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Hipsters e tatuados merecem morrer

Quando você espalha cartazes dizendo que certo tipo de pessoa merece morrer, acontece uma coisa engraçada: essas pessoas podem ficar um pouco chateadas. A agência Laughlin Constable, de Wisconsin, e a Lung Cancer Alliance (Aliança de Câncer de Pulmão?) perceberam isso esta semana quando soltaram teasers dizendo que hipsters, tatuados e cat lovers merecem morrer.

hipsters merecem morrer

Muitas pessoas se revoltaram, é claro, mas como diria aquele personagem do Paulo Silvino (que eu não lembro o nome): “Não espera eu molhar o bico!”.

Pois é. A segunda fase da campanha explica tudo com o título “Ninguém merece morrer“, descrevendo o fato de que vítimas de câncer de pulmão são injustamente estigmatizadas como sendo os próprios causadores da doença.

campanha câncer de pulmão merece morrer

A justificativa é que, apesar de ser o “câncer mais mortal“, o câncer de pulmão é o menos financiado em termos de pesquisa. “O câncer de pulmão não discrimina, e você também não deveria“, diz o site da campanha. “Ajude a por um fim ao estigma e à doença“.

tatuatos merecem morrer campanha cancer pulmao

É uma mensagem corajosa e socialmente complexa, difícil de decifrar sem a explicação completa, ainda mais dizendo que “[arquétipo social moderno] merece morrer”. Mas o que você acha? Funcionaria no Brasil, por exemplo?

Fonte: AdFreak

A raiva da direita americana sobre o futebol

Aproveitando que a Copa do Mundo ainda não acabou, mas acabará certamente nesse domingo com a Holanda campeã (queimarei a língua?), vamos falar mais um pouco sobre futebol, mais especificamente nos Estados Unidos.

Nunca tive o prazer de visitar a estimada América do Norte, mas quero muito crer que as opiniões que eu vou demonstrar aqui NÃO se apliquem ao povo americano, mas sim apenas àquela parcela extremamente conservadora dele.

Nós amamos isso, não amamos?

No último dia 16, o Estado de S. Paulo publicou uma notícia com o seguinte título: “Copa é alvo da extrema direita dos Estados Unidos“. Nela se fala que o futebol, ou o soccer, está sendo constantemente atacado pela mídia conservadora do país. A maioria dos comentários ataca o esporte como algo “de pobre”, “hispânico”, e que é ligado às “políticas socialistas do governo Obama”.

Os comentaristas conservadores ainda falam que o futebol é o esporte mais chato já inventado na história, que os americanos “não queremos gostar disso”, que o gosto pelo esporte no país é “enfiado goela abaixo”, e que a mídia liberal nunca se sentiu confortável com o “American exceptionalism”. Sim, existe um termo que eles cunharam através da história para se denominarem, digamos, especiais.

Teimoso que sou, fui atrás dos sites e blogs desses caras e infelizmente vi que a realidade é talvez pior do que o jornal brasileiro contou.

O analista Glenn Beck, da FoxNews, disse em um dos seus vídeos que o futebol é o pior esporte do mundo. Pior até que o “curling”. E que o futebol promove uma coisa que os outros esportes não promovem: stampedes. Em uma tradução livre, debandadas. Clique aqui para ver o próprio Glenn Beck falando isso no seu programa (vale a pena, apesar de ser extremamente irritante. O cara parece o Peter Griffin, do Family Guy).

Matthew Philbin, do centro de pesquisas de direita Culture and Media Institute, compartilha da opinião de Beck. Ele fala do tal do “American exceptionalism” como a “crença de que os Estados Unidos é um país único entre as nações, um líder e uma força do bem”. E compara a rejeição ao futebol com a rejeição ao socialismo.

O que os dois senhores, e aqueles que acompanham esse raciocínio, não lembraram, é que a partida entre Gana e Estados Unidos pelas oitavas-de-final da Copa 2010 foi assistida por 19,6 milhões de pessoas. Mais do que as cinco primeiras partidas das finais da NBA, mais do que a média da World Series da MLB de 2009, mais do que a Daytona 500, principal evento da Nascar. What the hell is wrong? Nada, ué.

Creio que os dois senhores que se propuseram a dedicar tamanho espaço do seu valioso tempo apreciam o nobre esporte do beisebol. Desculpa, mas alguém aqui já conseguiu aguentar ver um jogo inteiro de beisebol? É, sem dúvida alguma, a coisa mais chata do universo.

Mas tudo bem. O que eu queria mostrar é que dentro da “Free Land”, da América livre e tudo mais que eles pregam, há posicionamentos ridiculamente reacionários, ultrapassados e preconceituosos. E alguns deles, como esse, pegam no nosso “ponto de raiva”, não pegam?

Leia mais sobre a relação da direita americana com o futebol:

Esporte Fino – Sucesso do futebol nos EUA revolta a direita americana

The New Yorker – The Name Of The Game (artigo, em inglês, naturalmente, que dá um excelente ponto de vista diferente do reacionário apresentado no post)

O Estado de S. Paulo – A Copa dos Americanos

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