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Especial Cuba: o turismo sexual e a prostituição no país socialista

Conversa 1

Em um táxi, estavam dois espanhóis, Marcelinho, eu, além do taxista.
– Cuando estábamos en el aeropuerto de Madrid, viniendo a Cuba, vimos un grupo de chicas guapísimas. Eran todas de Brasil. Yo dije a Paco que deberíamos de haber ido a Brasil… – diz o espanhol 1.
- Si, es cierto, las brasileñas son muy guapas. – respondemos, no maior orgulho.
- No, pero aquí en Cuba las chicas también son muy guapas – diz o espanhol dois, talvez para não deixar o taxista, até este momento calado, sem graça.
- Si, y ¡no son tan caras! – fala, finalmente, o taxista cubano, na maior naturalidade.

Conversa 2

Três mulheres se aproximam de dois brasileiros – um amigo que conheci em Cuba e eu – em uma festa em Cuba. Uma loira – ou você pensou que em Cuba só existiam morenas? – começa a conversar comigo.
- Hola chico, ¿como estás?
- Muy bien, gracias, ¿vos?
- Todo bien. ¿Le gustaría una acompañante por la noche?
- Bueno… no sé, como funciona?
- Cien dólares.
- ¿¿¿Cien dólares??? Ah, no, no tengo plata, soy estudiante.
- Ochenta. Para salir con cubanas tiene que pagar, guapo. – disse a cubana, enquanto sua amiga seguia quase o mesmo roteiro com o outro brasileiro. A terceira cubana estava ali, no meio das duas, meio perdida, sem hombre e sem rumo.
- Hmm… pero ¿qué esta incluido?
- De todo. – responde, sem mistério, muito menos pudor.
- ¿¿¿De todo???
- Sip, de todo. Hagamos así: Ochenta dólares, ustedes dos y nosotras tres.¿Te parece?
- ¡!

Conversa 3

Nesta mesma festa, outra mulher da noite se aproxima.
- Hola, ¿te puedo acompañar?
- Sip, claro, ¿cuál es su nombre?
- Loren, mucho gusto. – ok, inventei um nome aqui, minha memória falhou.
- ¿Estás sola?
- Estoy contigo. ¿Adonde vas después de aquí?
- Hm, nó sé, ¿adonde vas vos?
- Voy contigo.
Nesse exato momento virei para um amigo brasileiro que estava próximo e lhe disse:
- Puta.
- ¿Qué dijo usted? – perguntou a dama.
- ¿Yo? No, nada… – e neste momento lembrei que puta é puta, seja em espanhol ou português (rei da mancada mode on).
- ¿Usted dijo puta?
- Hã… Humm… No, es que…
- Usted dijo puta – disse a própria, e sentindo-se no direito de ofender-se, foi embora.

Já que tenho um foto que ilustre bem este post, digamos, coloquemos algo random.

Estas foram algumas das conversas que ocorreram em Cuba. Limitadas a minha memória, já conseguem demonstrar a relevância do tema prostituição neste país.

Esqueça a prostituição convencional: você não vai encontrar muchachas paradas nas ruas de Havana esperando o próximo cliente. Para ver prostituta de verdade, você precisa ir para as festas em hotéis ou baladas caras. Nestes locais, não é difícil ver um gringo acompanhado de uma boa nativa com seu vestido curto. Dependendo da festa, é possível encontrar centenas delas desfilando, procurando a isca da noite, um verdadeiro menu ambulante. Elas chegam, conversam, enchem sua moral, oferecem seus serviços, finalizam e recebem sua bonificação.

Mas e na calle? Vem que também tem! Se na balada quem chegam são elas, na rua quem chegam são eles… mas calma! Chegam somente para oferecer o serviço de suas agenciadas. Se você tem cara de extrangeiro, batata!, seguramente será abordado pelo menos uma vez por dia por um cubano. 9h da manhã ou 9h da noite, o tradicional suvenir nacional esta sempre disponível. Acredito eu ser o único serviço 24h de Cuba. Qualidade, tá pensando o que?

É puta pra cá, é puta pra lá, que uma hora me perguntei se toda cubana precisou, um dia, sujeitar-se a isso. Afinal, não é difícil escutar histórias de chicas que trocam sua dignidade por um rolo de papel higiênico ou um par de sabonetes. Desconfie de quem já foi para Cuba mais de três vezes em sua vida, este tipo seguramente tem motivos mais fortes que o visitar o Capitólio para aterrizar no país. É a famosa lei de mercado aplicada à realidade socialista cubana: onde há muita oferta, há muita procura.

Publicado por Tiago Pizzolo

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