-esquerda e o PSDB é centro-direita. E se você me permite, eu diria ainda mais: o PT se vende como esquerda, mas sua postura é, de fato, centro, porque não se governa sem fazer alianças – como disse um dos maiores cientistas políticos desse país, Cristovam Buarque. Desculpe, mas chamar alguém como o Cristovam Buarque de burro é ignorância, prepotência, ou os dois.

4) Meus pêsames pra você também.

5) É? Por favor, você tem espaço aqui para defender o plano de sustentabilidade do PT…

Últimos comentários:

Política é para ser discutida. Tente entender que as pessoas podem ter pontos de vista diferentes do seu. Que, apesar de fatos, não existem verdades absolutas. Eu sei, é incrível, né?

“Se quiser aceitar as minhas críticas você estará a um passo de melhorar intelectualmente” – Ok, essa foi demais, né? Leia essa frase em voz alta, por favor!

Bem, no seu caso, se quiser aceitar outro ponto de vista, você estará a um passo de poder COEXISTIR.

Política apartidária

Nesse FDS, o futuro político dos próximos 4 anos será traçado. Por isso, um post especial. Sobre o que eu espero de política futura no nosso país.

Primeiro, alguns esclarecimentos. Eu não sou PSDB, não sou Dilma, não sou PT e nem sou Serra. Não me interesso por receber correntes a favor de um ou de outro. Não acredito em tudo que eu leio ou ouço. E se só cito esses dois partidos, é porque a impressão que dá é que no país só existem esses dois partidos, representantes de “direita” e “esquerda”. Não entrarei nesses méritos de que esquerda é quem se opõe ao governo atual. Até porque, uma lição da nossa breve história continua valendo: No Brasil, nada tão conservador quanto um liberal no poder, e vice-versa.

Minha forma de governo ideal é a Anarquia. Se você acha que eu curto sair pichando aquele A “estilizado” dentro de um círculo, procure conhecer melhor. Acho o Socialismo bonito e utópico; perfeito em sua teoria, impossível na prática. Não defendo nada a não ser minha ideologia. Eu acho que a solução pra todos os problemas brasileiros tem base na educação.

E acho que enquanto não começarem a arrumar isso – que só vai render frutos daqui muito tempo – nada mais será consertado. (E, convenhamos… nenhum político que ver seu trabalho gerar aspectos positivos daqui 30 40, 50 ou 100 anos. Não é no seu mandato. Se pá, não vai nem estar vivo pra ver!)

Acredito que os principais problemas brasileiros podem até ser amenizados, a partir de medidas paliativas, mas isso não os fará sumir. Precisamos sim do assistencialismo na conjuntura atual, mas precisamos que essas pessoas tenham chances de construírem oportunidades para si. E pra isso, só a educação. Por acreditar nisso, votei no Cristovam Buarque nas eleições passadas.

Às vezes, tenho a impressão de que político bom não vai pra frente no Brasil. E isso faz com que eu perca o interesse cada vez mais por esse contexto. Eu sou, basicamente, aquele “alienado político” xingado de ignorante porque se mantém – por opção – fora dos acontecimentos políticos do país. Mas, hoje, me arrisco a falar um pouquinho sobre política. Melhor, sobre o futuro da política.

Por que eu acho que #marina43 é a política da futuro

A Veja  de um tempo atrás (sim, eu comprei a Veja pela capa [branca]..!) dizia que se a Marina tivesse pelo menos 15% nas urnas seria candidata certa pra 2014. Ela teve quase 20. O que, em teoria, a coloca como candidata-com-certeza pras próximas eleições. E eu concordo. Não sei se, daqui 4 anos, ela já estará forte e madura o suficiente pra ser nossa presidente, mas que vai dar trabalho, vai.

Não importa se nesse mandato tivermos PSDB ou PT, eu coloco minha mão no fogo se os gritos por mudança não forem altos. Porque se a Dilma vence, a dita direita anuncia que temos uma ditadura já há 12 anos no poder (e lança Aécio Neves). E se dá Serra, o Lulão volta com tudo. Logo, nossa próxima eleição tem tudo pra ser mais quente.

Mas falemos da Marina que é o motivo do meu post. Eu acredito, de fato, que políticos como ela (raros, é verdade) irão constituir o comando brasileiro dentro de um tempo. Pode demorar, como toda mudança importante, mas vai acontecer. Por que eu acredito nisso? Bom, primeiro porque eu sou otimista. Segundo, porque ela é mulher e mulheres são mais inteligentes está na moda na política. Terceiro, porque esse é o caminho natural.

Os 20% do eleitorado da Marina é constituído quase inteiramente por jovens. Porque as propostas dela tocam mais os jovens e têm mais a ver com eles. E se a geração dos nossos pais lutou pela Democracia, nós lutaremos contra a corrupção. Essa será a bandeira da nossa militância política: contra a corrupção e a favor da sustentabilidade.

Marina Silva, do PV, tem 52 anos. Relativamente nova para a política. Uma adolescente se a comparamos ao colega Plínio Arruda, PSOL, 80. Ainda tem muito a aprender e se aperfeiçoar. Pode melhorar suas propostas e seus planos de governo. Pode adotar um estilo que agrade mais aos olhos, já que a mulherada implora por isso. Não é a aparência dela que define sua competência, mas é importante e inspira confiança para aqueles que compram o político pelo penteado (#CollorFeelings).

Considerando a freqüência do #marina43 nos TT, podemos facilmente ver que a juventude tem um candidato específico. Alguém que, a princípio, mostre um pouco das mudanças que desejamos ver aplicadas no poder. Se cada um tem o governante que merece – e isso é a mais pura verdade – talvez tenhamos um presidente assim dentro de algum tempo. Afinal, os jovens atuais serão o governo, os candidatos e os eleitores de breve.

Já obtivemos progresso com a Lei Ficha Limpa. Já nos revoltamos com a corrupção. Já conseguimos aproximadamente 20 milhões de votos para um candidato que defende a ética, a honestidade e a sustentabilidade. Então, por que não? Até porque, quem tuita hoje, governa amanhã. Ok, apelei. Mas quem tuita hoje, com certeza vota amanhã.

***

E pra quem sair vitorioso nesse domingo, um bom governo. É só o que podemos esperar. Que dentro de 4 anos, não seja tão corriqueiro atacarmos nossos políticos por corrupção e afins. Mas, como eu disse, eu sou uma otimista.

Publicado por: Lê Scalia

Um peso, duas medidas

Enquanto vemos por todos os lados os defensores da “liberdade de imprensa”, reclamando pra quem quiser ouvir da política que ameça a volta do AI-5, um fato estranho acontece.

Aliás, fatos estranhos acontecem. Sim, enquanto todo mundo mete a boca pra falar que todo cidadão tem o direito de se expressar, os dois maiores jornais do país – só isso, os dois MAIORES impressos do PAÍS – cometem atos de censura clara e simples.

Comecemos pelo mais recente. O Estadão, (O Estado de São Paulo) quase (?) mandou embora a jornalista que ousou ter uma opinião contrária à do jornal, que declarou abertamente seu apoio ao candidato José Serra pouco tempo atrás. Maria Rita Kehl quase perdeu o emprego por defender os “absurdos assistencialismos” do governo. Duas versões correm na net: 1. que agora ela terá seus textos “analisados” antes da publicação; e 2. que ela foi, de fato, demitida. E tem uma por fora, mais provável: ela pode ter sido ‘só’ afastada.

Censura? Não, que isso. Censura é o que a Folha (Folha de São Paulo) fez com seu site-irmão, o Falha de São Paulo (que já é genial só pelo título). Acionou a justiça, alegando uso ilegal da marca, e impôs multa de 1000 reais por dia enquanto o site permanecesse no ar. A galera tirou, claro. Mas agora ainda têm um processo de 80 folhas pra analisar e descobrir como se livrar dessa.

O que tinha no site que pudesse incomodar tanto? Uma “releitura” do premiado comercial da Folha que falava ser possível contar uma mentira dizendo apenas verdades e, no fim, mostrava o Hitler. A nova versão mostra o Serra e diz: “Folha, não dá pra ler”. Ah, vai… é engraçado. É um site de humor, só isso. Não deveria gerar uma mobilização de um dos maiores veículos midiáticos do nosso Brasil.

Mas gerou.

 

Autoexplicativo.

 

E estão usando a mesma advogada que usaram em outros grandes casos, como para defender José Simão. Aliás, ele pode. Os outros não. Que fique bem claro: eu adoro o Macaco Simão, leio a Folha (online, é verdade) todos os dias, gosto de dar um pulinho no Estadão. Mas com os acontecimentos recentes me decepcionei profundamente com ambos. Principalmente com o episódio do Estado, que se voltou contra “um dos seus”.

E aí, onde vamos parar? Daqui a pouco tão fechando o Biscoitos também. Mentira, não somos tão importantes haha. Mas sério, é hipocrisia. Então é assim? Liberdade pra imprensa só vale quando eu quero falar. Quando é pra falarem de mim, não! Dois pesos e duas medidas. Ou, na expressão menos charmosa mais correta: um peso, duas medidas.

(Por ironia, o artigo da Maria Rita Kehl no Estadão se chamava “Dois pesos…” e você pode conferi-lo aqui.)

Atualização 1: Faltou uma hipótese, bem lembrada por amigas: é tudo uma jogada política ou de alguém sem muito o que fazer. Parece mais crível. Mais sensato do que uma atitude descabida dessas… portanto, assim que souber realmente o que se passou esse post será atualizado.

Atualização 2: O jornalista Xico Sá diz ter “fonte segura” e afirma que Maria Rita não foi ou será demitida, mas a partir de agora não deverá escrever mais sobre política, apenas psicanálise.

Atualização 3: De acordo com o Terra, Maria Rita Kehl foi “convidada a sair” por ter acabado seu ciclo no Estadão. A Entrevista com a psicanalista pode ser lida aqui.

Links relacionados:

Boteco Sujo (que conta o caso inteiro do Falha de São Paulo, muito bom)
O valor do pluralismo, excelente artigo de opinião no Estadão, por Eugênio Bucci

Publicado por: Lê Scalia

Você suja minha cidade, eu sujo sua cara

Nada mais justo.

Toda eleição é a mesma coisa. Além de termos que conviver com a sujeira política que acontece o tempo todo, temos que conviver também com a sujeira de nossas ruas, aqueles milhões de santinhos em portas de zonas eleitorais e placas pelos canteiros de nossas avenidas.

Por isso, parabéns ao movimento Você suja minha cidade, eu sujo sua cara. É simples como o nome diz. Algumas das intervenções podem ser consideradas verdadeiras obras de arte, outras, sensacionais ações de guerrilha. Selecionei algumas aqui, mas vocês podem ver todas as contribuições pelo site do movimento.

Muito obrigada a todos que contribuíram!

Agradecimentos a @LeScalia pela pauta de hoje!

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Os políticos que nós merecemos

Hoje, o estado mais rico do Brasil irá eleger Tiririca como deputado federal. O palhaço que se veste de Restart (ou seria o contrário?) terá aproximadamente 1 milhão de votos. Junto com ele, por causa do sistema de quociente eleitoral, outros candidatos com número de votos insignificantes serão eleitos. Esse é, apesar do avanço das urnas eletrônicas, o sistema eleitoral brasileiro.

Bem, não é preciso dizer que a postura de Tiririca é um falso protesto, afinal, ele está brincando para fazer parte do jogo sujo da política. Mas porque 1 milhão de pessoas, do estado de São Paulo, acreditam estar exercendo um voto de protesto, isso é um mistério.

Ainda que o voto nulo não seja a melhor forma de protesto – como se ausentar de um processo democrático é protesto? -, ele é, ainda, o verdadeiro voto de protesto. Você sabia que se mais de 50% dos votos forem nulos (em uma eleição proporcional - ou seja, de deputados e vereadores), é obrigatória a realização de uma nova eleição, com candidatos diferentes?

Mas como votar em Tiririca pode ser uma forma de protesto? É, mais, um tiro contra si mesmo, uma forma ingênua e egoísta de mostrar que se está contra o processo eleitoral. Uma lástima.

Ora, não há milagres. Se o Brasil está do jeito que está, se temos motivos para reclamar do nosso país todos os dias, a culpa é somente nossa. Nós temos os políticos que merecemos. 1 milhão de votos para Tiririca? Nós merecemos ter um palhaço no Parlamento. Nós merecemos esperar em filas de hospitais, nós merecemos ter uma taxa alta de analfabetismo, nós merecemos pagar mais e mais impostos. É aquela velha história: a gente colhe o que a gente planta. E nós vamos plantar, hoje, um deputado federal analfabeto.

UPDATE 28/10/10: Oi, gente. Se vocês olharem os comentários desse post, poderão ver que fui muito criticada pela “falta de informação” ao afirmar que mais de 50% dos votos nulos cancelam uma eleição. Ok, realmente. O que fiz aqui foi apenas reproduzir uma informação dada por um colega. Não pesquisei mesmo, apenas escrevi um post despretencioso para meu blog. Mas enfim, parece que essas pessoas que enchem a boca para falar de alguém também precisam se informar. Porque mais 50% dos votos nulos cancelam SIM uma eleição, quando for uma eleição chamada proporcional, ou seja, de deputados e vereadores. Veja aqui.

What goes around comes around…

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Amanhã é dia de…

Não tem jeito. Eu até procurei alguma outra coisa para postar, discutir, ou mesmo linkar aqui. Maaaaas, o tema do fim de semana é, sem dúvida, as eleições de amanhã. Nesse domingo, aproximadamente 130 milhões de pessoas irão até as urnas exercer o direito da votação. Vamos, então, a algumas considerações.

Votar é um direito conquistado por meio de uma luta enorme. Exerça esse direito.

Eu considero contraditório as pessoas reclamarem de o voto ser obrigatório no Brasil. Primeiro, porque essa é uma frase meio forçada. O voto não é obrigatório, o que é obrigatório é a quitação com a justiça eleitoral. Basicamente, basta alegar que está em outra cidade no dia da votação e pronto. Seu voto não é mais obrigatório. Além disso, 21 anos de regime ditatorial arduamente combatidos não podem ter passado sem ensinar nada aos eleitores do país. O direito de votar é uma conquista. Exerça-o.

Uma história que também me fez refletir um pouco foi a que o Carlos Heitor Cony (que inclusive estará aqui em Curitiba na próxima semana participando da Bienal do Livro do Paraná) contou em sua coluna nesta terça-feira, se não me engano, na Folha de S. Paulo. Como o conteúdo online é bloqueado, vou contar com as minhas palavras.

Pois bem, disse Cony que um belo um político brasileiro de longa data viajou a Suécia (agora fiquei em dúvida se era Suécia ou Suíça, mas vamos considerar a primeira). Chegando lá, se hospedou num hotel, e no dia seguinte, pediu os jornais do dia para ler. Depois de ler, se vestiu e saiu às ruas, acompanhado de um assessor sueco. O político brasileiro olhava para as ruas com desconfiança e estranheza, e o assessor perguntou: “Senhor, algo errado?”. O brasileiro respondeu: “Sim, algo errado. Li nos jornais de hoje que hoje é dia de eleições… O que aconteceu?”. O sueco: “Sim, hoje é dia de eleições e elas estão ocorrendo normalmente, senhor”. O companheiro americano perguntou, indignado: “Mas onde estão as filas, os tumultos nas seções, a sujeira, o barulho?”. O sueco respondeu: “Não, aqui não há filas. Em cada quarteirão é instalada uma urna, e as pessoas se deslocam até ela durante o dia para depositar o voto. No final do dia, as urnas são recolhidas e os votos contados”. Cético, o brasileiro perguntou: “Isso quer dizer que se alguém quiser, pode roubar a urna, ou ainda depositar muitos votos para o seu candidato e manipular o resultado?”. Foi a vez do sueco ficar surpreso: “Mas senhor, quem faria uma coisa dessas?”

Para terminar, comento a análise do decano jornalista Alberto Dines, no Observatório da Imprensa, sobre o último debate entre os presidenciáveis (Outra oportunidade perdida, clique aqui para acessá-lo). “Mais um debatóide – debate de mentirinha. O quinto e último encontro televisivo dos presidenciáveis, além de frustrante, foi enganoso”. Mantendo esse tom, Dines crava: os principais personagens dessa eleição foram o Presidente da República e os veículos de comunicação. Nenhum dos dois concorre a cargo algum. Ele está certo. O debate de ideias, planos e projetos foi relegado ao segundo plano, se é que foram. A democracia brasileira, ainda adolescente, parece não ter aprendido a equilibrar o processo eleitoral.

E você, já escolheu os seus candidatos? Eu já. Ainda dá tempo de pesquisar o passado e analisar as propostas dos candidatos caso a dúvida ainda esteja presente. O voto consciente é das principais armas que o cidadão brasileiro possui para construir um país cada dia mais justo, menos desigual, enfim, um país melhor. Tenho certeza que todos queremos isso.

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TSE – Eleições 2010

A “melhor” opção

Um menino pobre, de uma região carente, tira forças do fundo de seu caráter sabe-se lá de onde e cresce na vida. Vira jogador de futebol? Bom, esse é o destino típico quando esse tipo de coisa acontece no Brasil. Mas não, dessa vez o menino virou presidente.

Pois é, falamos aqui do nosso atual líder destemido presidente, Luís Inácio “Lula” da Silva. Não quero mesmo falar de política, nem de eleições, nem de corrupção, nem de falsidade, nem de cara-de-pau, nem de nada de bom que envolve o assunto. Quero falar sobre cinema.

A polêmica começou quando alguém resolveu lançar a cinebiografia do presidente em ano de eleição. Uma propaganda eleitoral de duas horas, alguns disseram. Mas, olhe pelo lado positivo… você não foi obrigado a assistir. Quem quis ignorar o longa e fingir que nada acontecia – eu! – teve escolha.

Os 128 minutos de projeção abordam desde o nascimento do Lulinha, em Caetés-PE – subúrbio de Garanhuns (cidade da minha tia!) – até a ascensão política do jovem Lula, na década de 80. Bom, até aí tudo bem. Beleza.

A história, brasileira, é o maior retrato do sonho americano. A superação, a vitória, a volta por cima (na vida).

A recepção não foi lá essas coisas, não gerou recorde nenhum. Mas fez sucesso entre os petistas e uma parte da crítica considerou o filme bom tecnicamente. Eu, que só vi o trailer, achei “bonito”. As atuações, pelo que soube, “fazem seu papel” e os atores lembram em maior ou menor grau seus personagens.

Dá uma olhada!

Mas apesar de todos os possíveis contras o filme foi o escolhido, por unanimidade, para representar o Brasil no Oscar de 2011. Eu não concordo. A enquete do Ministério da Cultura não concorda. Meus amigos xingando muito no twitter não concordam. Bom, nada disso vai mudar o fato de que “Lula, o filho do Brasil” vai ser nosso representante.

E apesar de tudo isso, eu acho que entendo. Acho. Visualmente bonito, bom tecnicamente e com uma história hollywoodiana. Depois de “Quem quer ser um milionário?” acho que o caminho pode ser esse (embora o Oscar de melhor filme estrangeiro costume ser um pouco mais alternativo).

A explicação foi bem essa: não é o melhor filme, nem o mais popular. Mas é o que tem mais chances. Pelo menos foi isso que disse Newton Cannito, secretário do Audiovisual. Eu não acho que é o que tem mais chances, mas tem chances.

Nos últimos anos, Lula se tornou um dos personagens mais populares da política internacional. Ele é o cara. Se aqui no Brasil ainda há certa resistência (quanto à pessoa, talvez menos quanto ao seu trabalho), pelo mundo afora ele é sucesso. Em especial nos Estados Unidos.

Assim sendo, não estamos exportando só um cara. Mas o cara. A história de alguém já ligeiramente conhecido pela comissão julgadora do Oscar.

Agora, diz aí… vai ser no mínimo engraçado se, depois de tudo que o Lula conquistou no cenário internacional, ele consiga também trazer pro país nosso primeiro Oscar.

(Não, eu não sou petista. Não, eu não gosto do PT. Não, eu não tenho nada contra o Lula. Não, eu não acho que seu filme deveria ter sido escolhido. Não, eu não vou torcer pra ele ganhar. Mas se ganhar… ganhou, haha. Esse post foi feito também para me convencer de que essa decisão não foi (só?) política)

Links relacionados:

Filme do Lula representa o Brasil no Oscar, Folha de São Paulo

Publicado por: Lê Scalia

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